Expectativas de Corte de Taxas pelo Federal Reserve
As possibilidades de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) estão novamente em pauta, com o mercado reavaliando as chances de uma diminuição nas taxas de juros até 2026, após os acordos de cessar-fogo entre os Estados Unidos, Israel e Irã.
Aumento das Chances de Corte
Na quarta-feira, a probabilidade de o Fed reduzir as taxas de juros até o final de 2026 aumentou em comparação com as expectativas do dia anterior. Acordos de cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irã foram alcançados na noite de terça-feira, antes do prazo estabelecido por Trump às 20h (horário de Brasília). A bolsa de valores reagiu positivamente, com o preço do petróleo caindo e as ações subindo.
De acordo com a ferramenta CME FedWatch, o mercado agora vê mais de 30% de chance de redução das taxas até o final do ano, um aumento em relação à taxa de aproximadamente 14% observada no dia anterior.
Expectativas de Cortes Contemporâneas
Os investidores, ao planejar 2026, aguardavam que o banco central dos EUA diminuísse as taxas ao longo do ano. Contudo, essas expectativas passaram a ser mais restritivas devido ao impacto histórico do choque do petróleo, resultante da guerra no Irã, que ressurgiu as preocupações inflacionárias.
A instituição Citi afirmou que, caso o acordo entre os EUA e o Irã se mantenha, o mercado poderá rapidamente reverter suas expectativas em relação a novos cortes nas taxas.
"Os cortes do Fed poderiam ser rapidamente precificados novamente se a desescalada mostrar-se duradoura", escreveram os analistas da Citi.
Dados Econômicos e Expectativas
A Citi também comentou que "qualquer fraqueza nos dados do mercado de trabalho, juntamente com uma inflação básica controlada, poderá fazer com que o mercado antecipe mais cortes". Os analistas esperam uma diminuição de 75 pontos base nas reuniões de setembro, outubro e dezembro deste ano.
A economista-chefe da KPMG, Diane Swonk, descreve a situação como "um dilema" para o Fed, já que as limitações econômicas ocasionadas pela guerra no lado da oferta estão restringindo a capacidade do banco central de lidar com a situação.
Joe Brusuelas, economista-chefe da RSM, qualificou o choque do petróleo causado pela guerra como um "pesadelo" para o Fed.
Pressão Inflacionária e Expectativas a Longo Prazo
Ed Yardeni, presidente da Yardeni Research, destacou que, para que o Fed ignore o choque nos preços da energia e considere as pressões inflacionárias associadas como transitórias, as expectativas de inflação a longo prazo devem estar bem firmadas.
O presidente do Fed, Jerome Powell, comentou que as expectativas inflacionárias estão efetivamente ancoradas, mesmo que choques estejam impactando a perspectiva de curto prazo.
Eric Diton, presidente e diretor executivo da Wealth Alliance, alertou que o mercado pode estar se precipitando ao precificar cortes nas taxas como uma reação imediata ao cessar-fogo.
"Embora este seja um desenvolvimento positivo, acreditamos que ainda é muito cedo para celebrar o fim desta guerra, nem para tirar conclusões sobre a política do Fed", afirmou Diton em entrevista ao Business Insider.
Impactos do Cessar-Fogo
Diton ponderou que, caso a guerra termine e o Estreito de Ormuz seja completamente reaberto, isso deverá resultar na redução dos preços da energia e nas expectativas inflacionárias, proporcionando ao Fed mais espaço para um possível corte nas taxas.
Apesar de o acordo ter aliviado as preocupações dos investidores, o contexto da situação parece ser mais complexo do que muitos podem aceitar.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, classificou o acordo como uma "trégua frágil". Já, na tarde de quarta-feira, a mídia iraniana reportou que o Irã interrompeu a passagem pelo Estreito de Ormuz novamente, em meio a ataques israelenses no Líbano.
Diton observou que Israel já teve várias tréguas na Gaza, mas esses acordos pouco têm feito para resolver o conflito a longo prazo. "É possível que possamos olhar para esta trégua da mesma forma", concluiu.
Fonte: www.businessinsider.com


