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Por que a geração Z está adiando a aposentadoria? Compreenda as consequências dessa escolha.

by Rafael Martins
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A Geração Z e o Planejamento para Aposentadoria

Disciplina Financeira e Desafios

A geração Z, cuja definição mais comum abrange os nascidos entre 1997 e meados de 2010, demonstra uma maior disciplina financeira em comparação com gerações anteriores. Entretanto, ainda enfrenta dificuldades na formação de uma reserva destinada à aposentadoria.

Essa informação é ressaltada na mais recente edição do Raio X do Investidor Brasileiro, um estudo realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha. De acordo com a pesquisa, apenas 12% dos membros da geração Z já começaram a poupar para a aposentadoria. Em contrapartida, 66% afirmam que têm a intenção de iniciar esse planejamento em algum momento futuro.

Níveis de Inadimplência

Uma análise divulgada pelo Serasa, na edição de maio do Mapa da Inadimplência, indica que a geração Z apresenta taxas de inadimplência inferiores em relação aos jovens de faixas etárias mais avançadas. A faixa etária que compreende os indivíduos de 18 a 25 anos representa 11% do total de inadimplentes no Brasil, em comparação a 33,3% no grupo de 26 a 40 anos, 35,7% na faixa entre 41 e 60 anos e 20% naqueles com mais de 60 anos.

Apesar de apresentarem menores índices de inadimplência e superior controle sobre os gastos, os jovens da geração Z tendem a ver a aposentadoria como um planejamento distante e de longo prazo, que pode ser adiado em relação a outras prioridades financeiras mais imediatas.

Prioridades da Geração

De acordo com Rogério Nagamine Costanzi, doutor em economia e ex-subsecretário e ex-diretor do Regime Geral de Previdência Social, existe uma questão relacionada ao ciclo de vida. A maioria dos jovens, ao iniciar suas carreiras, prefere focar em prioridades imediatas, como a conclusão dos estudos, a conquista da independência financeira e o desenvolvimento profissional. Nesse cenário, a aposentadoria é percebida como um objetivo distante.

Mudanças nas prioridades da geração, que inclinam-se a valorizar experiências e questões ligadas à saúde mental e à qualidade de vida, juntamente com a instabilidade no emprego e os salários geralmente mais baixos no início da carreira, são fatores que podem contribuir para o adiamento dos planos de previdência entre os jovens.

Fábio Giambiagi, economista e especialista em finanças públicas e previdência social, reforça essa visão ao apontar que o imediatismo, um traço característico da sociedade contemporânea, combinado com dificuldades em visualizar o longo prazo e a realidade de salários menores no início de sua trajetória profissional, leva muitos jovens a procrastinar o planejamento de sua aposentadoria.

Consequências do Adiamento

Esse conjunto de variáveis resulta em um adiamento no planejamento da aposentadoria por parte dos jovens. Contudo, essa decisão de postergar pode acarretar problemas financeiros a longo prazo. Giambiagi destaca a importância de contribuir o quanto antes, afirmando que, ao iniciar contribuições aos 20 anos, o indivíduo terá 45 anos de contribuições, considerando uma aposentadoria aos 65 anos para homens e 62 anos para mulheres. Por outro lado, se alguém aguarda até os 30 anos para iniciar as contribuições, o valor necessário aumenta consideravelmente.

Giambiagi complementa que a demora em iniciar o planejamento financeiro pode ser ainda mais onerosa se a iniciação ocorrer aos 40 anos.

O Desafio da Previdência

A aposentadoria está fortemente associada ao sistema de Previdência Social brasileiro, que é administrado pela União e gerido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Contudo, as condições estabelecidas pela Reforma da Previdência de 2019, juntamente com a noção de uma possível crise do sistema previdenciário brasileiro, levam muitos jovens a duvidar da viabilidade de se aposentarem no futuro.

João Badari, advogado previdenciário do Instituto de Estudos Previdenciários (IEPREV), discorre sobre as implicações da Reforma de 2019, que elevou a idade mínima para aposentadoria, aumentou o tempo de contribuição em diversas situações e alterou a forma de cálculo dos benefícios. Estas mudanças podem resultar em aposentadorias menores para aqueles que não se planejam adequadamente, o que torna o planejamento previdenciário ainda mais crucial, especialmente para os jovens.

Segundo Badari, é fundamental que os jovens adotem um planejamento proativo, que inclua tanto a contribuição para a Previdência Social quanto a formação de um complemento por meio de investimentos e de previdência privada, levando em consideração a realidade financeira de cada um.

Situação dos Informais e MEIs

Neste contexto, a questão do planejamento previdenciário assume uma característica ainda mais relevante para aqueles que trabalham na informalidade ou são Microempreendedores Individuais (MEIs), pois esses indivíduos podem se encontrar desprotegidos em situações de acidente ou incapacidade de trabalho.

Os especialistas concordam que o envelhecimento da população brasileira pressiona o sistema de Previdência Social. Algumas mudanças podem ser implementadas nos próximos anos, mas não há previsões que indiquem uma "quebra" total do sistema.

Badari observa que ajustes devem ser discutidos nos próximos anos, embora isso não implique, necessariamente, em uma reforma profunda, como a de 2019. Em vista dessa incerteza, a importância de iniciar o planejamento para a aposentadoria de forma antecipada se torna ainda mais evidente.

Giambiagi alerta que é um equívoco crer que o Estado não será capaz de pagar os aposentados no futuro. Essa possibilidade não se concretizará, uma vez que um colapso do sistema levaria à queda do governo. Contudo, ele ressalta que é diferente afirmar que as condições serão as mesmas que as atuais. É plausível que, em situações críticas, como já ocorreu em países como Grécia e Argentina, os benefícios possam ser reduzidos.

Recomendações de Investimento

Especialistas recomendam que a geração Z que busca economizar para a aposentadoria elabore um planejamento antecipado e diversifique seus investimentos. Isso deve incluir uma combinação do suporte social fornecido pelo sistema previdenciário brasileiro com opções que oferecem maior rentabilidade no longo prazo através de ativos privados.

Badari sugere que o ideal é integrar a proteção da Previdência Social com a criação de uma reserva financeira ou uma previdência complementar. Essa estratégia permite ao trabalhador reduzir a dependência de possíveis alterações legislativas futuras e obter maior segurança financeira.

Uma alternativa disponível no Tesouro Direto são as modalidades Tesouro Reserva e Tesouro RendA+, voltadas para a construção de uma renda mensal a ser recebida na aposentadoria. Enquanto o Tesouro Reserva oferece uma rentabilidade equivalente a 100% da taxa Selic, sendo mais apropriado para a criação de uma reserva de emergência, o RendA+ é indicado para aqueles que desejam complementar a aposentadoria a partir dos pagamentos realizados pelo INSS.

O RendA+ gera um retorno real acima da inflação e possibilita que o planejamento de longo prazo comece com aportes mensais relativamente baixos. O investidor realiza investimentos durante a “fase de acumulação” e, após essa etapa, passa a receber pagamentos mensais durante um período de 240 parcelas (20 anos). Os detalhes sobre aportes mensais e rendimento podem ser conferidos na calculadora do RendA+, disponível no site do Tesouro Direto.

Costanzi enfatiza que, diante da expectativa de uma possível diminuição na generosidade dos benefícios dos regimes obrigatórios, a importância da previdência complementar e de investimentos de longo prazo se torna cada vez mais crítica. O ideal, conforme ele recomenda, é que o planejamento para a aposentadoria inicie o mais cedo possível, ao longo da carreira profissional. Procrastinar face a essas questões financeiras pode resultar em insegurança no futuro.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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