Galípolo afirma que a sociedade não aceita mais a inflação elevada; altos custos de vida desafiam o Banco Central e revelam os limites da política monetária

Galípolo afirma que a sociedade não aceita mais a inflação elevada; altos custos de vida desafiam o Banco Central e revelam os limites da política monetária

by Editoria Bolsa e Mercado
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Percepção da Inflação pela População

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou que a inflação retornou ao foco da discussão econômica, agora em um contexto mais abrangente que vai além dos indicadores técnicos. Essa discussão está agora intimamente ligada à percepção da população sobre o custo de vida.

De acordo com Galípolo, a sociedade passou a ter uma reação menos intensa às flutuações da inflação e mais ao nível de preços acumulado, o que, por sua vez, altera a forma como a política monetária é vista e exigida.

“Esta é uma sociedade que não tolera mais inflação. A inflação e a questão da affordability [acessibilidade econômica] tornaram-se centrais”, afirmou Galípolo durante o XIII Seminário Anual de Política Monetária, organizado pelo Centro de Estudos Monetários (CEM) do FGV IBRE, na última segunda-feira (6).

A reflexão foi feita em um cenário de incerteza global elevada, após uma série de choques de oferta que, na perspectiva do presidente do BC, ajudam a justificar a crescente desconexão entre dados econômicos e a percepção das famílias.

Inflação sob Controle, mas Desconforto Persistente

Um dos temas centrais destacados por Galípolo foi a chamada “dissonância” entre os indicadores oficiais e a percepção econômica da população, um fenômeno que tem sido notado em várias economias ao redor do mundo.

“Os banqueiros centrais observam a inflação, mas a população foca no nível de preço”, avaliou Galípolo. Essa distinção é importante para compreender a situação econômica atual. Enquanto a inflação mede a taxa de aumento dos preços, o nível de preços reflete o patamar já alcançado após uma série de choques. Apesar da desaceleração da inflação, o custo de vida continua alto.

Na prática, isso indica que o alívio percebido pelos índices não é necessariamente sentido no cotidiano, especialmente em um contexto onde os aumentos salariais não têm acompanhado os aumentos acumulados de preços.

Esse descompasso, conforme Galípolo, tem gerado questionamentos sobre a credibilidade dos próprios índices. “Isso tem gerado um certo grau de ceticismo em relação aos números oficiais”, reportou o presidente do Banco Central.

Choques de Oferta e um Novo Regime de Incerteza

O contexto dessa mudança envolve uma série de eventos que impactaram a economia global nos últimos anos, como a pandemia de Covid-19, rupturas nas cadeias produtivas, conflitos armados e choques nos preços de energia.

“Estamos lidando com quatro choques de oferta nos últimos seis anos. Todos nós estamos um pouco cansados de passar por eventos históricos”, comentou ele de forma descontraída.

Diferentemente dos choques de demanda, que podem ser abordados de maneira mais direta por meio da política monetária, os choques de oferta afetam tanto os custos quanto a capacidade produtiva, tornando a resposta a eles mais complexa. Nesse ambiente, Galípolo destacou que até mesmo a interpretação dos mercados se tornou mais desafiadora.

Limites da Política Monetária e Resposta Mais Cautelosa

Ao abordar a atuação dos bancos centrais, Galípolo enfatizou que há atualmente uma maior cautela na condução da política monetária, especialmente após as críticas de que, em períodos recentes, houve uma demora em reagir à inflação global.

Nesse cenário, conceitos como o “look through”, que se refere à estratégia de desconsiderar choques temporários de oferta, têm perdido relevância. A avaliação atual é que o custo de subestimar a persistência da inflação aumentou, particularmente em relação ao impacto sobre as expectativas.

“O custo de credibilidade de afirmar que o choque é temporário, pela quarta vez, é muito alto”, ressaltou.

Além disso, o presidente do BC reforçou que as ferramentas tradicionais da política monetária atuam principalmente pelo lado da demanda, o que limita a sua eficácia quando se trata de choques de oferta.

Galípolo também se debruçou sobre as dificuldades inerentes à atuação das autoridades monetárias, que frequentemente enfrentam críticas independentemente das circunstâncias.

“Se a economia melhora, é porque você não fez o suficiente. Se ela piora, é porque você agiu tarde demais”, comentou.

Com a inflação mais sensível do ponto de vista social, esse dilema se torna ainda mais intenso. O espaço para ajustes precisos da política monetária diminui, enquanto os riscos de erro, tanto por ação quanto por inação, se tornam mais evidentes.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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