Expectativas para 2026 no Setor de Construção Civil
O ano de 2026 é projetado como um período promissor para as incorporadoras e construtoras que atuam no segmento de baixa renda. Essa perspectiva é sustentada por um orçamento robusto destinado à habitação, estimado em até R$ 190 bilhões, e por custos de construção que tendem a se estabilizar. A análise foi realizada pelo Citi Research.
Catalisadores e Programa Minha Casa, Minha Vida
De acordo com o relatório, um dos principais fatores que impulsionam o setor é o aumento esperado do governo em relação aos limites de renda e aos tetos de preços dos imóveis que fazem parte do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Essa mudança deve ampliar a acessibilidade e aumentar o número de potenciais compradores elegíveis.
Atualmente, o MCMV beneficia famílias com renda bruta mensal de até R$ 12 mil, distribuídas nas seguintes faixas:
- Faixa 1: até R$ 2.850,00;
- Faixa 2: de R$ 2.850,01 a R$ 4.700,00;
- Faixa 3: de R$ 4.700,01 a R$ 8.600,00;
- Faixa 4: de R$ 8.600,01 a R$ 12.000,00.
Segundo o Citi, as possíveis revisões sugerem que os valores das faixas podem aumentar em até 12,3% para a Faixa 1, 6,4% para a Faixa 2, 11,6% para a Faixa 3 e 16,7% para a Faixa 4.
O banco afirma que “esses ajustes potenciais devem aumentar ainda mais a demanda. Estamos prevendo que 2026 será um ano forte para as construtoras de baixa renda, apoiado por um orçamento habitacional robusto e a estabilização dos custos de construção”.
Recomendações do Citi para Construtoras Listadas na Bolsa
Cury (CURY3)
No relatório apresentado pelo Citi, embora a instituição não tenha modificado suas recomendações para as construtoras listadas em bolsa, algumas atualizações nos preços-alvo foram realizadas. Para a Cury (CURY3), a recomendação de compra foi mantida, e o preço-alvo foi elevado de R$ 39,75 para R$ 45,00 por ação, implicando um potencial de valorização de 14,6% em comparação com os atuais R$ 39,26.
A expectativa do banco é que a companhia apresente uma receita líquida estável no quarto trimestre de 2025 (4T25) e um aumento no Ebitda, impulsionado pela redução de despesas administrativas. A análise ressalta que “o método de construção diferenciado da Cury e a aquisição estratégica de terrenos têm contribuído para as suas margens brutas consistentemente elevadas, posicionando-a de forma favorável no segmento de baixa renda”.
Direcional (DIRR3)
Para a Direcional (DIRR3), a recomendação de compra também foi mantida. O preço-alvo passou de R$ 18,00 para R$ 19,00 por ação, o que representa um potencial de alta em torno de 20,5%.
O Citi antecipa um leve crescimento nas receitas e uma expansão das margens no 4T25. O Ebitda deve se manter estável em relação ao trimestre anterior, embora o lucro possa ser afetado pelo aumento da participação de acionistas minoritários.
Tenda (TEND3)
Relativamente à Tenda (TEND3), a recomendação de compra foi reiterada, com o preço-alvo sendo elevado de R$ 32,00 para R$ 38,00, indicando um potencial de alta de 23%.
O banco prevê um crescimento de 9% na receita em comparação trimestral e uma normalização das margens, enquanto o lucro pode apresentar uma leve queda no 4T25, em razão de efeitos contábeis relacionados a uma operação de troca de ações.
MRV com Classificação Neutra e Risco Aumentado
A MRV&Co (MRVE3) mantém a classificação neutra pelo Citi, embora o preço-alvo tenha sido elevado de R$ 7,00 para R$ 9,50, o que representa um leve risco negativo de cerca de 3,6% em relação ao atual preço de R$ 9,86.
O banco projeta uma melhora gradual nas margens da operação brasileira no 4T25 e espera que a Resia, unidade da companhia nos Estados Unidos, apresente desempenho semelhante ao trimestre anterior, quando enfrentou um prejuízo de US$ 19,3 milhões (aproximadamente R$ 105 milhões).
Resumo das Recomendações do Citi
| Ticker | Recomendação | Preço-alvo (R$) | Preço atual (R$) | Upside (%) |
|---|---|---|---|---|
| CURY3 | Compra | 45,00 | 39,26 | +14,6% |
| DIRR3 | Compra | 19,00 | 15,77 | +20,5% |
| TEND3 | Compra | 38,00 | 30,91 | +22,9% |
| MRVE3 | Neutra | 9,50 | 9,86 | -3,6% |
Fonte: www.moneytimes.com.br


