Novo Nordisk enfrenta queda nas ações nos EUA
As ações da Novo Nordisk nos Estados Unidos despencaram na terça-feira após a empresa anunciar a expectativa de queda nas vendas e no crescimento do lucro neste ano. Essa intempérie é atribuída à redução nos preços nos Estados Unidos e à perda de exclusividade de seus produtos de sucesso, Wegovy e Ozempic, em mercados como China, Brasil e Canadá.
A previsão foi divulgada pela empresa junto com seu relatório de vendas do ano completo de 2025, antes do esperado relatório trimestral que será apresentado na manhã de quarta-feira.
Os recibos de ações da Novo na América caíram 13,7% às 12h22 ET. Os resultados foram publicados após o fechamento das negociações em Copenhague, onde a empresa possui sua listagem principal.
A previsão surge em um momento em que a fabricante dinamarquesa de medicamentos luta para recuperar sua posição no segmento de emagrecimento, que enfrenta uma concorrência acirrada.
Em 2025, as vendas tiveram um aumento de 10%, enquanto o lucro operacional cresceu 6%, de acordo com a orientação mais recente da empresa, que foi reduzida ao longo de 2025 em face dos desafios encontrados no mercado norte-americano.
Para 2026, a previsão da empresa aponta para uma queda nas vendas e no lucro operacional entre 5% e 13% ao considerar taxas de câmbio constantes.
A nova projeção reflete as expectativas de crescimento nas vendas dentro das operações internacionais, além da expectativa de queda nas vendas nas operações dos Estados Unidos. “Em 2026, a expansão do mercado global de GLP-1 deve continuar, permitindo que a Novo Nordisk amplie o alcance dos pacientes e aumente os volumes”, destacou a empresa em comunicado.
Novo também anunciou que planeja lançar o Wegovy em mais mercados em 2026 e espera introduzir uma dosagem maior de 7,2 mg em diversos países.
Pressão crescente no mercado
A fabricante do Ozempic está apostando na pílula Wegovy e na injeção de nova geração para perda de peso, CagriSema, com o intuito de recuperar participação de mercado nos Estados Unidos e reverter a queda em seu preço das ações.
As ações da Novo caíram 46,5% no ano passado, impactadas por uma série de reduções nas expectativas de resultados, mudanças na liderança e uma concorrência crescente. Entretanto, a empresa recuperou parte do terreno perdido após se tornar a primeira a lançar um tratamento oral GLP-1 para obesidade no mercado norte-americano.
Novo lançou a versão oral do medicamento Wegovy, em janeiro, e, apesar do início promissor, o mercado está atento para observar como a Novo Nordisk irá se sair, especialmente em comparação com a concorrente norte-americana Eli Lilly, que deve lançar sua própria pílula para perda de peso na primeira metade de 2026.
“Os investidores querem ver se a empresa está aproveitando ao máximo essa vantagem, especialmente no canal de vendas diretas ao paciente (principalmente pagamentos diretos ou em dinheiro), fechando a lacuna significativa que ampliou entre ela e a Lilly neste canal em 2025”, comentou a analista da Morningstar, Karen Andersen.
A semaglutida, ingrediente ativo do Wegovy e Ozempic, deve perder a exclusividade em mercados como Canadá, Brasil e China em 2026. Juntamente com uma pressão significativa sobre os preços em seu maior mercado, os Estados Unidos, os analistas preveem que o crescimento das vendas deve moderar-se a um dígito único neste ano, após vários anos com taxas de crescimento muito mais altas.
Antes da divulgação do resultado, o analista James Gordon, do Barclays, afirmou que a projeção da Novo era esperada para cristalizar novos rebaixamentos, mas também poderia atuar como um evento de estabilização, tendo em vista a “preocupação significativa dos investidores” com as perspectivas para este ano.
“As reduções nas expectativas poderão ser, ao menos em parte, mitigadas pela oportunidade que investidores terão para comprar ações após o lançamento do Wegovy Oral e a potencial inflexão no volume do Wegovy Injetável nos Estados Unidos este ano”, acrescentou.
A Novo Nordisk enfrenta pressão nos últimos 18 meses devido à concorrência da empresa norte-americana Eli Lilly, cujo medicamento concorrente para perda de peso, o tirzepatide – comercializado como Mounjaro e Zepbound – tem demonstrado resultar em perda de peso mais acentuada do que o medicamento da Novo e já superou a empresa dinamarquesa na participação de mercado nos Estados Unidos.
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Fonte: www.cnbc.com

