Verde Asset Reduz Posição em Real
A Verde Asset encerrou sua posição em real no mês de maio, em meio à retomada da tese do excepcionalismo americano.
Após um período em que investidores diminuíram sua exposição aos ativos dos Estados Unidos e buscaram oportunidades no Brasil, essa tendência começou a se inverter.
De acordo com a gestora, três fatores contribuíram para a recuperação da atratividade dos ativos americanos: a resiliência da economia dos EUA, a expectativa de juros elevados por um período prolongado e o avanço da inteligência artificial, que impulsionou as ações do setor tecnológico.
Consequentemente, o dólar ganhou força globalmente. Dada a proclividade de moedas emergentes a perder espaço nesse cenário, a Verde decidiu retirar a exposição ao real de sua carteira.
Desempenho da Bolsa Brasileira
No mês de maio, o Ibovespa apresentou uma queda de 7,22%. Entretanto, a gestora destaca que as correções no âmbito da bolsa foram ainda mais profundas do que esse índice sugere, pois os papéis considerados mais arriscados sofreram perdas ainda maiores.
Parte dessa desvalorização é um reflexo do exceptionalismo americano: os fluxos de capital estrangeiro que ingressaram no Brasil em busca de diversificação começaram a se retirar.
Além disso, um problema interno é evidente. O governo federal continua anunciando pacotes parafiscais, que são gastos extras motivados claramente por questões eleitorais, segundo a avaliação da Verde. Isso resulta em uma situação delicada para o Banco Central: apesar da economia se apresentar aquecida e do desemprego estar em níveis historicamente baixos, a pressão fiscal demanda aumentos de gastos.
Neste cenário, o mercado de juros passou a precificar não mais cortes na Selic, mas sim aumentos nas taxas. A Verde enxerga esse movimento como um exagero, mas optou por não manter posições direcionais em relação aos juros, decidindo, por ora, manter-se fora dessas apostas.
Por outro lado, a gestora vê oportunidades no mercado de ações brasileiro, em particular em estruturas que possam se beneficiar de movimentos bruscos do mercado, referindo-se a essa estratégia como “comprar convexidade”.
Análise das Posições da Verde em Maio
A seguir está um panorama das posições adotadas pela Verde durante o mês de maio:
Manteve:
- Exposição em ações tanto no Brasil quanto no exterior.
- Posições em ouro e prata, com um aumento pontual na alocação em prata.
- Investimentos em crédito privado local.
- Proteção em crédito da Arábia Saudita, que serve como uma espécie de seguro na eventualidade de um agravamento do conflito no Oriente Médio.
Zerou:
- A posição em real, que foi encerrada em função do risco relacionado ao exceptionalismo americano.
- Petróleo através de opções.
Trocou:
- Nos Estados Unidos, substituiu a posição em inflação implícita por uma aposta em juros reais, o que reflete a visão de que os juros reais nos EUA ainda têm espaço para aumento.
Petróleo e Conflito no Oriente Médio
A Verde se dedica a explicar uma questão que tem gerado muitas especulações: se o Oriente Médio está em conflito, por que o preço do petróleo não disparou?
A gestora apresenta três razões para essa situação. A primeira diz respeito à redução das importações de petróleo por parte da China, que se deve a estoques elevados ou a uma queda real na demanda.
A segunda razão aponta que o petróleo que ficou retido no Estreito de Ormuz passou a circular por rotas alternativas, em um esquema “nas sombras”.
A terceira razão é que países e empresas têm consumido estoques estratégicos que haviam sido acumulados previamente.
Esses três fatores juntos esclarecem por que o atual conflito não resultou em uma crise energética global. Esse raciocínio levou a Verde a encerrar sua posição em petróleo, uma vez que as condições para um aumento significativo de preços não se materializaram.
Desempenho do Fundo em Maio
O fundo da Verde encerrou o mês com uma alta de 0,33%, enquanto o CDI registrou um aumento de 1,07%. No acumulado do ano, o fundo Verde ainda apresenta um desempenho superior: +7,76%, em comparação aos +5,66% do CDI.
Os ganhos foram provenientes da renda variável global e do crédito, enquanto as perdas se concentraram nas ações brasileiras, no ouro e na proteção em crédito da Arábia Saudita.
Fonte: www.moneytimes.com.br

