Indústria é o setor mais prejudicado pela tarifa de 25%

Indústria é o setor mais prejudicado pela tarifa de 25%

by Fernanda Lima
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O governo dos Estados Unidos deu início, nesta segunda-feira (6), a audiências com representantes do setor produtivo para debater a aplicação de novas tarifas sobre produtos oriundos do Brasil. A proposta norte-americana sugere uma alíquota de 25% para algumas importações brasileiras, uma medida que, segundo a editora e analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto, teria um impacto significativo, especialmente sobre o setor industrial.

Impacto macroeconômico seria limitado

Lucinda Pinto analisa que, caso a tarifa de 25% venha a ser implementada, o efeito macroeconômico sobre o Brasil não deverá ser tão expressivo. A razão para isso é que apenas 10,8% de todas as exportações brasileiras têm como destino os Estados Unidos, e a nova tarifa atingiria apenas 31% desses produtos, o que representa aproximadamente US$ 11,7 bilhões.

“Essa tarifa específica de 25%, se for efetivamente aplicada, não deverá provocar um impacto macroeconômico tão relevante sobre o Brasil”, afirmou Lucinda Pinto. Produtos que têm grande importância na pauta exportadora brasileira, como petróleo, café, suco de laranja e carne, estariam excluídos da lista de produtos que seriam tarifados.

Os produtos-alvo da medida, na maioria, seriam os industrializados, destacando-se entre eles: madeira perfilada, sebo bovino, portas e caixilhos de madeira, mel natural, transformadores elétricos, além de espingardas e carabinas de caça. Aproximadamente metade dos itens incluídos na lista é classificada como produtos de alta tecnologia e com maior valor agregado.

Efeito microeconômico e regional mais acentuado

Embora o impacto macroeconômico seja considerado limitado, Lucinda ressalta que o setor industrial poderá sofrer efeitos significativos. Um estudo da consultoria Integra Associados aponta que as consequências variariam de acordo com a região do Brasil.

Estados como Santa Catarina, Alagoas e Paraíba, que são mais dependentes das exportações para os Estados Unidos, experimentariam os impactos de maneira mais intensa. Por outro lado, São Paulo, que exporta grandes volumes ao mercado norte-americano, demonstra um menor grau de dependência em relação a esse comércio.

Um dos fatores que agrava a situação das indústrias afetadas é a dificuldade de redirecionar rapidamente suas vendas para outros mercados. Diferentemente das commodities, que podem ser desviadas com relativa facilidade, os produtos industrializados de maior tecnologia muitas vezes são fabricados sob encomenda, prezando por atender a especificações técnicas de linhas de produção específicas.

“Uma máquina para uma indústria americana é solicitada para resolver um padrão específico daquela linha de produção. Portanto, não é viável redirecionar essa venda rapidamente para outro mercado”, explicou Lucinda Pinto.

A analista também destacou a falta de clareza sobre os reais objetivos do governo dos Estados Unidos quanto às ameaças tarifárias. Especialistas consultados indicam a expectativa de que a tarifa não seja aplicada em sua totalidade, ou seja, que não incida sobre todos os produtos incluídos na lista mencionada.

“Quando conversamos com os especialistas, parece que existe uma expectativa de que a tarifa não será aplicada, especialmente não de forma total”, afirmou Lucinda Pinto.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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