Aliança 'anti-Ocidente' liderada pela China é preocupante, alerta especialista em segurança.

Aliança ‘anti-Ocidente’ liderada pela China é preocupante, alerta especialista em segurança.

by Patrícia Moreira
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Relações Internacional

Em uma fotografia de uma reunião, distribuída pela agência estatal russa Sputnik, é possível observar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, caminhando ao lado do presidente da China, Xi Jinping, e do líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un. Este evento ocorreu antes de um desfile militar que marcava o 80º aniversário da vitória sobre o Japão e o fim da Segunda Guerra Mundial, na Praça Tiananmen, em Pequim, no dia 3 de setembro de 2025.

Ameaça de uma Aliança Anti-Ocidental

A crescente possibilidade de uma "aliança anti-Ocidental" está levando analistas a alertar sobre as implicações das relações cada vez mais próximas entre China, Coreia do Norte, Índia e Rússia. Wolfgang Ischinger, presidente do Conselho da Fundação da Conferência de Segurança de Munique, expressou suas preocupações em entrevista à CNBC. Ele descreveu a recente reunião de líderes mundiais na China como "preocupante".

Na semana passada, o presidente chinês, Xi Jinping, recebeu mais de duas dezenas de líderes estrangeiros em um desfile militar em Pequim. Entre os presentes estavam Kim Jong Un e Vladimir Putin, junto a imagens que mostravam uma interação descontraída de Xi com Modi, o primeiro-ministro indiano.

Preocupações sobre a União de Líderes

"Isto me preocupa", afirmou Ischinger ao comentar sobre as fotos divulgadas. Apesar de reconhecer que não há total harmonia entre Índia e China, ele enfatizou que as relações entre os países estão caminhando na direção errada. Ischinger, que ocupa vários cargos focados em política externa, incluindo no Conselho Europeu de Relações Exteriores e no Conselho Atlântico em Washington, D.C., anteriormente atuou como embaixador da Alemanha nos Estados Unidos.

Ele ressaltou que a preocupação mudou de um foco nas potências autoritárias e na decadência das democracias para uma nova inquietação sobre o quanto líderes totalitários estão dispostos a formar alianças. "Precisamos aceitar o fato de que existe, no mínimo, o potencial para uma espécie de aliança anti-Ocidental que está sendo construída para criar algum tipo de nova ordem global – uma que não é a que gostaríamos, mas uma que é mais baseada no poder e na força militar, promovendo regimes repressivos", declarou Ischinger.

Cúpula Virtual dos BRICS

Na segunda-feira, China, Índia e Rússia se reuniram novamente em uma cúpula virtual para os países do BRICS — um bloco que também inclui Brasil e África do Sul, e que tem sido alvo de críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por supostos "políticas anti-Americanas". Durante a cúpula, os representantes de cada nação criticaram o regime de tarifas da Casa Branca e discutiram modos de aprofundar os laços comerciais dentro da aliança.

Busca por uma Nova Ordem Mundial

Em um artigo publicado na segunda-feira, Seong-Hyon Lee, pesquisador sênior da Fundação George H. W. Bush para Relações EUA-China e associado de pesquisa do Centro de Estudos Asiáticos da Universidade de Harvard, alertou que aqueles que ignoram os laços fortalecidos entre Beijing, Coreia do Norte e Rússia, devido à ausência de uma aliança formal, estão subestimando a essência de uma parceria profundamente funcional.

"Os últimos eventos, incluindo a cúpula e o desfile, foram a manifestação pública de uma mudança profunda na postura estratégica da China: um profundo ‘desconexão psicológica’ do Ocidente", afirmou. Lee enfatizou que Beijing chegou à conclusão de que a reconciliação estratégica com Washington não é mais um objetivo viável e está agora ativamente em busca de uma nova ordem mundial.

Ele descreveu o "triângulo" formado por Xi, Putin e Kim como o núcleo do poder duro dessa nova postura. "O erro mais perigoso que Washington e seus aliados poderiam cometer é diagnosticar mal a natureza desse desafio", alertou. "Focar na falta de uma aliança formal é preparar-se para a última guerra, enquanto a ameaça se revela como uma rede flexível e adaptável, que opera nas costuras da lei internacional, explorando ambiguidade e negabilidade plausível."

A Natureza do Alinhamento

Evgeny Roshchin, pesquisador visitante do Centro Henry A. Kissinger para Assuntos Globais da Escola de Estudos Internacionais Avançados da Johns Hopkins, expressou dúvidas sobre a capacidade dessa aliança avançar além de sua forma atual. Segundo ele, a cúpula do SCO (Organização de Cooperação de Xangai) "não é, e provavelmente nunca será, uma aliança militar tradicional."

Roshchin destacou que as preocupações em relação às relações entre os países são "bem fundamentadas", especialmente pelo envolvimento da Rússia, dado que o comércio contínuo com Moscou está sustentando a economia de guerra russa. No entanto, ele observou que Pequim não se comprometeu a fornecer apoio militar à Rússia, e tanto a China quanto a Índia demonstraram desconforto com a retórica nuclear russa.

Ele concluiu que o que a cúpula revelou foi menos um bloco coeso do que uma reunião de estados com ambições distintas, capazes de alinhar-se taticamente em certos domínios, mas carecendo do comprometimento unificado que se esperaria sob um modelo de defesa coletiva, como o previsto pelo Artigo 5 da NATO. "A China … não parece disposta a forjar tal unidade", afirmou. Em vez de construir solidariedade política ou uma aliança baseada em valores compartilhados, Pequim promove um engajamento flexível e em múltiplos níveis, encorajando a cooperação onde os interesses convergem e permitindo espaço para o desengajamento em outros contextos.

Entretanto, Roshchin reconheceu que a China está considerando essas alianças como parte de uma estratégia de longo prazo, na qual pretende estabelecer um novo "pólo" para avançar seus interesses em plataformas multinacionais como as Nações Unidas. "Não é por acaso que o presidente Xi expressa consistentemente grande apoio à ONU", concluiu. "A influência desse novo pólo emergente poderia se traduzir em um apoio mais amplo para as posições chinesas na governança global."

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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