Americanos continuam a pagar mais pelo café, mesmo após redução das tarifas de Trump

Americanos continuam a pagar mais pelo café, mesmo após redução das tarifas de Trump

by Ricardo Almeida
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Price of Coffee in the U.S. Expected to Stabilize, But Significant Drops May Take Time

Aos apreciadores de café nos Estados Unidos, a espera por uma diminuição rápida nos custos desse produto, após os recuos tarifários promovidos pelo presidente Donald Trump no mês passado, pode ser em vão. Segundo informações de corretores e especialistas do setor, as tarifas de importação impostas ao longo do verão, que afetaram principalmente grandes produtores de café como o Brasil, elevaram significativamente o preço dos grãos crus. Entretanto, esses custos adicionais ainda estão sendo incorporados nas cadeias de suprimento, e, portanto, não alcançaram os consumidores de forma imediata.

Implicações das Tarifas e Escassez de Oferta

Os altos preços do café no varejo nos Estados Unidos são, em essência, resultantes de uma severa escassez de grãos ocorrida no ano passado. Essa falta de oferta ocasionou uma duplicação do preço dos grãos crus nos 12 meses que culminaram em março. Christopher Feran, analista independente de café, afirma: “A maior parte dos aumentos de preços no varejo que observamos até agora não estão diretamente relacionados às tarifas. Eles estão, na verdade, associados às condições excepcionais do mercado de grãos crus que vivemos desde o ano passado”.

Vale ressaltar que a estimativa de especialistas do setor indica que leva, em média, pelo menos nove meses para que as oscilações nos preços dos grãos crus cheguem aos consumidores finais. Tais fatores incluem o tempo necessário para a torrefação e negociações de preços. Assim, é possível que uma desaceleração nas tarifas se reflita nos preços ao consumidor apenas no próximo ano.

Dificuldades no Controle da Inflação

Os consumidores de café, que compõem o maior mercado desse produto no mundo, deverá acostumar-se com preços mais elevados por um período prolongado. Para a administração da Casa Branca, existe um considerável desafio em tentar conter a inflação nos preços dos alimentos, especialmente com as eleições legislativas de meio de mandato se aproximando, programadas para novembro de 2026.

Pressionado após vitórias democratas nas eleições de Nova Jersey, Nova York e Virgínia, que revelaram a insatisfação dos eleitores com a escalada dos preços dos alimentos, Trump decidiu reduzir as tarifas “recíprocas” que variavam entre 10% e 41% sobre mais de 200 produtos alimentícios que não são facilmente cultivados nos Estados Unidos, incluindo o café. Adicionalmente, o presidente isentou os alimentos não nativos de uma tarifa suplementar de 40% sobre importações do Brasil, que fornece cerca de um terço dos grãos consumidos nos Estados Unidos.

A Escalada e o Que Esperar

Os preços dos grãos crus representam pelo menos 40% do custo de produção de um pacote de café torrado e moído. O aumento acentuado desses preços, verificado no ano passado, foi resultado de três safras consecutivas com déficit de produção, exacerbadas por condições climáticas desfavoráveis.

A maioria dos especialistas projeta um superávit na produção de café nas atuais e próximas safras de 2025/26 e 2026/27, que se estendem de outubro a setembro. Esse superávit, associado à remoção das tarifas, deve aliviar os preços dos grãos crus e, consequentemente, influenciar o mercado dos consumidores nos Estados Unidos. Contudo, essa transição requer tempo, dado que os torrefadores nos Estados Unidos costumam manter estoques equivalentes a dois ou três meses e necessitam de um período adicional de dois a três meses para torrar e embalar seus produtos.

A negociação de preços entre os torrefadores e os varejistas, que costuma ocorrer trimestralmente, também impacta essa dinâmica. Em suma, uma parte reduzida do aumento de 18,8% nos preços de café no varejo nos Estados Unidos, em um ano até novembro, pode ser creditada às tarifas. O aumento considerável de quase 35% nos preços dos grãos crus entre agosto e novembro, período em que as tarifas de Trump estavam em vigor, ainda não foi repassado aos supermercados. Desde o recuo tarifário promovido por Trump, os preços dos grãos crus registraram apenas uma queda de 6%.

Subida dos Preços e Expectativas Futuras

Steven Walter Thomas, CEO da Lucatelli Coffee, importadora de médio porte sediada nos Estados Unidos, observa que “os preços do café sobem mais rapidamente do que caem”, destacando a contenção nos valores desde o recuo das tarifas.

A redução das tarifas por parte de Trump, no entanto, está levando a uma desaceleração no ritmo dos aumentos de preços, pelo menos no curto prazo. No final de novembro, poucos dias após a remoção das tarifas sobre importações de café do Brasil, a empresa J.M. Smucker, controle da marca de café Folgers, anunciou que não consideraria aumentar os preços no inverno em resposta aos custos tarifários.

A empresa afirmou que acumula um impacto negativo de US$ 0,50 no lucro por ação para o corrente ano fiscal, em razão dessa decisão. Um diretor de uma torrefadora norte-americana de médio porte expressou satisfação com o fim das tarifas, mas alertou que isso ainda não é suficiente para um efeito positivo no mercado. Ele afirmou que, embora sua empresa tenha encerrado os aumentos de preços, as grandes torrefadoras, que negociam com menos frequência com os varejistas, devem implementar novas elevações de preços no próximo ano. “Os preços dos grãos crus permanecem altos, e o consumidor tende a não perceber isso; ele está focado apenas na tarifa”, concluiu.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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