Venezuela denuncia ataque dos EUA como violação da Carta da ONU e ameaça à estabilidade da América Latina

(Imagem: Manaure Quintero/Bloomberg)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a realização de ataques militares na Venezuela no último sábado, dia 3, e anunciou a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, afirmando que ambos foram levados para fora do território venezuelano.

Os EUA têm alegado que Maduro conduz um “narcoestado” e que ele teria fraudado a eleição de 2024, a qual, segundo a oposição, foi vencida por eles de forma contundente. Maduro, que sucedeu Hugo Chávez e assumiu o poder em 2013, defendeu que o governo norte-americano tem o objetivo de tomar o controle das reservas de petróleo da Venezuela, que são as maiores do mundo.

Washington não realiza uma intervenção tão direta na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989, que teve como justificativa a deposição do líder militar Manuel Noriega devido a acusações similares.

Reação do governo venezuelano

O governo da Venezuela também confirmou a ocorrência dos ataques norte-americanos e, em um comunicado oficial, declarou que o ato dos EUA representa uma violação explícita da Carta das Nações Unidas. Esta declaração foi veiculada na televisão estatal venezuelana e atribuída a Maduro.

Nota oficial do governo da Venezuela

“A República Bolivariana da Venezuela rejeita, condena e denuncia perante a comunidade internacional a grave agressão militar perpetrada pelo atual Governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana nas áreas civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

Este ato constitui uma violação flagrante da Carta das Nações Unidas, particularmente dos artigos 1.º e 2.º, os quais consagram a necessidade de respeitar a soberania, a igualdade jurídica entre os Estados e a proibição do uso da força.

Essa agressão representa uma ameaça à paz e à estabilidade internacionais, especialmente na América Latina e no Caribe, colocando em risco a vida de milhões de pessoas.

O objetivo desse ataque é claro: confiscar os recursos estratégicos da Venezuela, particularmente seu petróleo e minerais, tentando, pela força, quebrar a independência política da nação.

Foi ativado o Estado de Comoção Externa após os bombardeios nas áreas civis e militares de Caracas, Miranda, Aragua e La Guaira. Isso está colocando em risco a vida de milhões de civis. Este momento não faz distinções políticas, sendo imperativo que haja uma unidade nacional, acima de quaisquer diferenças ideológicas. Neste instante, o nosso país e a nossa identidade estão ameaçados. A Venezuela que todos nós conhecemos e valorizamos deve ser defendida até as últimas consequências, como já fizemos antes.

Convocamos o povo venezuelano à luta armada, e todos devem se mobilizar. Mantenham-se informados pelo nosso sinal e pelas fontes oficiais, evitando assim a ansiedade e promovendo a calma e a paz diante desta situação.”

Busca por provas de vida de Maduro

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou que o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, é incerto após o ataque aéreo realizado pelos EUA em solo venezuelano.

De acordo com uma gravação transmitida pela televisão estatal no sábado, Rodríguez exigiu provas de vida tanto de Maduro quanto de Flores. Ela declarou: “Diante dessa situação brutal e deste ataque violento, não sabemos onde se encontram o presidente Nicolás Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores. Exigimos do governo do presidente Donald Trump provas de vida imediatas do presidente Maduro e da primeira-dama.”

As declarações e exigências foram apresentadas em meio a um clima de tensão e incerteza quanto ao futuro da liderança venezuelana após os fatos ocorridos.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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