Venda de ativos deve progredir até o 3º trimestre, enquanto empresa investe na recuperação do setor de aço.

Venda de ativos deve progredir até o 3º trimestre, enquanto empresa investe na recuperação do setor de aço.

by Ricardo Almeida
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CSN mantém foco na redução de endividamento

Após reportar um prejuízo no quarto trimestre e observar uma queda acentuada em suas ações na bolsa durante o pregão do dia 12, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) comunicou, em uma teleconferência, que continua concentrada na diminuição de sua dívida. A empresa está avançando em seu plano de venda de ativos e busca alternativas financeiras para aumentar sua liquidez.

A CSN encerrou o período com uma dívida líquida de R$ 41,2 bilhões, um fator que impacta diretamente suas ações. A necessidade de desalavancagem se destacou como um dos principais tópicos discutidos por analistas durante a reunião com investidores.

De acordo com o diretor financeiro da empresa, Marco Rabelo, o principal objetivo da CSN é a monetização de ativos, estratégia que deve permitir uma redução significativa da alavancagem nos próximos trimestres. “A proposta de desalavancagem da companhia é centrada na venda de ativos e na injeção de capital, visando diminuir a dívida bruta e manter o processo de refinanciamento”, afirmou. Este plano poderá resultar em uma redução da dívida bruta entre R$ 14 bilhões e R$ 16 bilhões.

Na teleconferência, o presidente da CSN, Benjamin Steinbruch, enfatizou a prioridade da desalavancagem como uma estratégia fundamental. “Estamos comprometidos com esse processo. A companhia possui ativos significativos e estamos trabalhando para monetizá-los e fortalecer nossa estrutura de capital”, declarou.

Venda de ativos segue em progresso

No plano estratégico apresentado em janeiro, a CSN revelou sua intenção de vender o controle de sua divisão de cimentos e de estruturar uma plataforma de infraestrutura utilizando os ativos do grupo. Rabelo comentou que ambos os processos estão progredindo e a companhia está focada em concluir as negociações ainda neste ano. “Nosso objetivo é firmar esses acordos até o terceiro trimestre, como já mencionado”, destacou o CFO.

Em relação à venda da divisão de cimentos, o executivo ressaltou que a operação tem despertado o interesse de investidores de diversas regiões, incluindo grupos da Ásia, Europa e Brasil. O processo se mostra competitivo e a empresa mantém uma perspectiva otimista sobre o andamento das negociações.

Além disso, a CSN está próxima de finalizar uma operação financeira estruturada envolvendo seus ativos de cimento, o que pode impulsionar sua liquidez enquanto a venda está em curso. “Acreditamos que em poucos dias essa operação deve ser formalizada, trazendo benefícios financeiros tanto para a companhia quanto para os credores”, concluiu Rabelo.

Perspectivas de melhoria no mercado de aço

No segmento de siderurgia, que representa a atual situação da CSN, os executivos da empresa informaram que o setor começa a mostrar sinais de recuperação após um período de intensa pressão nos custos e aumento das importações. Segundo o diretor comercial da área de aço, Luis Martinez, os últimos anos foram especialmente desafiadores para a indústria. “A CSN enfrentou dificuldades significativas nesse período. Tivemos elevações nos custos, fomos atingidos por importações e precisávamos acompanhar o mercado para nos manter competitivos”, explicou.

Neste momento, a expectativa é que as condições para uma recuperação gradual das margens estejam sendo estabelecidas, especialmente com a previsão de diminuição das importações no mercado brasileiro.

Segundo a empresa, já se percebem sinais de elevação nos preços no mercado interno. Martinez declarou que a estratégia inicial tem sido a redução dos descontos comerciais antes de implementar aumentos nos preços praticados. “No primeiro trimestre, com a melhoria do mix e a diminuição dos descontos, devemos ver um impacto positivo nos preços realizados entre 4,5% e 6%”, afirmou.

Para os próximos trimestres, a expectativa é que as margens da siderurgia se recuperem para níveis mais altos. “Excluindo os efeitos não recorrentes, nossa margem Ebitda deverá estar entre 7,6% e 8%, superando a média do setor”, acrescentou.

Importações e medidas antidumping

A melhoria esperada pela CSN deve ocorrer com uma redução significativa das importações de aço ao longo de 2026, resultado da adoção de medidas de defesa comercial contra produtos estrangeiros. Martinez observou que parte do aumento nas importações registrado no início do ano está ligado à antecipação de compras antes da implementação das medidas antidumping. “O que observamos em janeiro e fevereiro foi uma antecipação das importações, especialmente antes das medidas de defesa comercial entrarem em vigor”, comentou.

A CSN liderou pedidos de investigação que resultaram em medidas antidumping para produtos de aço plano, como folhas metálicas, produtos pré-pintados, galvanizados e laminados a frio, que agora possuem tarifas adicionais por um período de até cinco anos. Tais medidas foram instauradas após o governo identificar práticas de dumping, com produtos estrangeiros sendo vendidos no Brasil a preços inferiores aos dos mercados de origem.

Para o restante do ano, a previsão é de queda nos volumes de importação. “Nossa projeção indica uma redução entre 1,5 milhão e 2 milhões de toneladas até 2026, especialmente para os produtos mais impactados pela competição externa”, finalizou Martinez, ressaltando que as ações de defesa comercial devem ajudar a equilibrar a concorrência no setor.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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