Os investimentos em IA estão impulsionando a economia, enquanto muitas empresas estão em modo de sobrevivência.

Os investimentos em IA estão impulsionando a economia, enquanto muitas empresas estão em modo de sobrevivência.

by Patrícia Moreira
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Desafios da Economia Real

Situação de Cameron Pappas

Cameron Pappas, proprietário da Norton’s Florist, localizada em Birmingham, Alabama, percebe que a ascensão da inteligência artificial está distante de sua realidade. Enquanto empresas como Nvidia, Alphabet e Broadcom se destacam nas bolsas de valores, elevando os índices financeiros, Pappas observa uma economia real que está longe de Wall Street e Silicon Valley.

Pequenos negócios como a Norton’s, assim como empresas de diversos setores, enfrentam dificuldades devido ao aumento dos custos gerados pelas tarifas amplas implementadas durante a administração Trump. Além disso, a diminuição do consumo é um fator que tem afetado suas vendas.

"Estamos monitorando todos os nossos custos com muita atenção", comentou Pappas em entrevista à CNBC.

Operações e Criação de Valor

No ano anterior, a Norton’s gerou uma receita de 4 milhões de dólares, comercializando flores, plantas e presentes para o público local. Para evitar um aumento nos preços que poderia levar à perda de clientes, Pappas foi obrigado a ser criativo e reestruturar algumas de suas composições florais. Ele explicou: "Se um buquê tem 25 talos, reduzindo isso em três ou quatro talos, conseguimos manter o preço".

Setor de IA vs. Realidade do Mercado

As histórias de Pappas e outros empresários similares são ofuscadas pelos dados macroeconômicos impulsionados pela inteligência artificial. Um relatório de setembro do JPMorgan Chase aponta que os gastos relacionados à IA contribuíram com 1,1% para o crescimento do PIB no primeiro semestre do ano. Esse investimento superou os gastos dos consumidores nos Estados Unidos.

O aumento do PIB dos EUA foi de 3,8% no segundo trimestre de 2025, após uma queda de 0,5% no primeiro trimestre, conforme divulgado pelo Departamento de Comércio.

Entretanto, o setor de manufatura tem enfrentado queda em seus gastos por sete meses consecutivos, de acordo com o Instituto de Gestão de Suprimentos. Os investimentos em construção também permaneceram estáveis ou em baixa, devido às altas taxas de juros e o aumento dos custos. Um relatório da Cushman & Wakefield indicou que os custos totais de projetos de construção no quarto trimestre terão um aumento de 4,6% em relação ao ano anterior, devido às tarifas sobre materiais de construção.

Desconexão no Mercado de Ações

A bolsa de valores exibe uma desconexão semelhante entre a inteligência artificial e o restante da economia. Atualmente, oito empresas de tecnologia são avaliadas em mais de 1 trilhão de dólares, todas, em diferentes graus, ligadas à inteligência artificial. Essas empresas — Nvidia, Microsoft, Apple, Alphabet, Amazon, Meta, Tesla e Broadcom — representam cerca de 37% do S&P 500, com a Nvidia, por exemplo, valendo 4,5 trilhões de dólares, sozinha, o que equivale a mais de 7% do valor do benchmark.

Os investidores estão entusiasmados com os enormes investimentos em infraestrutura de IA. As ações da Broadcom subiram mais de 50% neste ano, após mais do que dobrar nos dois anos anteriores. Nvidia e Alphabet, por sua vez, apresentaram aumentos próximos a 40% em 2025.

Dessa forma, o S&P 500 e o Nasdaq subiram 15% e 20%, respectivamente, atingindo recordes históricos na última sexta-feira, mesmo diante de uma paralisação do governo que continua a causar preocupação econômica.

Entretanto, os subgrupos do S&P 500 que incluem empresas de consumo discrecionário e de produtos básicos aumentaram menos de 5% até o momento.

Sinais Preocupantes no Mercado de Consumidores

Na última quinta-feira, surgiu mais um sinal preocupante no mercado, quando o Target anunciou cortes de 1.800 postos de trabalho corporativos — a primeira grande rodada de demissões em uma década. As ações do Target caíram 30% este ano.

Arun Sundararajan, professor da Stern School of Business da Universidade de Nova York, comentou à CNBC: "A afirmação de que a economia de IA está elevando os números do PIB é correta. Pode haver fraquezas no restante da economia, ou não fraquezas, mas um crescimento mais modesto é esperado".

Nos próximos dias, investidores estarão atentos a informações sobre IA, durante o período mais movimentado do trimestre para os resultados do setor tecnológico. Empresas como Meta, Microsoft e Alphabet apresentarão seus resultados na quarta-feira, seguidas por Apple e Amazon na quinta-feira.

