Na agenda econômica desta quarta-feira, dia 17, serão divulgados também os dados referentes ao Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10). Além disso, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participará de um seminário sobre questões fiscais. O crescimento das discussões políticas é um ponto central nesta semana, especialmente após a Câmara dos Deputados aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que assegura a imunidade parlamentar contra processos judiciais. Também está em pauta o debate sobre a anistia para os condenados por tentativas de golpe de Estado.
No cenário internacional, ainda serão anunciados indicadores relacionados ao número de construções de moradias iniciadas e os estoques de petróleo nos Estados Unidos.
Ibovespa hoje: os assuntos que norteiam o mercado nesta Superquarta, dia 17
Copom e Fed: o que esperar das decisões de juros?
Os investidores estão atentos a mais uma Superquarta, que é um dia em que os bancos centrais tanto dos Estados Unidos quanto do Brasil costumam anunciar suas decisões sobre política monetária.
O Federal Reserve (Fed) deverá, segundo os analistas de mercado, realizar o primeiro corte de juros desde dezembro de 2024. A expectativa é de que o banco central americano reduza a taxa em 0,25 ponto percentual, ajustando-a para um intervalo que vai de 4% a 4,25%.
No Brasil, a expectativa é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantenha a Selic em 15% ao ano durante a reunião programada para hoje, de acordo com informações do Projeções Broadcast. O mercado considera as indicações feitas pela autoridade monetária de que a taxa básica de juros deve permanecer elevada por um “período prolongado”. Contudo, há um debate em curso entre analistas sobre a duração exata desse período prolongado.
O Fed anunciará sua decisão sobre os juros nos Estados Unidos às 15h, seguida de uma coletiva de imprensa liderada pelo presidente da instituição, Jerome Powell. O Copom, por sua vez, divulgará sua decisão sobre a política monetária no final da tarde.
Bolsas globais mostram cautela à espera do Fed
Os mercados operam com um clima de cautela, mesmo com a expectativa geral de que o Fed irá promover o corte na taxa de juros. Essa hesitação é influenciada por sinais recentes de fraqueza no mercado de trabalho americano.
A dúvida que permeia o mercado é se Jerome Powell fornecerá pistas sobre os passos futuros da política monetária americana, em um momento em que enfrenta forte pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por cortes adicionais nas taxas de juros.
Os índices futuros de ações de Nova York estão operando próximos da estabilidade, enquanto os rendimentos dos Treasuries, que são os títulos da dívida dos Estados Unidos, estão caindo pela terceira sessão consecutiva. Além disso, o dólar hoje está apresentando uma leve recuperação frente a moedas de países considerados fortes.
Na Europa, a atenção volta-se para a decisão do Banco da Inglaterra que ocorrerá na quinta-feira, dia 18. Recentemente, a inflação ao consumidor no Reino Unido foi calculada em 3,8% em agosto, em conformidade com as expectativas, mas ainda acima da meta de 2% estabelecida pelo Banco da Inglaterra. Por outro lado, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) na zona do euro ficou em 2% no mês passado, o que está dentro da meta estipulada pelo Banco Central Europeu (BCE).
Popularidade do governo Lula ainda enfrenta desaprovação
A aprovação do governo Lula permaneceu estável no mês de setembro, conforme indica uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira. Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados desaprovam a gestão, em contraste com 46% que aprovam e 3% que não souberam ou não responderam, proporções que se mantiveram inalteradas em comparação ao mês anterior.
A pesquisa também revelou que 50% dos participantes acreditam que o governo de Lula está pior do que esperavam, comparado a 45% registrado em maio. Somente 21% afirmaram que está melhor, um incremento em relação aos 16% do levantamento passado. Para 2% dos entrevistados, a situação é incerta, um pequeno decréscimo em relação aos 3% observados anteriormente.
Por fim, a amostra revela que a maioria dos brasileiros expressa suporte à postura do presidente Lula em relação a questões de política internacional. O estudo mostra que 64% consideram que o governo acerta ao defender a soberania nacional contra as imposições do presidente Trump, que implementou tarifas contra o Brasil. Por outro lado, 26% acreditam que Lula está errando, e 10% não souberam ou não responderam.
Commodities em queda: veja o impacto nos ADRs de Vale e Petrobras
Os contratos futuros de petróleo apresentam baixa moderada após acumular ganhos nas três sessões anteriores. Nesta manhã, o barril do petróleo WTI para outubro estava em queda de 0,68%, cotado a US$ 64,08, enquanto o barril do Brent para novembro recuava 0,46%, a US$ 68,01.
No que diz respeito às commodities de hoje, o minério de ferro na Dalian Commodity Exchange, na China, para janeiro de 2026, fechou com uma diminuição de 0,12%, sendo cotado a 804,5 yuans por tonelada, o que equivale a US$ 113,07.
Os American Depositary Receipts (ADRs), que são recibos que possibilitam a investidores adquirir, nos Estados Unidos, ações de empresas não americanas, de Vale (VALE3) apresentavam queda de 0,55% no pré-mercado de Nova York nesta manhã. Por sua vez, os ADRs de Petrobras (PETR3; PETR4) mostravam recuo de 0,31%.
Superquarta: o que esperar do Ibovespa hoje?
Os ativos brasileiros podem experimentar uma perda do otimismo que se manifestou nas últimas semanas, especialmente por conta das expectativas em relação ao corte de juros nos Estados Unidos. Além disso, continua no radar a possível candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, e a desaprovação do governo do presidente Lula.
O Índice Bovespa pode passar por um processo de realização de lucros. No dia anterior, o indicador da B3 atingiu uma nova máxima, fechando em 144.061,74 pontos, enquanto o dólar encerrou abaixo da marca de R$ 5,30, pressionando assim os juros futuros.
Apesar da possibilidade de correção, a queda nos rendimentos dos EUA pode provocar um novo recuo das taxas de juros futuras no Brasil. Entretanto, os riscos políticos permanecem sob vigilância, e a recuperação do dólar no exterior pode influenciar o mercado brasileiro.
Essas e outras informações relevantes do dia são observadas de perto pelos investidores, pois podem impactar diretamente as negociações no mercado de ações brasileiro e, consequentemente, o índice Ibovespa.

