Mercados de Ações da Ásia-Pacífico em Queda
Os mercados de ações da região Ásia-Pacífico encerraram suas atividades em forte baixa nesta sexta-feira, dia 17, refletindo um dia caracterizado por um pessimismo generalizado entre os investidores. O movimento de aversão ao risco foi liderado pelas bolsas de valores em Taiwan, Japão e na China continental. Os mercados de Hong Kong e Austrália também apresentaram perdas, embora em menor intensidade. O principal indicador econômico do dia foi a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) da China para o segundo trimestre de 2023, que evidenciou uma desaceleração na maior economia da região, levantando preocupações sobre o ritmo da recuperação global.
Desempenho do PIB da China
Na China continental, os dados de crescimento econômico vieram abaixo das expectativas do mercado. O PIB chinês cresceu 4,5% no segundo trimestre de 2023 em comparação com o mesmo período do ano anterior, desacelerando em relação ao crescimento de 5,4% registrado nos três primeiros meses do ano. O resultado também ficou aquém da projeção de consenso, que indicava uma expansão de 4,8%. Essa leitura mais fraca reacendeu os temores sobre a demanda interna e a capacidade do país em manter sua trajetória de recuperação pós-pandemia.
Nesse cenário, investidores tendem a buscar ativos mais seguros, o que gera pressão adicional sobre as bolsas de valores locais e afeta o câmbio. O yuan, por exemplo, frequentemente se desvaloriza em relação ao dólar norte-americano em momentos de maior aversão ao risco. O índice Xangai Composto (XSHG:XSHG) apresentou uma queda de 3,05%, enquanto o Shenzhen Composto (XSHG:SZSC) registrou uma queda ainda mais acentuada de 5,25%.
Impacto no Japão
No Japão, o sentimento negativo foi intensificado por dados domésticos que também decepcionaram. O núcleo da inflação ao consumidor (CPI) de Tóquio, visto como um indicador antecedente dos preços no país, avançou 2,0% em junho na base anual. Este crescimento representa uma desaceleração em relação ao dado anterior de 2,2% e ficou ligeiramente abaixo da projeção do mercado, que era de 2,1%. O resultado sugere que as pressões inflacionárias podem estar perdendo força, o que, em tese, daria mais espaço para o Banco do Japão manter sua política monetária extremamente expansionista por um período mais prolongado. No entanto, em um dia de aversão global ao risco, o impacto positivo dessa notícia foi anulado pelo robusto movimento de venda de ações vinculadas à tecnologia e à inteligência artificial. O principal índice da bolsa de valores de Tóquio, o Nikkei 225 (DBI:NKY), recuou 4,03%.
Mercado de Hong Kong
Em Hong Kong, o mercado também registrou desempenho negativo, embora as perdas tenham sido menos severas do que em outros centros asiáticos. Apesar de não haver indicadores econômicos relevantes sendo divulgados na região administrativa especial naquele dia, a sensação negativa foi exacerbada pelo desempenho fraco das ações de tecnologia chinesas listadas na bolsa, que seguiram a tendência de queda observada nos seus pares norte-americanos na véspera. O índice Hang Seng (DOWI:HSI) fechou com uma queda de 1,78%.
Desempenho na Austrália
A bolsa de valores da Austrália também não escapou da influência do clima pessimista que dominou a região, embora com um viés mais moderado. O país não divulgou indicadores econômicos significativos nesta sexta-feira, mas o declínio das ações das mineradoras e dos grandes bancos, impulsionado pelas preocupações com a demanda global por commodities, impactou negativamente o índice de referência da bolsa de Sydney. O S&P/ASX 200 (ASX:XJO) encerrou o pregão com uma desvalorização de 0,50%.
Coreia do Sul e Feriado Local
A Coreia do Sul destacou-se como um ponto fora da curva nas negociações do dia, pois a bolsa de valores de Seul não operou em decorrência de um feriado local. O país tem demonstrado uma das maiores volatilidades nos últimos meses, devido à sua forte exposição ao setor de semicondutores e inteligência artificial, e ficou afastado de um dia que registrou uma liquidação generalizada desses papéis em toda a região.
Foco no Mercado Norte-Americano
Após o fechamento dos mercados asiáticos, os investidores começaram a direcionar suas atenções para os eventos e indicadores americanos programados para o restante do dia. Não estavam previstos, no entanto, indicadores econômicos relevantes a serem divulgados nos Estados Unidos após a conclusão do pregão na Ásia. Isso contribuiu para manter o foco nas declarações de membros do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, e na movimentação dos contratos futuros dos índices de Nova York, como o S&P 500 Futuro (CCOM:US500) e o Nasdaq Futuro (CCOM:US100). As flutuações desses contratos têm o potencial de influenciar o tom da abertura dos mercados europeus e norte-americanos.
Nova Zelândia e Índice de Preços ao Consumidor
Na outra parte da região, a Nova Zelândia divulgou o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) referente ao segundo trimestre, que apresentou uma desaceleração na inflação. O dado esteve em conformidade com as projeções do mercado; contudo, isso reforçou a expectativa de que o banco central do país esteja se preparando para iniciar um ciclo de flexibilização monetária em breve. Apesar disso, a divulgação não foi suficiente para conter as perdas no mercado de ações local, que seguiu a maré negativa de suas vizinhas australianas.
Fonte: br.-.com

