A Volatilidade do Petróleo e a Transição Energética
A alta volatilidade do preço do petróleo, impulsionada pelas tensões existentes no Oriente Médio, tem colocado em evidência o debate sobre a segurança energética. Isso se reflete também na necessidade de transição para fontes alternativas de energia na indústria. Em um contexto de oscilações de preços e riscos geopolíticos, diversas empresas têm buscado maneiras de reduzir a dependência em relação aos combustíveis fósseis.
Declarações de Especialista
Em uma entrevista concedida ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o CEO da Combio, Carlos Martins, indicou que a transição energética deixou de ser uma questão meramente ambiental, tornando-se uma questão fundamental de competitividade. Martins argumenta que crises internacionais resultam em uma maior demanda por previsibilidade nos custos da energia que sustenta as operações industriais.
“Claramente, o que a indústria busca é a redução de imprevisibilidade,” enfatizou. O executivo detalhou que o Brasil, por meio da adoção de energias renováveis, é capaz de estabilizar custos e mitigar os riscos associados às flutuações do petróleo e do gás natural.
A Biomassa como Solução
Martins salientou a importância da biomassa nesse contexto. Ele mencionou que o Brasil possui um potencial natural significativo para o uso de fontes sustentáveis. À medida que os setores industriais, especialmente aqueles que demandam grandes quantidades de calor, adotam essa forma de energia de maneira crescente, a biomassa torna-se central na estratégia de redução de custos.
O CEO também observou que sua empresa opera em um modelo integrado que abrange a produção de biomassa, investimentos na transição energética e a operação de sistemas industriais. Essa abordagem, segundo Martins, auxilia as empresas a enfrentarem os desafios impostos pelos altos juros e pela volatilidade dos custos dos combustíveis fósseis.
Setores em Expansão
Ele identificou o agronegócio como líder neste movimento de transição, destacando também outros setores como papel e celulose, siderurgia, indústria química e produção de pneus, todos em crescimento no uso de biomassa. Para Martins, o Brasil já possui uma tradição consolidada no uso de energia térmica derivada de fontes sustentáveis.
Papel do Brasil no Cenário Global
O executivo analisou o papel do Brasil no panorama energético global, afirmando que o país já conta com uma significativa participação de fontes renováveis em sua matriz elétrica. Ele acredita que é possível ampliar a oferta de combustíveis sustentáveis, como etanol e SAF (Sustainable Aviation Fuel), sem comprometer a produção de alimentos.
Gás Natural e Descarbonização
Martins também comentou sobre o gás natural, observando que, embora seja menos poluente em comparação a outros combustíveis fósseis, ainda não resolve o desafio da descarbonização. Ele argumenta que a biomassa se destaca nesse cenário por representar uma fonte de energia que tem um menor impacto ambiental e um potencial significativo para expansão na indústria brasileira.
Fonte: timesbrasil.com.br