Rebaixamento da Ânima Educação
O JP Morgan rebaixou a recomendação da Ânima Educação (ANIM3) de compra para neutra, levando em consideração o atual nível da taxa básica de juros (Selic) e um cenário operacional desafiador que se apresenta no futuro. Como resultado desta atualização, as ações da companhia registraram queda no pregão da última segunda-feira (22).
Queda nas Ações
Por volta das 13h40 (horário de Brasília), as ações ANIM3 apresentavam um recuo de 7,33%, sendo cotadas a R$ 2,53.
Análise da Dívida
Os analistas Marcelo Santos e Livea Mizobata afirmam que a Ânima é a educação mais alavancada sob a cobertura do banco, apresentando uma relação de 2,7 vezes de dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) proporcional ao ex-IFRS16.
Além disso, um patamar estável e elevado da Selic eleva a estimativa do banco para a despesa financeira líquida em 17% até 2027.
Desafios Operacionais
Os analistas também destacam que a Ânima enfrentou problemas operacionais relacionados à adaptação dos cursos híbridos ao novo regulamento, o que resultou em um aumento nas taxas de evasão. Essa situação pode impactar a geração de receita no ano e dificultar a diluição de custos. As dificuldades tornam mais desafiadora a entrega de um Ebitda ajustado robusto, excluindo o IFRS16.
Redução das Expectativas de Lucro
Segundo o JP Morgan, a combinação desses fatores levou a uma redução de 42% na expectativa de lucro ajustado para 2027. Consequentemente, o banco retirou o preço-alvo para a ação, que anteriormente estava fixado em R$ 8,50 para dezembro de 2026. O modelo atual indica um valor justo na faixa de R$ 3,90 a R$ 4,80.
Gatilhos Potenciais
Os três principais fatores que poderiam influenciar a Ânima, segundo a análise do banco, são:
- Queda da Selic mais rápida do que o esperado, favorecendo a expansão dos lucros.
- Desempenho operacional mais forte do que o esperado em matrículas e taxas de evasão.
- Aumento dos tickets médios acima do que se esperava.
Projeções Revisadas pelo JP Morgan
O JP Morgan cortou suas estimativas de receita para a Ânima em 1,7% e 3,2% para os anos de 2026 e 2027, prevendo R$ 4,179 bilhões e R$ 4,296 bilhões, respectivamente. Esse ajuste foi acompanhado por cortes em todos os segmentos: Core (-1,6% e -2,1%), Educação a Distância (DL) (-1,7% e -3,8%) e Inspirali (-1,8% e -4,5%).
Ajustes nas Estimativas de Ebitda
No que se refere ao Ebitda, os analistas do banco reduziram as estimativas em 2,5% e 3,8%, devido à diminuição das margens em 30 pontos-base e 25 pontos-base, que agora são projetadas em 36,7% e 36,6% para os anos de 2026 e 2027.
Expectativas de Lucro
Para os lucros, as estimativas para 2026 foram cortadas para R$ 195 milhões, o que representa 25% abaixo do consenso da Bloomberg. Para 2027, a estimativa foi reduzida em 42%, levando-a a R$ 232 milhões, ficando 38% abaixo do consenso. Esse ajuste reflete revisões negativas nas perspectivas operacionais, combinadas com taxas de juros mais altas, que elevam a estimativa de despesa financeira em 17%.
Projeções para o Segundo Trimestre
Para o segundo trimestre deste ano, a expectativa é que a receita líquida cresça 1,8% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 1,024 bilhão, valor que é 3% inferior ao consenso da Bloomberg.
O segmento Core deve crescer 2,1% em comparação anual, em contraste com o crescimento de 11% observado no primeiro trimestre de 2026. Enquanto isso, a Educação a Distância (DL) deve apresentar uma queda de 14% ao ano, em comparação com a diminuição de 5% no 1T26. O segmento Inspirali, por sua vez, deve crescer 5% em base anual, em relação ao crescimento de 6% no 1T26.
Expectativas de Ebitda Ajustado e Lucro Ajustado
No que diz respeito ao Ebitda ajustado, os analistas esperam que a Ânima apresente R$ 361 milhões, com uma margem de 35,3%. Em relação ao lucro ajustado, o JP Morgan projeta um valor de R$ 21 milhões, que contrasta com os R$ 42 milhões esperados pelo consenso.
Fonte: www.moneytimes.com.br


