Serasa revela data para negociação de dívidas com descontos de até 99%

Endividamento das famílias atinge 82%, enquanto a inadimplência diminui.

by Rafael Martins
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Indicadores de Endividamento em Alta

Em julho, o indicador que mede a proporção de famílias endividadas, independentemente de estarem com dívidas em atraso ou não, alcançou 82%, representando o maior nível já registrado nos últimos seis meses consecutivos. Para comparação, em junho esse percentual era de 81,6%, enquanto em julho do ano passado o índice era de 78,5%.

No entanto, a parte das famílias que apresenta dívidas em atraso, o que é conhecido como inadimplência, apresentou uma leve queda, situando-se em 29,8% em julho. No mês anterior, esse número era de 29,9%, e há um ano, registrou-se 30%.

Além disso, o tempo médio necessário para o pagamento de contas em atraso foi de 64,6 dias em julho, sinalizando uma tendência de queda desde abril, quando se registrou um tempo médio de 65,1 dias.

Esses dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), que foi divulgada na quinta-feira (6) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O estudo abrange 18 mil famílias de diversas partes do país. Entre as dívidas consideradas estão aquelas referentes a cartão de crédito, cheque especial, carnês de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e prestações de veículos e imóveis.

Orçamento das Famílias Comprometido

A pesquisa revelou que, em média, as famílias estão destinando 29,5% de seu orçamento para o pagamento de dívidas. O tempo médio que as famílias permanecem endividadas é de 7,2 meses, um aumento em comparação aos 7,1 meses registrados um ano atrás.

A CNC destaca que ter dívidas não é, necessariamente, algo negativo em termos financeiros, visto que pode representar uma maneira de alocar recursos para o consumo, o que, por sua vez, pode impulsionar a economia em geral.

Entretanto, a entidade alerta que o nível de endividamento é preocupante quando as famílias começam a enfrentar dificuldades financeira para honrar seus compromissos de pagamento.

O levantamento também apontou que o cartão de crédito é o principal fator que leva ao endividamento, afetando mais de 85% das famílias devedoras. Confira a seguir a distribuição das dívidas:

  • Cartão de crédito: 85,3%
  • Carnês: 16,1%
  • Crédito pessoal: 13%
  • Financiamento de casa: 9,6%
  • Financiamento de carro: 9%
  • Crédito consignado: 7,1%
  • Cheque especial: 3,4%
  • Outras dívidas: 2,5%
  • Cheque pré-datado: 0,2%

Endividamento por Faixas de Renda

Os dados trazidos pela CNC mostram que a incidência de endividamento é maior nas famílias com rendas mais baixas. No caso das famílias que recebem até três salários mínimos, 84,9% estão endividadas. Por outro lado, entre aquelas com uma renda superior a dez salários mínimos, essa proporção cai para 72%.

Quanto à inadimplência, 38,5% das famílias com menores rendimentos enfrentam essa situação, ao passo que apenas 15,1% das famílias com rendas mais altas encontram-se nesta condição.

Redução da Taxa Selic

A pesquisa sobre endividamento foi divulgada no dia seguinte à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil (BC) de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, de 14,25% para 14% ao ano.

Os juros permanecem em níveis elevados com o objetivo de combater a inflação, já que taxas altas encarecem o crédito e, consequentemente, desestimulam o consumo.

Segundo Fabio Bentes, economista-chefe da CNC, a redução da taxa Selic representa um passo significativo para a melhoria das condições de crédito, embora os efeitos não sejam imediatos.

“A decisão de reduzir os juros básicos tende a contribuir para a diminuição do custo das novas operações de crédito e para a renegociação de dívidas em condições mais favoráveis”, afirma.

Fabio Bentes também observa que o “elevado comprometimento da renda” indica que a recuperação da capacidade de consumo das famílias ocorrerá de forma gradual.

Ele acrescenta que a continuação do processo de flexibilização monetária (ou seja, a queda das taxas de juros), sujeita ao comportamento da inflação, poderá ajudar a aliviar a situação financeira das famílias, especialmente aquelas com menor renda.

Projeções Futuras

A CNC projeta que o índice de endividamento das famílias deve continuar subindo nos próximos três meses, podendo chegar a 82,6% em setembro. Uma tendência semelhante é esperada para o percentual de inadimplentes, que deve encerrar setembro em 30,3%.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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