Acordo Mercosul-UE irá alavancar a produção de cafés industrializados, afirma Cecafé.

Acordo Mercosul-UE irá alavancar a produção de cafés industrializados, afirma Cecafé.

by Fernanda Lima
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Acordo Comercial entre Mercosul e União Europeia

Impacto no Setor de Cafés Industrializados

A confirmação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) pode favorecer diretamente o segmento de cafés industrializados do Brasil. Essa avaliação foi feita pelo diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, em uma nota divulgada à imprensa. Ele destacou que o café verde, já entra no mercado europeu sem tarifa, ao passo que os produtos industrializados ainda enfrentam altos impostos.

Com a implementação do tratado, cafés solúveis e outros produtos industrializados brasileiros passarão por um processo de redução tarifária anual, com a meta de que a taxa atinja zero em um intervalo de quatro anos. Para Matos, essa alteração deverá aumentar a competitividade do Brasil no bloco europeu, além de estimular o crescimento das exportações. Ele afirmou: "Os cafés solúveis e industriais brasileiros terão redução anual da taxação que recebem até chegar a zero".

Efeitos Econômicos e Sociais

Além dos impactos diretos sobre volumes e receitas de exportação, o Cecafé também salienta o potencial de atração de investimentos para a indústria de cafés industrializados instalada no Brasil. Segundo Matos, essa movimentação pode gerar reflexos sociais significativos. Ele declarou: "Outro fator que será relevante é o potencial aumento dos investimentos nas indústrias de cafés industrializados no Brasil, sendo esse um ponto de geração de empregos e renda nas regiões dessas fábricas".

Matos também observa que o acordo Mercosul-UE pode atuar como um selo de credibilidade para o Brasil em futuras negociações comerciais. Segundo ele, a aceitação da atuação do governo brasileiro pode ser interpretada como uma qualificação para novos acordos, "como se tivéssemos subido de patamar". Ele citou a importância das contribuições dos governos do Brasil, da Alemanha e da Espanha nas negociações.

Perspectivas para o Futuro

Nesse contexto, Matos enfatiza que o setor cafeeiro está atento às possíveis conversas bilaterais com outros mercados. Ele afirmou: "Temos no radar as conversas que vêm acontecendo com o Canadá e alguns países asiáticos, além das negociações em bloco", destacando a expectativa positiva em relação a novos acordos diretos que ampliem a presença dos cafés brasileiros nesses mercados.

Como representante dos exportadores, o Cecafé reafirma seu compromisso em atuar junto ao governo federal para fomentar novas negociações comerciais. "Seguiremos atuando para fornecer ao governo federal informações relevantes e necessárias para essas negociações, de forma que possamos alcançar novos acordos e fortalecer ainda mais a posição do Brasil como um dos principais players do mercado global de café", conclui Matos.

Avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic)

Importância do Tratado

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Pavel Cardoso, comentou sobre a relevância do tratado, afirmando que o acordo cria condições favoráveis para que o Brasil avance além da simples exportação de café verde, conquistando espaço no mercado europeu com cafés industrializados. Cardoso disse: "A indústria brasileira comemora e celebra esse acordo. O fato de isso ocorrer agora, já no início de 2026, é um ponto muito positivo para o Brasil". Ele também enfatizou que o café é um dos itens mais importantes da pauta exportadora brasileira para a UE, o que tende a fortalecer ainda mais essa relação comercial.

Estratégia de Expansão

A Abic considera que esse acordo está alinhado à estratégia de aumentar a participação do Brasil na receita global do café. Cardoso ressaltou: "O Brasil produz cerca de 40% do café do mundo, mas representa apenas 2,7% da receita global do setor". Ele argumentou ainda que o acordo está diretamente relacionado ao projeto da Abic de aumentar as exportações brasileiras na forma de cafés industrializados.

Embora o tratado necessite ainda da aprovação nos parlamentos nacionais e no Parlamento Europeu, há uma expectativa de redução gradual das tarifas ao longo dos próximos anos. Cardoso comentou: "Nos próximos quatro a cinco anos teremos a plenitude da isenção pretendida dessas alíquotas", indicando que esse período de transição permitirá planejamento e adaptação por parte da indústria.

Criação de Oportunidades

A redução gradual das tarifas de importação para cafés solúveis, torrados e outros produtos de maior valor agregado é considerada um fator-chave para incentivar investimentos, inovação e a geração de empregos. Cardoso apontou que essa diminuição das tarifas "permite que os dois blocos se preparem com tecnologia, investimento e mais emprego", criando espaço para que a indústria brasileira invista em tecnologia e se adapte às certificações exigidas pelo mercado europeu.

A nova configuração também poderá impulsionar novos investimentos no parque industrial brasileiro. Cardoso enfatizou a importância de uma estratégia consistente de promoção internacional, dizendo que a Abic tem se dedicado a fortalecer a marca "Cafés do Brasil" como um meio de sustentar a expansão no exterior. "Somente por meio de um investimento massivo, longevo e consistente em promoção e marketing é que as nossas indústrias conseguirão adentrar os supermercados da Europa com produtos industrializados", afirmou.

Estratégias de Promoção

De acordo com Cardoso, iniciativas recentes, como o rebranding da marca "Cafés do Brasil" e a visibilidade internacional obtida através do patrocínio no Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, sinalizam os próximos passos da estratégia de promoção. Ele explicou: "A promoção e o marketing têm apoio legal e um lastro no que o Brasil já faz, que é investir em cafés de qualidade, com sustentabilidade e tecnologia".

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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