Risco de Novas Políticas Monetárias nos Estados Unidos
O Fundo Verde expressou preocupações sobre a possibilidade de que o próximo presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, seja mais suscetível a interesses políticos. Na carta divulgada nesta terça-feira (9), a instituição advertiu que isso poderia resultar em taxas de juros reais e nominais que ficariam abaixo do que os fundamentos macroeconômicos do país indicam.
As observações do fundo, liderado por Luis Stuhlberger, ocorrem em um contexto em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está prestes a nomear o sucessor da atual autoridade monetária.
O mandato do atual presidente do Fed, Jerome Powell, se encerra em maio, e o mercado aguarda uma definição sobre o próximo nome para o cargo até o final do ano. “A política monetária do Federal Reserve tem sido um foco de discussão intensa, especialmente com o questionamento por parte de membros mais hawkish do comitê sobre até mesmo a possibilidade de um corte de juros na reunião de dezembro”, afirma a carta referente ao mês de novembro.
A decisão do Fed sobre a Fed Funds Rate, a taxa básica de juros norte-americana, será anunciada amanhã, com a expectativa predominante no mercado de que ocorra uma queda de 25 pontos-base na última reunião do ano.
“O chairman Powell e a parte mais dovish do comitê indicaram que devem realizar um corte de 25 pontos-base nesta reunião, porém possivelmente em troca de um comprometimento em não alterar a taxa por um período mais prolongado”, acrescenta a equipe do fundo.
Além das preocupações com uma política monetária mais acomodatícia nos Estados Unidos no próximo ano, o Fundo Verde observa que estímulos fiscais devem impulsionar a economia americana em 2026, promovendo um ritmo de crescimento superior ao do ano corrente.
“Considerando esse panorama, decidimos manter uma posição comprada em inflação e vender dólar no fundo”, conclui a carta.
Cenário Político Brasileiro Incerto
No que diz respeito ao Brasil, o fundo observou um mês de novembro favorável, mas notou mudanças de vento no início de dezembro.
“O cenário se alterou consideravelmente nos primeiros dias de dezembro, com o senador Flávio Bolsonaro anunciando sua candidatura à presidência e enfatizando a importância da família em liderar o campo à direita do espectro político nas próximas eleições”, afirma Stuhlberger.
O Fundo Verde analisa que o país enfrenta um “tabuleiro político bastante instável”. Esse cenário, aliado às recentes valorizações da Bolsa brasileira, levou a instituição a optar por uma exposição ao Brasil através de opções longas.
“Parece-nos que muitos participantes do mercado reconhecem o potencial de uma mudança política, mas, de maneira geral, o consenso — especialmente entre investidores estrangeiros — tende a subestimar os riscos de uma continuidade do atual governo”, observa a carta. “Preferimos alinhar nossa exposição ao potencial de valorização com uma proteção adequada para os cenários mais desfavoráveis, que, em nossa avaliação, estão mal precificados.”
O fundo aumentou sua exposição ao mercado de ações local por meio de estratégias de opções longas, enquanto manteve estáveis suas operações globais. Em relação à renda fixa no Brasil, o Fundo Verde manteve uma posição comprada em juros reais.
Fonte: www.moneytimes.com.br

