Ambipar registra valorização na bolsa
No dia 27 de setembro, a Ambipar (AMBP3) apresentou uma valorização expressiva em suas ações após obter decisões favoráveis na Justiça. Por volta das 10h55 daquele dia, os papéis da empresa tiveram um aumento de 23%, alcançando o valor de R$ 0,32.
É relevante destacar que a movimentação observada no preço das ações é característica comum entre aqueles ativos que estão cotados a preços significativamente baixos. Isso porque até uma pequena variação de valor pode provocar grandes flutuações, tanto para cima quanto para baixo.
Para ilustrar, uma oscilação de R$ 0,01 em uma ação que esteja cotada a R$ 0,10 representa uma variação de 10%. Em comparação, a mesma oscilação em uma ação que custa R$ 20 resulta em apenas 0,05% de alteração.
Desenvolvimentos recentes na Justiça
Na noite da última sexta-feira, a Ambipar comunicou que a 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro decidiu prorrogar a medida cautelar que suspende os pagamentos da companhia. De acordo com o comunicado oficial, essa prorrogação se estenderá “até que sejam esclarecidos determinados fatos considerados necessários pelo Juízo para que possa ser proferida uma decisão em relação ao processamento do pedido de recuperação judicial da Ambipar e de suas afiliadas.”
No contexto dessa situação, vale ressaltar que, na semana anterior, a empresa havia protocolado um pedido de recuperação judicial tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. A aceitação desse pedido pode proporcionar à companhia uma margem de manobra para estruturar um plano de pagamentos.
No fim de setembro, a Ambipar já havia alcançado na Justiça uma medida cautelar que suspendia as execuções e cobranças por um período de 30 dias, possibilitando uma prorrogação por mais 30 dias caso fosse necessário.
Reclamações de credores sobre o processo judicial
Os principais credores da Ambipar expressaram preocupações em relação à decisão da companhia de protocolar o pedido de recuperação judicial no Rio de Janeiro. Em um documento formal, eles argumentam que o site da empresa passou a incluir um endereço no Rio apenas em setembro, poucos dias antes de a medida cautelar ser autorizada pela 3ª Vara Empresarial da mesma cidade.
Os credores acusam a empresa de “forum shopping”, sugerindo que houve uma manobra para simular que seu principal estabelecimento se encontrasse nessa jurisdição, enquanto o verdadeiro centro decisório e operacional está localizado em São Paulo e Nova Odessa. Os defensores dessa posição incluem instituições financeiras como Banco ABC Brasil, Bradesco, Banco do Brasil, Santander, Sumitomo Mitsui e Itaú Unibanco.
Argumentos da Ambipar sobre a relevância econômica
Por outro lado, em seu pedido de recuperação judicial, a Ambipar defende que o critério de competência para a escolha do foro não deve se restringir ao local onde está situada a sede da holding, mas sim ser baseado no local que detém a maior relevância econômica e a maior geração de receitas para o grupo.
A empresa afirma que o entendimento sobre o local do principal estabelecimento deve levar em consideração onde se desenvolve a principal atividade econômica, e não apenas a sede formal registrada no contrato social. Segundo a companhia, suas subsidiárias mais ativas e lucrativas estão localizadas no Rio de Janeiro, especialmente aquelas relacionadas ao setor ambiental e à resposta a emergências.
A atividade principal da Ambipar, voltada para a resposta a emergências ambientais, é particularmente relevante no estado do Rio, notadamente em atividades ligadas à exploração de petróleo nas bacias de Campos e de Santos. No segundo trimestre de 2025, o segmento de Ambiente, que a empresa descreve como focado no “planejamento, gerenciamento e valorização de resíduos”, alcançou uma receita líquida de R$ 1,03 bilhão. Já o segmento de Resposta, que se ocupa da prevenção, gerenciamento e resposta a acidentes, gerou uma receita líquida de R$ 738,7 milhões.
Análise da situação financeira da Ambipar
De acordo com informações divulgadas pelo Brazil Journal, a maior parte da dívida da Ambipar consiste em bonds, ou seja, títulos de dívida emitidos no exterior. Além disso, a companhia possui debêntures que totalizam aproximadamente R$ 3 bilhões, e suas dívidas com instituições bancárias somam cerca de R$ 2 bilhões.
Entre os principais credores, destaca-se o Santander (SANB11), que possui uma exposição de R$ 663 milhões. Outros bancos também estão entre os credores significativos, contribuindo para uma situação de endividamento complexa.
Em declaração a um gestor que conversou com o Money Times, foi citado que a decisão de buscar a recuperação judicial poderia ser um grande erro. O profissional sugeriu que a empresa deveria ter considerado uma recuperação extrajudicial, destacando que existe um risco elevado de perda de contratos. A empresa estaria vivendo um momento de fragilidade, tendo vendido todos os seus equipamentos e passado a adotar a prática de aluguel. Essa mudança a colocaria em uma posição de desvantagem e facilmente substituível.
O gestor acrescentou que as dívidas da Ambipar não devem ter um impacto significativo sobre os bancos credores, considerando que a exposição está “pulverizada”. O provisionamento realizado já estaria em níveis suficientes para lidar com a recuperação judicial.
Fonte: www.moneytimes.com.br