Gestão de Preços de Tarifas

Desafios para Pequenos Comerciantes Locais

A grande maioria dos pequenos proprietários de negócios apenas se informa sobre a corrida pela inteligência artificial por meio das manchetes dos jornais. De acordo com uma pesquisa da KeyBank realizada em setembro, um em cada quatro proprietários de pequenas empresas se encontra em "modo de sobrevivência", enfrentando desafios associados ao aumento dos custos e às tarifas, setor que costuma representar cerca de 40% do PIB nacional.

O comércio floral de Pappas foi fundado em 1921 e comprado por seu pai em 2002. A empresa já superou a Grande Depressão, a Segunda Guerra Mundial e a pandemia de Covid-19. Pappas mencionou que seu pai, que faleceu em 2022, sempre lembrava que esses períodos difíceis eram apenas "mais uma temporada" para a Norton’s, e que tais desafios fazem parte do trabalho.

Impacto das Tarifas

Entretanto, as tarifas impostas pela administração Trump criaram um conjunto completamente novo de limitações. Aproximadamente 80% de todas as flores cortadas nos Estados Unidos são importadas de países como Colômbia e Equador, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

A Norton’s não pode evitar o aumento dos custos de importação; porém, Pappas começou a adquirir flores diretamente de produtores sul-americanos, alternativa que reduz custos em comparação com a compra por meio de distribuidores que cobram preços a mais.

Pappas descreveu essa estratégia como parte de seu esforço de "gestão de preços de tarifas".

Custos Impostos aos Consumidores

As tarifas impostas por Trump custarão mais de 1,2 trilhões de dólares aos negócios globais este ano, e a maior parte desses custos está sendo repassada aos consumidores, conforme indicado pela S&P Global.

Com o Natal se aproximando, o sentimento do consumidor é especialmente relevante. A perspectiva é sombria. A pesquisa realizada pela Deloitte revelou que 57% dos consumidores dos EUA esperam que a economia enfraqueça no próximo ano, um aumento em relação a 30% do ano passado. Este é o pior panorama desde que a consultoria começou a acompanhar o sentimento em 1997.

Os consumidores da geração Z, definidos entre 18 e 28 anos, indicaram que planejavam gastar em média 34% a menos nesta temporada de festas em comparação ao ano anterior. Para os millennials, com idades entre 29 e 44 anos, a expectativa de gasto é uma média de 13% menor.

Além disso, as contratações sazonais no setor de varejo devem cair para o nível mais baixo desde a recessão de 2009, segundo um relatório de setembro da empresa de recolocação Challenger, Gray & Christmas. Um outro estudo publicado recentemente pela empresa mostrou que as novas contratações nos EUA totalizaram pouco menos de 205.000 neste ano, uma queda de 58% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Demissões em Grande Escala

Recentemente, a Starbucks anunciou um plano de reestruturação no valor de 1 bilhão de dólares, que envolve o fechamento de várias lojas na América do Norte. Aproximadamente 900 funcionários não relacionados ao varejo foram demitidos como parte desse plano, além de outros 1.100 trabalhadores corporativos dispensados no início do ano. As ações da Starbucks caíram cerca de 6% neste ano.

As ações da Wyndham Hotels & Resorts também sofreram uma queda na última quinta-feira, depois que a rede hoteleira anunciou resultados desanimadores no terceiro trimestre. O CEO Geoff Ballotti mencionou um "cenário macroeconômico desafiador" no comunicado de resultados da companhia. O valor das ações caiu aproximadamente 25% até o momento no ano.

Notícias no Setor de Tecnologia

Mesmo nos setores de tecnologia que mais se beneficiaram da ascensão da IA, algumas empresas têm realizado demissões. A Microsoft anunciou planos para eliminar cerca de 9.000 postos de trabalho em julho, uma decisão que foi parcialmente atribuída à redução de camadas de gestão. A Salesforce é uma das várias companhias do setor que também anunciou cortes, afirmando que a IA pode agora realizar tarefas anteriormente executadas por humanos.

Contudo, Hatim Rahman, professor associado especialista em IA na Kellogg School of Management da Universidade Northwestern, advertiu que muitas empresas que estão utilizando a IA em busca de eficiência não verão resultados instantaneamente. Portanto, as companhias não podem contar com a tecnologia para compensar a queda de receitas. Rahman assinalou que "o caminho para o futuro será cheio de desafios."

Ele concluiu: "A IA não é uma solução simples. Para muitas organizações, envolver pessoas, processos, cultura e ferramentas será fundamental para colher os benefícios, e esse processo levará tempo."

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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