Após a Nvidia, quem mais pode se beneficiar da inteligência artificial? Gestores internacionais apontam as empresas "tradicionais".

Após a Nvidia, quem mais pode se beneficiar da inteligência artificial? Gestores internacionais apontam as empresas “tradicionais”.

by Rafael Martins
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Valorização das Empresas de Inteligência Artificial

A valorização das empresas de inteligência artificial (IA) levantou questionamentos sobre a possibilidade de se tratar de uma bolha. Após quatro anos de crescimento no setor, essa dúvida foi central em um debate realizado na Expert XP na quinta-feira (23). Os especialistas concordam que os investimentos em IA continuam fundamentados em aspectos robustos. No entanto, acreditam que as grandes empresas de tecnologia não serão mais os principais motores de valorização; esse papel pode ser ocupado por companhias mais tradicionais que consigam aumentar sua produtividade com o uso dessa tecnologia.

Pressão por Monetização

A preocupação do mercado atualmente se deslocou do preço das ações para o retorno dos investimentos bilionários realizados pelas gigantes da tecnologia. Laura Hovenstine, Diretora de Investimentos e Diretora-Geral da Wellington Management, destacou que as empresas mais bem preparadas no campo da inteligência artificial são aquelas que operam em várias etapas do processo, como computação em nuvem, semicondutores e modelos de linguagem. Essas organizações conseguem captar recursos ao identificar oportunidades de alto retorno financeiro, e não por enfrentarem problemas de geração de caixa.

"Estamos menos preocupados com valuations esticados e mais preocupados com os retornos desses investimentos", afirmou Hovenstine. Para ela, os hyperscalers estão bem posicionados pela sua presença em diversas áreas da inteligência artificial e pela capacidade de financiar investimentos significativos em infraestrutura.

Investimentos em IA: Ciclo Tecnológico ou Transformação Estrutural?

A discussão também abrange se os investimentos em inteligência artificial estão apenas representando mais um ciclo tecnológico ou se fazem parte de uma transformação estrutural na economia. Alastair Pang, diretor executivo da Morgan Stanley Investment Management, argumentou que o mercado ainda subestima esse aspecto fundamental. Ele comparou o crescimento da IA à difusão da eletricidade, ressaltando que, assim como a eletricidade tornou-se indispensável, a inteligência artificial pode substituir o trabalho humano, gerar novas receitas e criar valor econômico de forma duradoura.

Embora as empresas diretamente ligadas ao desenvolvimento da IA tenham sido as principais beneficiadas até agora, o cenário pode mudar significativamente nos próximos anos.

Próxima Onda de Valorização

Os gestores apontam que a próxima onda de valorização deverá favorecer empresas que não estão necessariamente no setor de tecnologia. Em especial, as empresas “menos atraentes”, que operam em setores de menor complexidade e margens menores, mas que podem oferecer alto retorno em termos de tratamento de dados. Laura mencionou bancos, logística e saúde como setores que têm potencial para aumentar sua eficiência por meio da inteligência artificial.

De acordo com Hovenstine, a adoção mais ampla da tecnologia deve possibilitar um aumento de produtividade e lucratividade nas empresas. Processos que envolvem intensa documentação, análise de dados e tarefas repetitivas são os mais certos a se beneficiarem. "As empresas menos atraentes podem se tornar as mais interessantes no futuro", indicou a gestora.

Retornos dos Investimentos em IA

Gina Martin Adams, da Morgan Stanley Investment Management, destacou que as instituições financeiras já estão começando a observar os retornos sobre os investimentos realizados em inteligência artificial. Ela defendeu a ideia de que "as empresas que estão construindo em torno da IA são as que mais se beneficiam". Na visão da especialista, os principais ganhos na próxima fase poderão surgir entre empresas tradicionais que incorporem a inteligência artificial em seus processos.

A Adoção Real da Tecnologia

Os gestores ainda discutiram se a atual onda de investimentos em inteligência artificial pode acabar reproduzindo ciclos típicos do setor de semicondutores, que são marcados por períodos de rápida expansão seguidos de superoferta. Alastair argumentou que, embora toda indústria de tecnologia possua algum grau de ciclicidade, a demanda por IA estaria em um ponto crítico. Perguntou quantas empresas realmente estão pagando por ferramentas de IA, adotando esses sistemas no dia a dia e até reavaliando seus processos de contratação. "Esse é o principal fator de crescimento daqui para frente", enfatizou.

Laura acrescentou que o setor de semicondutores já vinha se tornando menos dependente de ciclos econômicos antes mesmo do advento da inteligência artificial, impulsionado por tendências como veículos conectados, internet das coisas e computação em nuvem. Com o avanço da IA, essa característica se intensificou. Para ela, é atualmente mais apropriado considerar o setor como uma tendência estrutural de crescimento ao invés de um mercado puramente cíclico.

Gina concordou apenas em partes. Para a estrategista, o setor ainda enfrenta ciclos de investimento e ajustes na oferta; no entanto, esses movimentos devem ser mais longos e robustos do que os observados no passado.

Inteligência Artificial e Bolha

Durante o painel, o moderador, Diego Correia, sócio e líder de investimentos internacionais da XP Inc., levantou a questão sobre a possibilidade de estarmos diante de um mercado semelhante à bolha da internet em 1999.

Alastair Pang enfatizou que essa comparação não é válida. Ele apontou que o mercado atual está mais alinhado com 1997 do que com 1999, uma vez que a demanda por infraestrutura continua a crescer e supera a oferta. Além disso, empresas como a TSMC seguem percebendo uma forte demanda e ampliando suas capacidades de produção, um sinal contrário a um estágio final de ciclo ou a um excesso de capacidade.

Laura compartilhou uma avaliação semelhante. Durante a bolha das telecomunicações, muitos investimentos foram feitos antecipando uma demanda que ainda não existia. Ao contrário, no cenário atual, "temos mais demanda do que oferta", afirmou. Ela acredita que o setor está em uma fase inicial ou intermediária de expansão.

Gina identificou três diferenças em relação às bolhas anteriores. A primeira é que o mercado de IPOs está relativamente fraco, ao contrário do que ocorreu no final dos anos 1990. A segunda é que empresas que não são lucrativas não estão avaliadas a um prêmio sobre as empresas lucrativas, como aconteceu na bolha da internet. Finalmente, a valorização das ações está acompanhando o crescimento dos lucros corporativos. Embora o ritmo de crescimento dos resultados possa desacelerar nos próximos anos, o cenário atual demonstra diferenças marcantes em relação aos episódios clássicos de euforia do mercado.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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