Avaliação Geral da Temporada de Resultados do Primeiro Trimestre de 2026
A temporada de resultados do primeiro trimestre de 2026 evidenciou um desempenho operacional mais forte das empresas brasileiras. Contudo, o BTG Pactual observou uma pressão significativa dos juros elevados sobre os lucros das companhias locais.
Destaques Positivos e Negativos
Entre os setores que se destacaram positivamente, o relatório do banco identificou o aluguel de veículos & logística, utilities e petróleo & gás. Em contrapartida, as áreas de alimentos & bebidas, varejo e o Banco do Brasil (BBAS3) registraram as maiores decepções, conforme análise realizada por Carlos Sequeira e sua equipe.
Analisando qualitativamente os resultados, 37% das empresas avaliadas mostraram resultados considerados fortes, percentagem equivalente àquela observada no primeiro trimestre de 2025 e superior aos 33% do quarto trimestre do ano anterior. Por outro lado, os resultados considerados fracos representaram 29% do total analisado.
Resultados Acima das Projeções
De acordo com o BTG, os resultados consolidados do trimestre foram ligeiramente superiores às estimativas. Excluindo as empresas Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), observou-se que a receita líquida ficou 1,0% acima das previsões do BTG, enquanto o EBITDA superou as expectativas em 0,3% e o lucro líquido apresentou um aumento de 1,6%.
Entre as empresas que atuam no mercado doméstico, o cenário demonstrou ser mais desafiador. Embora as receitas tenham superado as expectativas em 2,4%, o EBITDA ficou 1,2% abaixo do que se esperava e o lucro líquido mostrou uma decepção relevante, apresentando queda de 2,0%. Essa oscilação reflete o impacto das taxas de juros elevadas sobre as despesas financeiras e os custos de crédito.
Na comparação anual, as receitas das empresas que não incluem Petrobras e Vale cresceram 8,9% no primeiro trimestre. O EBITDA teve um avanço de 13,8%, enquanto o lucro líquido subiu 7,7%, revertendo a diminuição que havia sido observada no trimestre anterior.
O BTG destacou que o lucro líquido das empresas vinculadas a commodities cresceu 41,7% em um ano. Esse crescimento foi impulsionado, principalmente, pelos setores de petróleo & gás e materiais básicos, que se beneficiaram da conjuntura favorável para os preços das commodities, especialmente do Brent.
Setores que se Destacaram Positivamente
Nos destaques positivos, o setor de aluguel de veículos & logística registrou um crescimento de 28,3% na receita líquida. O BTG também ressaltou o desempenho da Localiza (RENT3), cujas receitas aumentaram 41,4%, impulsionadas pelas vendas na divisão de seminovos e pela dinâmica considerada saudável nas segmentações de aluguel de carros e gestão de frotas.
Além disso, o setor de serviços básicos contribuiu para o crescimento geral de receitas e EBITDA. O banco destacou resultados positivos da Axia Energia (AXIA) e da Copel (CPLE6), beneficiadas pelo ambiente de preços elevados de energia e pelo desempenho vigoroso no segmento de geração.
No setor de petróleo & gás, o EBITDA setorial cresceu 84,8% quando comparado ao ano anterior. Entre os principais destaques, apareceram Prio (PRIO3), Vibra Energia (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3), todas favorecidas por margens melhoradas e um ambiente mais favorável para os preços de combustíveis e petróleo.
Setores com Desempenho Abaixo das Expectativas
No que se refere aos resultados negativos, o setor de alimentos & bebidas foi o principal responsável pela decepção no EBITDA consolidado, registrando uma queda de 12,3% em comparação anual. O BTG atribuiu essa pressão significativamente à JBS (JBSS32), cujo EBITDA caiu 33,3% no período em análise.
O varejo também se destacou como um dos segmentos mais afetados, mostrando um descenso de 87,5% no lucro líquido em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Nos bancos, o BTG apontou que a maioria das instituições conseguiu aumentar seus lucros na comparação anual, embora essas elevações tenham ficado abaixo das expectativas do mercado. O Banco do Brasil (BBAS3) foi o maior destaque negativo, com uma diminuição de 52,8% no lucro líquido ajustado, pressionado pela inadimplência no crédito ao consumidor e pelos custos relacionados à carteira do agronegócio.
Além disso, o Banco do Brasil revisou para baixo sua previsão de lucro líquido para 2026 em cerca de 17% no ponto médio, um movimento que, segundo o BTG, intensificou as preocupações dos investidores.
Fonte: www.moneytimes.com.br

