O setor mineral brasileiro deve atrair aproximadamente US$ 76,9 bilhões em investimentos até o ano de 2030, valor que ultrapassa R$ 400 bilhões, considerando a cotação atual. Essa estimativa é do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração).
A previsão expressa a crescente demanda global por insumos relacionados à eletrificação e à transição energética. Ademais, inclui a reconfiguração geopolítica das cadeias produtivas, onde países estão se esforçando para reduzir a dependência e ampliar o acesso a matérias-primas consideradas estratégicas.
O Ibram projeta que os minerais críticos, como grafita, vanádio, nióbio, cobre, níquel, terras raras, bauxita, lítio, titânio e zinco, devem receber aproximadamente US$ 21,3 bilhões em investimentos nos próximos anos.
Um dos principais destaques da projeção é o cobre, já que este metal é fundamental para praticamente toda a cadeia de eletrificação. O cobre está presente em veículos elétricos, em cabos, nas redes e nos equipamentos de geração e transmissão de energia.
Dados da IEA (Agência Internacional de Energia) indicam que a demanda global por cobre deverá crescer em cerca de 30% até 2040, o que é impulsionado pela expansão das energias renováveis e pela mobilidade elétrica.
Outro foco de investimento é o desenvolvimento de projetos relacionados a terras raras, em resposta ao crescente interesse de países ocidentais, especialmente os Estados Unidos, em diversificar suas fontes de suprimento e reduzir a concentração da cadeia global, atualmente dominada pela China.
O Brasil conta com um potencial geológico significativo e possui projetos em diversas etapas de desenvolvimento. Nesse contexto, tem ocorrido uma aceleração nas iniciativas iniciais, com investidores e governos monitorando de perto os marcos de licenciamento, financiamento e viabilização comercial desses empreendimentos.
Além disso, o principal produto do setor, o minério de ferro, deve concentrar investimentos de aproximadamente US$ 18,8 bilhões até 2030.
“Nova cara da mineração” e prioridade socioambiental
O Ibram também estima que US$ 14,8 bilhões serão direcionados a iniciativas socioambientais relacionadas à mineração até 2030.
Essa leitura do setor demonstra que o tema socioambiental ganhou importância em um momento em que a mineração busca estabelecer a chamada “nova cara da mineração”, historicamente associada a impactos ambientais. No Brasil, essa questão foi ainda mais evidenciada por tragédias recentes.
Executivos do setor têm argumentado que os avanços tecnológicos, a legislação mais rígida e os compromissos internacionais vêm harmonizando a atividade mineradora com metas mais ambiciosas de preservação ambiental.
A demanda por práticas sustentáveis também cresce internacionalmente, refletindo em discussões comerciais e regulatórias, inclusive no contexto do acordo entre Mercosul e União Europeia, que aumentam a pressão por cadeias produtivas mais sustentáveis e rastreáveis.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

