Aquisição de Terras pela SLC Agrícola
A compra de terras da Radar pela SLC Agrícola (código de ação SLCE3) é analisada pelo CEO Aurélio Pavinato, que destaca a lógica clara por trás da operação. A aquisição está fundamentada na compra de um ativo de alta qualidade a um preço inferior ao praticado no mercado. Pavinato menciona que a geração de caixa proveniente desse ativo será suficiente para amortizar o investimento ao longo do tempo.
Oportunidade em Tempo de Juros Elevados
Em entrevista ao Money Times, Pavinato enfatiza que esta operação representa uma oportunidade rara, mesmo em um cenário de altas taxas de juros e aumento do custo de capital. Segundo ele, ao avaliar a situação de forma individual, a operação se justifica financeiramente, já que a compra foi realizada a um preço vantajoso.
Necessidade de Venda da Radar
A Radar, controlada pela Cosan, precisava vender seus ativos por razões financeiras emergentes, o que acabou criando um ambiente favorável para negociações a valores abaixo do usual na região. Pavinato, embora não especifique o percentual do desconto, afirma que a aquisição foi feita a preços considerados atraentes para o longo prazo.
Considerações sobre Alavancagem
Durante a análise da aquisição, Pavinato ressalta que o aumento temporário da alavancagem não deve ser um fator decisivo. De acordo com o Bradesco BBI, a transação resultará em um aumento da alavancagem da SLC, passando de 0,8x Ebitda para 3,4x.
Estrutura da Negociação
Pavinato aponta que o modelo de negociação adotado foi distinto do tradicionalmente utilizado pela Radar. No Mato Grosso, havia três operadores: a SLC Agrícola, a Bom Futuro e Alexandre Bottan. O direito de preferência foi estendido a toda a área, e não apenas às fazendas individualmente administradas por cada empresa.
Direito de Preferência
Inicialmente, a SLC pretendia adquirir apenas a área que já cultivava, mas, tanto a companhia quanto a Bom Futuro, optaram por exercer o direito de preferência sobre o bloco completo. Pavinato observa que, caso os três operadores insistissem na compra total, a situação poderia resultar em uma disputa judicial.
Acordo Estratégico
Como solução para evitar conflitos legais, as empresas acordaram em manter os ativos considerados estratégicos. Alexandre Bottan manterá a operação de cerca de 1,5 mil hectares e adquirirá mais 2,5 mil hectares, que continuarão sendo cultivados pela SLC durante mais 16 anos. A Bom Futuro também preservou suas áreas cultiváveis e adquiriu extensões adjacentes.
A SLC Agrícola, por sua vez, garantiu preservar a maior parte da área estratégica, com um plano de transferência gradual de cerca de 6 mil hectares atualmente operados. Aproximadamente mil hectares serão entregues após a próxima colheita, enquanto os 5 mil hectares restantes permanecerão sob administração da SLC até 2030, de acordo com contratos em vigor.
Justificativa para a Área Reduzida
O presidente da SLC argumenta que a revisão da operação gerou confusões no mercado, pois a área total de 41,2 mil hectares incluía reservas legais. Assim, a superfície cultivável efetiva é de cerca de 28 mil hectares. A SLC, após o acordo, verá sua área própria reduzida para aproximadamente 11,5 mil hectares até 2030.
Pavinato esclarece que nunca houve interesse em adquirir a totalidade da propriedade, pois a área plantada pela SLC já é de qualidade superior. Ele observa que a questão do desembolso de caixa também foi um fator relevante nesta decisão.
Impacto na Composição das Terras
A aquisição, apesar de significativa, não alterará drasticamente o modelo operacional da SLC. Antes da operação, a companhia dispunha de aproximadamente 35% de áreas próprias e 65% arrendadas, proporções que, com a nova aquisição, subirão para cerca de 36,6% de áreas próprias.
Pavinato reafirma que a estratégia da empresa continua sendo a combinação de terras próprias com arrendadas, assegurando a sustentabilidade da operação para o futuro.
Fonte: www.moneytimes.com.br


