BID anuncia investimento superior a US$ 6 bilhões para a COP30

BID anuncia investimento superior a US$ 6 bilhões para a COP30

by Fernanda Lima
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Investimentos Anunciados pelo BID na COP30

Instrumentos financeiros no total de US$ 6 bilhões (aproximadamente R$ 32 bilhões) foram revelados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) durante a primeira semana da COP30. Esses instrumentos visam proporcionar maior escala e reduzir os riscos associados a investimentos.

Declarações de Ilan Goldfajn

Em entrevista à Broadcast/Estadão, o presidente do BID, Ilan Goldfajn, expressou um otimismo cauteloso em relação à direção que empresas e governos estão tomando. Contudo, ele reconheceu existir questionamentos sobre a velocidade na implementação de metas climáticas e no financiamento correspondente.

Ilan Goldfajn assumiu a presidência do BID em novembro de 2022. Na COP30, ele tem defendido uma mudança na abordagem quanto à destinação de recursos para questões climáticas. Ao invés de se concentrar apenas em doações, é necessário, em sua avaliação, ampliar a viabilidade de investimentos que sejam rentáveis voltados para a economia verde.

Principais Anúncios

Hedge Cambial de US$ 3,4 Bilhões

Foi assinado um acordo entre o BID e o Banco Central do Brasil (BC) que possibilitará até US$ 3,4 bilhões em hedge cambial. A finalidade dessa ação é, de acordo com o BID, reduzir o risco de moeda e atrair investimentos privados para projetos sustentáveis. O programa iniciará com o EcoInvest, que oferece instrumentos de proteção contra a volatilidade cambial.

Os benefícios serão direcionados a projetos estratégicos do ponto de vista econômico e ambiental, abrangendo áreas como indústria verde, recuperação de biomas e infraestrutura voltada para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

O arranjo segue os padrões da Associação Internacional de Swaps e Derivativos (ISDA), através do qual o BID fornecerá derivativos a longo prazo aos investidores. O BC brasileiro intermediará a conexão do banco com instituições locais, permitindo a oferta desses instrumentos a custos reduzidos, sem expor os balanços financeiros ao risco cambial.

Pró-Biomas BNDES

Uma carta de intenções foi assinada com o BNDES para estruturar um financiamento de US$ 1 bilhão destinado a micro, pequenas e médias empresas que operam em regiões como a Amazônia, o Cerrado, a Caatinga e o Pantanal. O objetivo do programa é ampliar o crédito para negócios urbanos e rurais focados na bioeconomia, agricultura sustentável e energia renovável, com cerca de 75% dos recursos direcionados ao bioma amazônico.

US$ 1 Bilhão para Cidades

O BID também destinará US$ 1 bilhão de financiamento para cidades situadas em países amazônicos, oferecendo condições vantajosas e um período de carência prolongado. Essa iniciativa faz parte de uma aliança de países da Pan-amazônia chamada "Infraestrutura Resiliente e Cidades". O projeto é parte do Programa Amazônia Sempre, apoiado pelo BID.

Na apresentação da proposta, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, destacou que a ideia surgiu a partir de discussões sobre a necessidade de um programa específico de médio e longo prazo para os países amazônicos, em diálogo entre a equipe técnica do BID e o Ministério de Planejamento e Orçamento.

O projeto se baseia em três pilares: segurança hídrica, energia limpa e infraestrutura urbana resiliente. A liderança está a cargo da Rede de Ministérios de Fazenda e Planejamento dos países amazônicos com apoio do BID. Esta abordagem busca responder à realidade de que mais de 70% da população amazônica reside em cidades que enfrentam déficits em água, saneamento, energia, mobilidade e gestão de riscos.

Energia Limpa – US$ 800 Milhões

Em colaboração com o Fundo de Impacto da Dinamarca, a Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norda) e a Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (Sida), o BID anunciou uma carta de intenções que deve possibilitar uma nova garantia, liberando cerca de US$ 800 milhões em capacidade de crédito adicional para projetos de energia limpa. Os programas beneficiados incluem Amazônia Sempre e América no Centro. A parceria visa financiar o acesso à energia, a modernização de redes, o transporte sustentável e tecnologias emergentes na Amazônia e na América Central.

Cabos Submarinos de Fibra Óptica

O BID, em parceria com o Grupo AFD da França, anunciou um cofinanciamento de US$ 324 milhões destinado à instalação de cabos submarinos de fibra óptica nos estados do Maranhão e do Pará. O objetivo deste projeto é levar internet de alta capacidade a cerca de 15 milhões de pessoas na Amazônia.

Segundo informações divulgadas, há previsão de criação de um data center regional, com a participação de governos estaduais e recursos não reembolsáveis provenientes da União Europeia. O projeto estabelece a primeira rede submarina transfronteiriça voltada para a Bacia Amazônica, promovendo inclusão digital, serviços públicos online e integração entre Brasil, Guiana Francesa e Europa.

Restauração Florestal na Amazônia

O Conselho de Diretores do BID aprovou a primeira garantia de um banco multilateral de desenvolvimento para um projeto de restauração florestal no Brasil. Essa garantia, no valor de US$ 15 milhões, apoiará a concessão relacionada à Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu, localizada no Pará, com duração de 20 anos.

O BID visa replicar essa iniciativa em outros estados. O objetivo é fornecer uma garantia ao governo do Pará, que, por sua vez, assume parte dos riscos associados a concessões para o setor privado em áreas de alta vulnerabilidade, propensas a desmatamento e incêndios. Este mecanismo é considerado inédito para a redução de riscos em parcerias público-privadas (PPPs) voltadas para o meio ambiente.

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Além das iniciativas mencionadas, o BID apresentou a Power Transmission Acceleration Platform (PTAP), visando expandir as redes de transmissão de energia na América Latina e no Caribe, contando com um suporte previsto de 15 milhões de euros da Alemanha, através da Iniciativa Internacional para o Clima. O BID, juntamente com o Ministério do Meio Ambiente e o BNDES, também firmou uma carta de intenções em Belém para viabilizar um aporte de R$ 2,7 bilhões (US$ 500 milhões) ao Fundo Clima.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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