Irã considera nova rota para Hormuz 'inaceitável' e alerta sobre o trânsito

Irã considera nova rota para Hormuz ‘inaceitável’ e alerta sobre o trânsito

by Patrícia Moreira
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Aviso do Irã sobre a Navegação no Estreito de Hormuz

Em uma declaração publicada na quarta-feira, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) alertou os armadores sobre a criação de novas rotas de trânsito pelo Estreito de Hormuz, ressaltando que qualquer iniciativa feita sem a coordenação de Teerã é "inaceitável e perigosa". O IRGC ameaçou tomar medidas contra embarcações que ignorarem suas instruções.

Controle do Estreito de Hormuz

Esse aviso severo destaca a determinação de Teerã em manter o controle sobre o Estreito de Hormuz e a resistência a transitos que não tenham sua autorização. Além disso, evidencia a incerteza persistente que enfrenta os armadores que navegam pela região, mesmo após a assinatura de um memorando de entendimento entre os EUA e o Irã na semana passada, o qual tinha como objetivo reabrir essa vital artéria energética.

Diretrizes para Navegação

O IRGC, por meio da sua Marinha, afirmou que apenas as rotas de navegação designadas pelo Irã são permitidas. A comunicação com as forças iranianas, por meio de um canal de comunicação estabelecido, é considerada obrigatória, conforme reportagens da mídia local iraniana.

"A navegação fora dessas rotas é extremamente perigosa e proibida. Alertamos todas as embarcações a evitar estritamente qualquer movimento fora dos corredores designados", declarou a Marinha do IRGC.

Essa advertência surgiu após um importante grupo de informações navais ter proposto corredores de navegação alternativos no último sábado, sugerindo que os armadores considerassem transitar pelo estreito pela rota sul, mantendo seus sinais de transponder ativados. "A rota de trânsito sul, ao longo das águas territoriais omanenses, foi confirmada como limpa de minas e é a rota recomendada", dizia a notificação.

Dados de Tráfego Marítimo

Dados de tráfego indicam uma recuperação tímida. O número de transitos triplicou, chegando a 93 no final de semana passado, em comparação com o período anterior equivalente, conforme dados da provedora de rastreamento de navios, MarineTraffic. No entanto, essa quantidade ainda está muito abaixo dos níveis anteriores ao conflito, quando mais de 100 navios atravessavam o estreito diariamente.

MarineTraffic também confirmou 31 travessias verificadas na terça-feira por embarcações comerciais e carregadas de energia. Os armadores continuaram a utilizar uma combinação de rotas iranianas, omanenses e padrões da Organização Marítima Internacional ao atravessar o estreito. "Os operadores ainda estão se movendo com cautela, em vez de retornar aos padrões normais de tráfego", disse a empresa em uma declaração na quinta-feira.

Sanções e Alertas dos EUA

Em maio, o Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções à Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico do Irã, caracterizando essas ações como uma tentativa de "extorquir o comércio marítimo global". O Secretário do Tesouro, Scott Bessent, também advertiu que Washington não toleraria qualquer sistema de cobrança no Hormuz, afirmando que sua agência miraria agressivamente em qualquer ator envolvido.

Perspectivas para o Fluxo de Petróleo

Analistas alertam que qualquer forma de controle iraniano pode ter efeitos de longo prazo sobre os fluxos de petróleo através do Estreito. Há uma expectativa de que os transitos podem não voltar plenamente aos níveis anteriores ao conflito, caso Teerã mantenha o controle estratégico da via aquática.

De acordo com Helima Croft, chefe de estratégia global de commodities da RBC Capital Markets, o tráfego de petroleiros pelo Hormuz antes do início da guerra pode representar o pico para os transitos no futuro previsível. "Qualquer término do conflito que deixe o Irã exercendo controle operacional e influência sobre o estreito resultará em fluxos consideravelmente menores através dessa via aquática, em nossa opinião", Croft informou a seus clientes em uma nota na quinta-feira.

Contribuição de Spencer Kimball para este relatório da CNBC.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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