Recomposição do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)
Itaú Unibanco, Caixa Econômica, Bradesco, Banco do Brasil e Santander serão os responsáveis por arcar com os custos mais significativos para financiar a recomposição do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), em razão das consequências do caso Master.
Estimativas de Desembolso
Segundo estimativas de analistas consultados pelo Broadcast, um sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, os cinco principais bancos do Brasil deverão desembolsar, de forma agregada, cerca de R$ 30 bilhões nos próximos meses.
O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 devido a suspeitas de fraudes. Aproximadamente 800 mil investidores que aplicaram recursos em títulos do banco encontravam-se sob a proteção do FGC e estão sendo recompensados.
Com um patrimônio aproximado de R$ 125 bilhões, o FGC poderá ser impactado em pelo menos R$ 52 bilhões por causa das falências do Banco Master, Will Bank e Banco Pleno, o que indica a necessidade de capitalização da instituição.
Previsões dos Bancos
Até o presente momento, apenas o Banco do Brasil se manifestou publicamente acerca de suas expectativas de desembolso. Enquanto isso, analistas e investidores realizam seus próprios cálculos. A estimativa considera o adiantamento imediato do equivalente a cinco anos de contribuições mensais ao Fundo, como parte do plano de recuperação acordado este mês. Por serem previsões não publicadas, esses números servem como referência para dimensionar os efeitos da reestruturação do FGC sobre o setor. Por conseguinte, os cálculos dos analistas podem ser superiores aos das instituições financeiras, que têm acesso a dados mais completos.
Além desse montante, haverá também uma contribuição adicional extraordinária de 50% sobre os aportes mensais, o que, no caso das quatro principais instituições de capital aberto, impõe um custo estimado em R$ 2,6 bilhões por ano, conforme análises do Citi. Embora esse valor tenha um impacto financeiro significativo, acredita-se que seja administrável, de acordo com especialistas da área.
Contribuições Mensais
Conforme as regras vigentes, os bancos associados fazem contribuições mensais de 0,01% sobre o total de seus instrumentos financeiros garantidos. Para os Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE), as alíquotas mensais são de 0,02% para emissões com alienação de recebíveis e de 0,03% para o estoque que não possui alienação.
No que diz respeito ao Itaú, a projeção inicial aponta um desembolso de R$ 8,8 bilhões, acrescido de R$ 882 milhões anuais para cobrir o aumento extraordinário de 50% nas contribuições, segundo estimativas do Citi. Os dados podem ser levemente superestimados, uma vez que consideram os depósitos de toda a operação, incluindo aqueles fora do Brasil, e o FGC cobre apenas depósitos realizados no território nacional.
Estratégias das Instituições Financeiras
O presidente do Itaú, Milton Maluhy, destacou a necessidade de implementar “mecanismos inteligentes” para a capitalização do FGC, visando transmitir a mensagem de que o Fundo está suficientemente capitalizado para cumprir sua função de proteger os investidores. Para ele, tal processo deve ser desenvolvido de modo a minimizar, ao máximo, os custos para o setor financeiro e a sociedade em geral. “Muitas normas internacionais podem servir de referência”, afirmou ao comentar os resultados do banco.
O Bradesco deverá mobilizar cerca de R$ 7 bilhões na primeira fase e, posteriormente, mais R$ 696 milhões durante o ano, segundo o Citi. Já para o Santander Brasil, o custo total será de R$ 3,4 bilhões na primeira etapa e, depois, R$ 336,7 milhões. O Banco do Brasil, por sua vez, anunciou a necessidade de retirar R$ 5 bilhões de seu caixa para cumprir com a antecipação das contribuições ordinárias, além de mais R$ 500 milhões em contribuição extraordinária. Em termos contábeis, o impacto será gradual; segundo o Broadcast, o banco público indicou que essa quantia será considerada um ativo no balanço. Assim, a cada mês, haverá um abatimento de R$ 83 milhões do ativo de contribuições, o que será refletido nas demonstrações financeiras através da margem.
Esse montante se soma a uma despesa mensal de R$ 41,5 milhões para atender ao desembolso extraordinário. Embora analistas estimem que a contribuição do Banco do Brasil possa ser maior, em torno de R$ 6,8 bilhões, é importante observar que esse número inclui todos os depósitos do banco, englobando também aqueles realizados fora do Brasil.
Impactos nas Fintechs
Para a Caixa Econômica Federal, os dados mais recentes indicam que o impacto do adiantamento de 60 meses está estimado em cerca de R$ 5,8 bilhões, conforme análise de um especialista não identificado. Em relação às fintechs, que possuem menos depósitos elegíveis, as repercussões parecem ser mais restritas: o Nubank, por exemplo, teria que lidar com um custo inicial de R$ 251,2 milhões.
No que diz respeito ao Santander, os cálculos dos analistas apontam para a necessidade de destinar entre R$ 3,6 bilhões e R$ 3,7 bilhões. Ao discutir os resultados do banco no início do mês, o CEO Mario Leão defendeu a necessidade de continuidade na evolução do ambiente regulatório para evitar que eventos semelhantes ao colapso do Banco Master voltem a acontecer, afirmando que tanto o processo de recomposição quanto os ajustes nas regras do FGC representarão um desafio significativo.
Redirecionamento de Recursos
Para amenizar esses efeitos, os bancos estão negociando uma proposta que visa redirecionar recursos do compulsório bancário para a recomposição do FGC. Essa solução requer a autorização do Banco Central, que ainda não se manifestou sobre o tema. “Como os compulsórios já são ativos não remunerados mantidos no Banco Central, redirecioná-los poderia reduzir o custo de oportunidade para os bancos”, destacam analistas do Citi, liderados por Gustavo Schroden.
A liberação de compulsórios, especialmente o não remunerado, representa o melhor cenário para as instituições financeiras, segundo a visão de um analista de um banco estrangeiro. De qualquer forma, ele acredita que os bancos estão bem capitalizados e que o desvio de recursos não acarretará impactos significativos. No entanto, haverá um custo de oportunidade caso os compulsórios não sejam utilizados. Isso significa que o capital, que poderia gerar rendimentos para o banco ou ser investido em outros aspectos, ficará alocado no FGC, indicando que medidas precisam ser tomadas em relação ao fundo, pois o impacto do escândalo associado ao Banco Master foi considerável.
Além disso, no que tange aos lucros dos bancos, a contribuição ao FGC deve ter um impacto marginal. “Observamos impactos limitados em nossa cobertura, variando de 0,4% dos lucros (Nubank) a cerca de 1,9% (Banco do Brasil)”, estima Schroden, do Citi, em um relatório recente.
Fonte: www.moneytimes.com.br


