A Importância do Crédito na Vida Financeira do Brasileiro
Tido como um dos pilares fundamentais da vida financeira do brasileiro, o crédito é amplamente utilizado para o acesso ao consumo, emergências e imprevistos. Além disso, o crédito é utilizado para a realização de sonhos de longo prazo, como a aquisição de uma casa ou um automóvel. Modalidades como cartão de crédito, empréstimo e financiamento são algumas das principais opções que as pessoas adotam ao considerarem a compra de um bem ou ao buscarem um alívio financeiro momentâneo. Existem, entretanto, estratégias que podem ser implementadas para manter as finanças saudáveis e evitar o endividamento.
Planejamento de Gastos
É recomendado que as pessoas fiquem atentas aos prós e contras de cada uma dessas alternativas. O planejamento de gastos, que inclui a definição das prioridades de curto, médio e longo prazo, é um aliado importantíssimo no processo financeiro. Por exemplo, um empréstimo consignado pode funcionar de maneira eficaz em momentos em que é necessário equilibrar as contas e eliminar dívidas, especialmente aquelas associadas a juros mais altos, como cartão de crédito e empréstimo pessoal.
Para os indivíduos que possuem um objetivo de longo prazo, como a compra de um carro ou de um imóvel, o financiamento pode ser uma opção vantajosa. Isso ocorre porque essa modalidade possibilita o parcelamento a longo prazo de um bem de alto custo, que, de outra forma, poderia ser inacessível ou prejudicial ao equilíbrio financeiro.
Em relação ao cartão de crédito, ele surge como uma boa alternativa para gastos pontuais no curto prazo e para aquisições planejadas de itens como eletrodomésticos, móveis e eletrônicos. Essa forma de crédito apresenta diversas vantagens, como a acumulação de pontos, cashback e outros benefícios, embora seja fundamental estar sempre atento aos juros do parcelamento.
Adequação do Crédito ao Objetivo
Embora as modalidades de crédito apresentem vantagens, é importante notar que o crédito também pode ser um fator que pressiona o pagamento das contas. Isso ocorre tanto pela falta de planejamento em relação ao pagamento das parcelas quanto pelas altas taxas de juros.
Recentemente, o montante de crédito em atraso atingiu o recorde de R$ 247,6 bilhões nos primeiros quatro meses de 2026, conforme um levantamento realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). Este cenário é atribuído a fatores como o patamar elevado da taxa Selic, que atualmente está em 14,25%, juntamente com a inflação, que é pressionada por situações globais, como a guerra no Oriente Médio, e também pelo problema crescente das casas de apostas, que vêm prejudicando a economia de muitas famílias brasileiras.
Analistas destacam que o principal aspecto a ser considerado ao optar por modalidades de crédito são as prioridades e objetivos de cada consumidor. Ao avaliar essas questões, cada indivíduo pode identificar qual tipo de crédito se adequa melhor à sua situação financeira.
Guilherme Baía, planejador financeiro, comenta: “Avaliar a necessidade do gasto, o momento e o item a ser adquirido é essencial. A partir daí, é possível definir a forma de pagamento. Sem essa reflexão, a chance de erro, mesmo que seja pagar mais caro, é grande.”
Baía ressalta que é importante ter em mente o fluxo de caixa antes de qualquer decisão relacionada ao crédito. O uso de crédito para cobrir déficits nas contas pode intensificar o desequilíbrio financeiro e levar ao endividamento.
Ele questiona: “Será que a falta de dinheiro para o pagamento é circunstancial, como um acidente ou uma emergência? Ou é resultado de uma falta de planejamento? Sem recursos para arcar com o gasto, como se fará para pagar pelo crédito—que geralmente é mais caro que a despesa original?”
O Cartão de Crédito Como Vilão?
O cartão de crédito é frequentemente visto como um dos principais responsáveis pelo constrangimento orçamentário das famílias. Porém, ele pode também representar uma solução em situações de emergência e para gastos pontuais. No entanto, em diversos casos, esse meio de pagamento pode transformar-se em um problema sério para as finanças.
A prática do consumo impulsivo, a falta de planejamento dos gastos e o pagamento parcial da fatura do cartão podem rapidamente levar a um aumento significativo da dívida. Isso ocorre em questão de meses, devido aos altos juros associados ao crédito rotativo, uma das modalidades de empréstimo mais onerosas disponíveis no mercado.
Izabel Rocha, economista e CEO da Transformasie – Inteligência Financeira, observa: “As taxas do cartão são muito altas, mesmo com o limite imposto pelo Banco Central (BC), que permite que a dívida atinja até 100% do valor original”.
Por outro lado, Baía acredita que o cartão de crédito não deve ser encarado como um vilão por si só. Ele pode trazer vantagens se utilizado de forma consciente e planejada. “O cartão e os juros não podem ser considerados os vilões das finanças. Toda ferramenta, se mal utilizada, pode prejudicar quem a utiliza. Contudo, o crédito pode ser um aliado e oferecer vantagens, desde que seja bem utilizado”, afirma Baía.
Importância do Custo Efetivo Total (CET)
Um aspecto essencial no manejo do crédito se refere ao Custo Efetivo Total (CET) em operações de empréstimos e financiamentos. O CET indica a quantia total que o cliente pagará pela operação de crédito em questão. Ele inclui a taxa de juros nominal, encargos contratuais e tributos, como o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Esse indicador se torna crucial no planejamento do crédito, incluindo a definição das parcelas e do tempo necessário para o pagamento do crédito adquirido. Além disso, o CET permite ao consumidor comparar ofertas de crédito, como um empréstimo consignado, de diferentes instituições financeiras, ajudando no planejamento das finanças de longo prazo e na mitigação do risco de inadimplência.
Baía complementa: “As informações mais relevantes ao definir a contratação incluem o CET, como a melhor forma de comparação, o prazo do financiamento, a forma de cobrança dos juros – se são pré ou pós-fixados – e o valor total da parcela periódica”.
Adicionalmente, é fundamental que os consumidores estejam atentos às taxas de juros, para evitar equívocos, como a contratação de parcelas que, a princípio, parecem caber no orçamento, mas que a longo prazo podem comprometer severamente a situação financeira das pessoas.
“Em determinadas linhas de crédito, a taxa de juros pode ser bastante elevada. Entretanto, muitas vezes, as pessoas não têm conhecimento dessa questão. Minha recomendação é sempre elaborar um orçamento e observar os gastos periódicos para evitar excessos”, finaliza Izabel Rocha.
Fonte: borainvestir.b3.com.br


