Proposta de Tarifa dos EUA e Seu Impacto na Economia Brasileira
A proposta do governo dos Estados Unidos de instituir uma tarifa adicional de 25% sobre uma parte dos produtos brasileiros deve ter um impacto limitado em relação à economia brasileira como um todo. No entanto, é possível que a medida cause efeitos mais significativos em setores específicos e em empresas que apresentam uma elevada dependência do mercado americano, conforme aponta a XP Investimentos.
Anúncio do Escritório do Representante Comercial dos EUA
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou na segunda-feira, dia 1º, uma determinação com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A proposta da tarifa extra de 25% abrange produtos brasileiros, e a consulta pública sobre a questão permanecerá aberta até o dia 1º de julho. A decisão final sobre a imposição da tarifa está prevista para ser anunciada até o dia 15 de julho.
Aumento das Tarifas e Efeitos sobre as Exportações
Caso a proposta seja implementada nas condições atuais, a tarifa efetiva média aplicada às exportações brasileiras aumentaria de 12,2% para 18,5%, resultando em um incremento de 6,25 pontos percentuais. No relatório assinado pela economista Luíza Pinese, a XP Investimentos sublinha que esta nova proposta representa mais um episódio da deterioração das relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Esta deterioração é marcada desde o início de 2025 por sucessivas elevações tarifárias que envolvem produtos como aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças.
Efeitos Agregados sobre a Economia Brasileira
Apesar do aumento das barreiras comerciais, a XP analisa que os efeitos agregados sobre a economia brasileira tendem a ser contidos. De acordo com a avaliação, os Estados Unidos responderam por 10,8% das exportações brasileiras, um percentual que se reduziu ao longo de 2025 após as imposições tarifárias anteriores. Além disso, a XP ressalta que as exportações brasileiras alcançaram níveis recordes no ano passado, mesmo com a diminuição do volume de embarques para os Estados Unidos, devido ao redirecionamento das vendas para mercados como a China e outros destinos.
Maioria das Exportações Não Será Afetada pela Nova Tarifa
A XP destaca que a proposta exclui uma parte relevante das exportações brasileiras. Em um total de US$ 37,7 bilhões exportados pelo Brasil para os Estados Unidos no ano de 2025, aproximadamente US$ 28,3 bilhões, correspondendo a 75% do total, estariam isentos da nova tarifa. Parte dessas exportações já se encontra sujeita às tarifas da Seção 232, motivo pelo qual foi excluída da Seção 301. Outro grupo significativo, que representa US$ 22,1 bilhões ou 58,5% das exportações bilaterais, também está isento da nova proposta.
Produtos Preservados na Nova Proposta
Entre os produtos que permaneceram isentos estão petróleo bruto e seus derivados, aeronaves e peças aeronáuticas, celulose química, minério de ferro, café, carne bovina, suco de laranja e fertilizantes. Segundo a XP, a tarifa adicional de 25% incidiria sobre aproximadamente US$ 9,4 bilhões a US$ 9,5 bilhões em exportações brasileiras, o que representa cerca de 25% do comércio bilateral entre os dois países.
Segmentos Mais Vulneráveis à Nova Tarifa
Conforme a avaliação da XP, os principais impactos dessa proposta devem se concentrar em segmentos específicos do mercado. O relatório aponta que o setor de máquinas pesadas para construção apresenta uma alta exposição ao mercado americano e pode ser um dos mais afetados, caso a medida avance.
Além disso, os produtos de madeira, como madeira perfilada e portas, são considerados estruturalmente mais vulneráveis, uma vez que haja uma forte dependência dos Estados Unidos como destino das exportações. Entre os itens que não foram incluídos nas isenções, estão carregadeiras, transformadores elétricos, bulldozers, produtos derivados de sebo bovino, niveladores, portas, madeiras processadas e alguns equipamentos utilizados na mineração e construção.
Fonte: www.moneytimes.com.br