Desempenho das Vendas no Comércio Varejista Brasileiro em Janeiro de 2026
As vendas do comércio varejista brasileiro começaram o ano de 2026 de maneira mais tímida. De acordo com dados do Índice do Varejo Stone, desenvolvido pela Stone, constatou-se uma retração de 1,3% em janeiro em relação ao mês anterior, dezembro. Na comparação com janeiro do ano anterior, a queda foi ainda mais expressiva, alcançando 5,9%. Isso indica que o início do ano foi caracterizado por uma desaceleração na atividade econômica.
Contexto Atual do Varejo
O indicador, que monitora mensalmente a movimentação do varejo no Brasil, demonstra que o consumo continua a ser pressionado por um ambiente financeiro restritivo. Segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone, embora o mercado de trabalho ainda apresente dados favoráveis que sustentam a renda, já existem indícios de moderada desaceleração.
Freitas ressalta que a taxa de juros elevada, o aumento do custo de crédito e o nível historicamente alto de endividamento das famílias limitam o espaço disponível para novas aquisições. A retração observada tanto na comparação mensal quanto anual sugere que o setor começou 2026 em um patamar inferior ao registrado no início do ano anterior.
Análise Setorial das Vendas
Ao analisar os segmentos do varejo, observa-se que apenas um dos oito setores avaliados conseguiu registrar crescimento no mês. O grupo que inclui hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo apresentou um aumento de 1,4%. Esse movimento está associado à recente deflação dos alimentos no domicílio.
Nos demais setores, o cenário foi de queda. Os artigos farmacêuticos e combustíveis e lubrificantes apresentaram uma redução de 5,6%. O material de construção teve uma queda de 3,3%. Livros, jornais e revistas, além de papelarias, recuaram 1,9%. Outros artigos de uso pessoal e doméstico caíram 1,5%, enquanto móveis e eletrodomésticos apresentaram uma variação negativa de 0,3%. Por sua vez, tecidos, vestuário e calçados mantiveram-se estáveis.
Comparação Anual por Segmentos
Na comparação anual, o cenário é ainda mais abrangente, com todos os oito segmentos registrando retração. Os combustíveis e lubrificantes lideraram as perdas, apresentando uma queda de 15,1%. Os artigos farmacêuticos tiveram um recuo de 7,5%. Tecidos, vestuário e calçados caíram 6,7%. Livros, jornais e revistas, além de papelarias, registraram uma diminuição de 5,5%. O material de construção apresentou uma queda de 4,7%. Outros artigos de uso pessoal e doméstico recuaram 4,6%. Hipermercados e supermercados mostraram uma retração de 4,2%, enquanto móveis e eletrodomésticos registraram uma perda de 2,3%.
Desempenho Regional das Vendas
A desaceleração das vendas foi observada em diversas regiões do país. Apenas o estado do Amapá apresentou um crescimento anual, com uma alta de 2,9%. Nos demais estados, as vendas encolheram. O Rio Grande do Sul liderou as perdas, com uma retração de 10,2%, seguido pelo Rio Grande do Norte, que apresentou uma queda de 7,6%, e o Amazonas, com 7,3%. Santa Catarina registrou uma diminuição de 6,5%. São Paulo e o Distrito Federal apresentaram uma queda de 6,4%, enquanto o Espírito Santo teve uma redução de 6,2%. Tocantins também registrou um recuo de 5,8%. Outros estados, como Paraíba, Mato Grosso, Ceará, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Paraná, tiveram retrações superiores a 4%. Enquanto isso, outros estados mostraram quedas menores, mas ainda assim negativas.
Análise da Situação pelo Mercado Financeiro
Conforme a avaliação realizada pela Stone, o desempenho das vendas no varejo reitera que a desaceleração do consumo se disseminou por todo o país. Estados que anteriormente apresentaram resultados mais positivos começaram a registrar quedas, refletindo o impacto do elevado endividamento das famílias e do custo do crédito nas decisões de compra dos consumidores.
Com relação ao mercado financeiro, a fraqueza nas vendas do varejo tende a influenciar as expectativas para o crescimento do PIB no primeiro trimestre. Além disso, poderá impactar as projeções de arrecadação e os resultados das empresas. Um ambiente de consumo mais fraco pode pressionar os preços das ações ligadas ao varejo na bolsa de valores brasileira, enquanto também reforça a percepção de atividade econômica moderada em relação ao câmbio e à curva de juros, em um contexto caracterizado por uma política monetária ainda restritiva.
Fonte: br.-.com


