Volatilidade do Dólar
Os dados disponíveis ajudam a compreender a volatilidade da moeda. Segundo informações da Exchange-Rates.org, em janeiro deste ano, o preço do dólar alcançou R$ 5,5199, mas, ao longo das semanas, apresentou queda, chegando a R$ 5,1725 no dia 23. No acumulado do ano, a taxa de câmbio USD/BRL registrou uma redução de 6,29%. A média do mês de fevereiro foi de R$ 5,2195, que é maior do que a cotação registrada em março, quando a moeda atingiu a máxima de R$ 5,1900. Essa situação indica que concentrar a compra de moeda em um único dia pode ser arriscado, pois o viajante pode acabar pagando um valor significativamente mais alto ou, em circunstâncias mais favoráveis, um preço mais baixo.
Formas de Pagamento no Exterior
Diante dessa realidade, a maneira de pagar em outros países passou a ser uma consideração importante dentro do planejamento financeiro. Os cartões de crédito internacionais continuam a ser uma opção popular, mas, ao mesmo tempo, contas globais e cartões multimoeda têm se tornado cada vez mais relevantes. O uso de dinheiro em espécie, por sua vez, está se tornando menos comum.
Custo das Operações no Cartão de Crédito
De acordo com Manuel Beaudroit, CEO da empresa belo, o problema não está em utilizar o cartão de crédito, mas sim em usá-lo sem compreender o custo real da conversão. Pequenas taxas, explica Beaudroit, podem se acumular ao longo da viagem e causar um impacto significativo no planejamento orçamentário, muitas vezes percebido apenas na chegada da fatura.
O planejador financeiro Diego Endrigo, certificado pelo CFP pela Planejar, desdobra os três fatores que normalmente elevam o custo das operações de cartão de crédito no exterior. “O primeiro fator é a incidência do IOF, Imposto sobre Operações Financeiras, sobre compras internacionais, conforme as regras da Receita Federal”, ressalta. Em segundo lugar, há o spread cambial, que é a diferença entre os preços de compra e venda da moeda, aplicado pela instituição financeira sobre a cotação. “Por último, a conversão da compra não ocorre na data da transação, e sim na data de fechamento da fatura”, complementa.
Risco da Variação Cambial
Essa dinâmica transfere para o consumidor o risco da variação cambial. Se o dólar aumenta de valor entre o momento da compra e o fechamento da fatura, o valor total a ser pago também aumenta. A combinação do IOF, do spread e da variação cambial pode fazer com que o custo fique consideravelmente acima do valor do dólar comercial.
Atualmente, o IOF para operações internacionais foi uniformizado em 3,5%, tanto para crédito quanto para débito. Para Carlos Castro, também CFP pela Planejar, essa mudança altera a lógica anterior. “A ideia de que o cartão de crédito era mais oneroso em função do IOF não é mais uma verdade absoluta. Hoje, a diferença de custo está muito mais relacionada ao spread”, afirma.
Variações no Spread Cambial
Essa margem de spread cambial pode oscilar entre 1% e 5%, dependendo do banco ou da fintech, e é именно nesse ponto que reside uma parte significativa da diferença de custos.
Nesse cenário, as contas globais e cartões multimoeda têm ganhado popularidade. Plataformas como Wise e Nomad permitem que os usuários comprem moeda estrangeira previamente e mantenham saldos em dólar (ou em outras moedas), utilizando um cartão de débito vinculado a esse saldo. A principal vantagem dessa abordagem é a previsibilidade. Conforme explica Endrigo, “o imposto aplicado na compra da moeda é mais baixo do que no cartão de crédito, e a taxa de câmbio é fixada no momento da conversão”. Assim, o cliente tem clareza sobre quanto pagou e se resgata o risco de surpresas na data do fechamento da fatura.
Castro reforça que, no cartão multimoeda de débito, o câmbio é definitivamente fixado no instante em que os recursos são enviados.
“Sob a perspectiva do planejamento financeiro, a previsibilidade no cartão de débito é superior à do cartão de crédito, pois o câmbio já está travado”, afirma.
Além da previsibilidade, os custos tendem a ser mais claros, pois a taxa aparece embutida na cotação apresentada no aplicativo. Entretanto, essa opção pode não oferecer a possibilidade de parcelamento e, em muitos casos, os programas de recompensas são mais limitados. Contudo, dados internos da empresa belo indicam que a previsibilidade e a redução das taxas podem resultar em uma economia entre 5% e 12% no custo total da viagem, o que pode equivaler a até R$ 1.200 em um orçamento de R$ 10 mil.
Aplicativos com Rendimento em Dólar
Tradicionalmente, a compra de dólares significava deixar o capital estagnado.
“O dólar, por si só, não gera juros como um CDB, ou uma conta-poupança. O retorno ao investir em dólar provém da variação da taxa de câmbio”, destaca a XP.
Se a moeda se valoriza em relação ao real, o investidor tem ganhos; caso contrário, há prejuízo.
Entretanto, atualmente, algumas plataformas possibilitam que o saldo em dólar gere rendimento. O Dolar App, por exemplo, permite que o usuário deposite reais via Pix e converta para dólares, com uma taxa em torno de 0,5%. O saldo pode render 2,5% ao ano no plano Standard ou até 4% ao ano no plano Premium, e a empresa informa que trabalha com bancos parceiros nos Estados Unidos, oferecendo proteção de até US$ 250 mil.
Ainda, a Nomad funciona como uma conta corrente nos Estados Unidos destinada a brasileiros, realizando a conversão com taxas a partir de 1% e encargos que podem chegar a 3,5%. A plataforma também conta com a opção de Savings, que gera rendimento em dólares. Por outro lado, a Wise possibilita a conversão de reais usando a taxa de câmbio comercial, com um spread geralmente entre 0,8% e 1%, e oferece rendimento sobre o saldo em USD quando o cliente ativa a função de ativos, que é baseada em fundo de mercado monetário.
Para aqueles que desejam ir além de manter um saldo parado, existem plataformas como a Webull, que oferecem rendimentos de até 3% ao ano sobre o saldo não investido na conta em dólar, além de acesso a ações e ETFs no mercado americano, com zero de comissão para operações em ações, embora existam taxas regulatórias específicas para vendas e operações em opções.
Como Escolher o Melhor Aplicativo
Diante de tantas opções, é importante realizar uma comparação que considere a transparência na formação da taxa de câmbio, o nível do spread, a facilidade de uso do aplicativo, a segurança regulatória e os custos totais envolvidos.
Além dos aplicativos de conta global e de investimento, organizar o orçamento é também um fator que pode fazer diferença. Ferramentas como Spendee (para finanças compartilhadas), Organizze (para registro simples de despesas) e Mobills (que oferece metas e relatórios detalhados) auxiliam no acompanhamento do quanto já foi convertido, quanto ainda falta acumular e qual é o impacto das flutuações cambiais no planejamento financeiro.
Em uma situação de dólar volátil e com um entendimento mais apurado sobre custos ocultos, como o IOF e o spread, pagar no exterior foi além de uma questão de comodidade. Com contas remuneradas e planejamento digital, o capital em dólares pode não apenas aguardar a viagem, mas também gerar rendimento até esse momento.
Fonte: einvestidor.estadao.com.br