Expansão de Oleodutos no Oriente Médio
Contexto Atual
O Iraque e os Emirados Árabes Unidos estão acelerando seus planos para expandir a rede de oleodutos, visando compensar a capacidade perdida devido ao fechamento do Estreito de Hormuz. Dados recentes evidenciam a dependência crítica que ambos os países possuem em relação ao Golfo Pérsico.
Na semana passada, o gabinete iraquiano aprovou um plano para aumentar as exportações de petróleo através da rede de oleodutos que liga a região do Curdistão à Turquia. Essa medida pode mais que triplicar o volume atual de exportações de 220 mil barris de petróleo por dia para 770 mil barris.
O Papel do Oleoduto Curdistão-Turquia
Esse novo roteiro oferece uma alternativa viável, permitindo o trânsito de petróleo do Curdistão até o porto mediterrâneo de Ceyhan, na Turquia. Ao operar em plena capacidade, essa infraestrutura deve trazer alívio à economia iraquiana, que, conforme dados do Banco Mundial, teve sua produção de petróleo respondendo por 53% do PIB real em 2025.
Dados Exclusivos de Exportação
Informações exclusivas fornecidas à CNBC pela QuantCube Technology, uma fornecedora de inteligência econômica, revelam que as exportações totais do Iraque caíram drasticamente desde o início do conflito, principalmente devido à dependência geográfica em relação ao Estreito de Hormuz. O indicador fornecido pela QuantCube mede o volume de peso morto, ou deadweight tonnage, que sai dos portos iraquianos e dos Emirados, oferecendo uma estimativa do peso da carga transportada pelos navios.
Situação do Petróleo Iraquiano
Alan Lemangnen, economista sênior da QuantCube, esclarece que a situação do Iraque é mais complexa, dado que a maioria do seu petróleo transita pelo Estreito de Hormuz. Em uma coletiva de imprensa realizada no dia 16 de maio, o Iraque informou que exportou 10 milhões de barris de petróleo pelo Estreito de Hormuz no mês de abril, uma queda significativa em comparação aos 93 milhões de barris exportados antes do início da guerra.
Projetos na Região
Enquanto isso, Abu Dhabi está acelerando a construção de um novo oleoduto conhecido como West-East, que levará o petróleo até Fujairah, com o objetivo de expandir sua capacidade de exportação e contornar o gargalo do Estreito de Hormuz. Este projeto, previsto para ser concluído em 2027, irá dobrar a capacidade de exportação da Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC).
No dia 15 de maio, o Príncipe Herdeiro de Abu Dhabi, Sheikh Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, solicitou uma entrega mais rápida do oleoduto para atender à crescente demanda global por energia. Os Emirados ainda podem exportar petróleo através de outros terminais, o que diminui o impacto do fechamento do Estreito de Hormuz.
Comparação de Situações
Lemangnen acrescenta que a localização do Iraque, combinada à sua incapacidade de desviar rotas, coloca o país em uma situação mais complicada em comparação aos Emirados ou à Arábia Saudita. Os Emirados ainda possuem o terminal de Fujairah, que, apesar de ter sofrido danos durante a guerra, mantém a, em teoria, infraestrutura necessária e embarcações para exportar uma quantidade considerável de petróleo.
Riscos aos Oleodutos Existentes
Entretanto, até mesmo as alternativas já existentes enfrentam riscos. O oleoduto East-West da Arábia Saudita foi atacado pelo Irã em abril, e Fujairah também foi alvo de drones iranianos, o que afetou as operações de carregamento de petróleo em seu terminal de exportação.
O oleoduto East-West, que conecta instalações de processamento perto do Golfo Pérsico a um centro de exportação no Mar Vermelho, junto ao oleoduto dos Emirados até o porto de Fujairah, possui uma capacidade estimada combinada de 3,5 a 5,5 milhões de barris por dia, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). Contudo, a Arábia Saudita afirmou em março que seu oleoduto estava operando com um fluxo de 7 milhões de barris por dia.
Níveis de Tráfego pelo Estreito de Hormuz
Entretanto, os fluxos de petróleo permanecem significativamente abaixo dos aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo e produtos petrolíferos que transitavam diariamente pelo Estreito de Hormuz antes do início do conflito. O desenvolvimento de rotas alternativas para exportação envolve não apenas enormes investimentos em infraestrutura, mas também requer tempo, já que frequentemente são necessários acordos transnacionais se os oleodutos atravessarem múltiplos territórios.
Tráfego Marítimo Abaixo do Normal
As transições de navios pelo Estreito de Hormuz estão consideravelmente abaixo dos níveis anteriores ao conflito. O tráfego no corredor marítimo caiu para os níveis mais baixos desde o início da guerra em maio, de acordo com a Lloyd’s List. As embarcações que permanecem no Golfo enfrentam o risco de ataques por parte das forças iranianas, a menos que recebam autorização de Teerã para transitar por rotas designadas pelo Estreito de Hormuz. Além disso, correm o risco de sanções dos EUA caso cooperem com o Irã.
Fonte: www.cnbc.com


