Projeções da Construtora Tenda
A construtora Tenda (TEND3), que se especializa em habitação popular, pode modificar suas previsões para 2026, dependendo da continuidade do desempenho observado nos meses de janeiro e fevereiro deste ano. A afirmação foi feita pelo CFO da empresa, Luiz Mauricio de Garcia, durante entrevista ao Money Times.
Vendas e Lucro Projetado
De acordo com Garcia, as vendas brutas nos dois primeiros meses de 2026 apresentaram um crescimento de 27% em comparação ao mesmo período de 2025, atingindo a marca de R$ 1 bilhão. O CFO destacou que, se esse cenário continuar, é provável que a guidance seja revisada para cima.
Além disso, a companhia estima um lucro líquido para 2026 entre R$ 520 milhões e R$ 600 milhões, o que representa um aumento de aproximadamente 51% em relação ao lucro recorrente registrado em 2025.
Fatores de Crescimento
Garcia atribui o desempenho positivo a fatores operacionais, incluindo melhorias na execução das obras e ao atual sucesso do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV), que é fundamental na estratégia da empresa.
Resultados Anteriores e Turnaround
A Tenda já havia reportado resultados expressivos no quarto trimestre de 2025 (4T25), quando o lucro líquido consolidado alcançou R$ 104,6 milhões, cerca de cinco vezes maior em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esse resultado confirmou o que o mercado chama de “turnaround”, um processo focado na recuperação da rentabilidade. Garcia comentou que esses resultados foram fruto de uma reestruturação bem-sucedida realizada após a pandemia, além da força do mercado habitacional associado ao MCMV.
Vale lembrar que a construtora enfrentou sérias dificuldades entre 2021 e 2022, ao intensificar os lançamentos e implementar um modelo de torres mais altas, que se afastou de seu método tradicional de construção. Durante a pandemia, as obras sofreram atrasos e os custos de construção aumentaram consideravelmente. O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado pelo IBGE, teve uma alta de 18,65% em 2021.
Essa escalada nos custos afetou a margem e os resultados da companhia, culminando em um prejuízo consolidado de R$ 547,3 milhões em 2022. Contudo, com a implementação do turnaround, a empresa conseguiu inverter a situação, registrando um lucro líquido consolidado recorde de R$ 505,7 milhões em 2025.
Desempenho das Ações
As ações da Tenda apresentaram uma valorização superior a 110% na bolsa de valores (B3) nos últimos 12 meses, saltando de R$ 13,79, em março do ano anterior, para R$ 29,37 atualmente.
Modelo de Construção
O modelo construtivo da Tenda, baseado em formas de alumínio, tem sido um dos fatores que contribuíram para a melhora nas margens. Nesse sistema, moldes são feitos para a estrutura do imóvel, onde o concreto é despejado, seguindo uma lógica mais industrializada de construção. Essa abordagem, segundo Garcia, permite uma redução na necessidade de mão de obra, aceleração dos projetos e diminuição dos gastos.
Atualmente, a mão de obra representa cerca de 33% do custo de construção da Tenda, cifra inferior aos aproximadamente 45% observados em métodos tradicionais, como a alvenaria estrutural. O CFO ressaltou que o 4T25 foi impactado positivamente pela reestruturação pós-pandemia e pelo momento favorável do MCMV.
Demanda por Moradia
A Tenda percebe um cenário estruturalmente favorável para o segmento imobiliário brasileiro, impulsionado pelo número crescente de novas famílias formadas. O CFO apontou que, conforme dados do último Censo Demográfico do IBGE, realizado em 2022, o Brasil forma cerca de 1,4 milhão de novas famílias anualmente, enquanto os programas habitacionais do governo, como o MCMV, contratam pouco mais de 600 mil imóveis. “A demanda é muito maior do que a oferta”, afirmou Garcia.
Questionado sobre possíveis impactos do ambiente político, o executivo declarou que a empresa não vê riscos significativos à frente, mesmo diante de uma possível mudança de governo nas eleições de outubro.
Planejamento de Lançamentos
Frente a esse panorama, Garcia informou que a construtora planeja acelerar os lançamentos ao longo de 2026, aproveitando os ajustes que devem ser implementados no programa habitacional. Recentemente, o Ministério das Cidades propôs aumentar o limite de renda familiar em todas as faixas do MCMV, assim como aumentar o teto do valor dos imóveis para as faixas 3 e 4.
Para a Tenda, o ajuste na faixa 1, que representa cerca de metade de sua base de clientes, é crucial. Com a nova proposta, o limite de renda dessa faixa subirá de R$ 2.850 para R$ 3.200.
No entanto, para que as novas condições sejam implementadas, elas dependem da aprovação do Conselho Curador do FGTS, marcada para o dia 24 de março.
Desafios da Alea
Apesar de uma melhora nas operações principais, a Alea, divisão do grupo dedicada à construção de casas pré-fabricadas, continua a pressionar os resultados consolidados da Tenda. A subsidiária registrou um prejuízo líquido de R$ 50,2 milhões no 4T25 e, ao longo de 2025, acumulou um total de R$ 130,4 milhões de prejuízo.
Garcia explicou que o principal desafio da Alea está relacionado ao custo das obras nos canteiros, que ultrapassa as expectativas.
Verticalização da Mão de Obra
Para resolver essa questão, a empresa decidiu verticalizar a mão de obra, similar ao modelo utilizado pela Tenda, e reduzir a dispersão geográfica dos projetos. “Em Ribeirão Preto, Campinas e Bauru, por exemplo, a equipe contratada trabalha em várias obras em um raio próximo, assegurando maior produtividade”, detalhou.
Perspectivas de Dividendos
Ao ser questionado sobre a distribuição de proventos, Garcia confirmou que a remuneração aos acionistas está nos planos da construtora, embora isso não seja a prioridade imediata. Ele enfatizou que, antes de aumentar o pagamento de dividendos, a prioridade é reduzir a alavancagem financeira.
A Tenda atualmente possui cerca de R$ 266 milhões em dívidas líquidas, comparado a R$ 799,9 milhões em 2022. O objetivo da companhia é restabelecer pagamentos que ultrapassem a obrigatoriedade de 25% do lucro líquido ajustado e, eventualmente, conseguir um volume maior de dividendos quando a dívida líquida for zerada.
Recomendações para a Ação Tenda (TEND3)
Entre sete bancos e casas de análise consultados pelo TradeMap, seis recomendam a compra das ações da construtora, enquanto uma sugere manter.
Fonte: www.moneytimes.com.br