Potencial do Brasil na Produção de Combustível Sustentável de Aviação
O Brasil se apresenta como um país com condições favoráveis para se tornar uma potência global na produção de combustível sustentável de aviação (SAF, na sigla em inglês). Entretanto, ainda enfrenta desafios relacionados à infraestrutura, logística e custos que precisam ser superados para transformar esse potencial em uma liderança efetiva no mercado internacional. A análise foi feita por José Antônio Brasileiro, um empresário e especialista na área de viagens e aviação.
Vantagens Competitivas
Em uma entrevista ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, Brasileiro comentou que o Brasil possui vantagens competitivas que são difíceis de serem copiadas por outros países, principalmente devido à abundância de matérias-primas ligadas ao agronegócio.
“Embora os Estados Unidos detenham a patente e façam consideráveis investimentos nessa área, e a China também esteja avançando em tecnologia, o potencial do Brasil em combustíveis alternativos é bastante robusto. O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar, os produtos derivados do milho e outras matérias-primas impulsionam não apenas a aviação, mas diversos setores da economia”, ressaltou.
Reconhecimento Internacional e Protagonismo
De acordo com Brasileiro, o reconhecimento internacional do potencial brasileiro já está começando a se concretizar. Em uma reunião anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), realizada no Rio de Janeiro entre 6 e 8 de junho, a entidade destacou a capacidade que o Brasil tem de assumir um papel de destaque na produção de combustíveis sustentáveis.
“O Brasil tem tudo para assumir esse protagonismo, mas isso depende de vários fatores, especialmente de incentivos governamentais, que são amplamente oferecidos em outros países e ainda são limitados por aqui”, afirmou.
Estágio Atual da Produção de SAF
Apesar das perspectivas favoráveis, Brasileiro destacou que a produção de SAF no Brasil ainda está em fase inicial. Atualmente, os projetos mais avançados estão concentrados em iniciativas da Petrobras e em experiências realizadas no Aeroporto Internacional de Salvador, em colaboração com empresas como Vibra e diversas companhias aéreas que já iniciaram testes com o uso do combustível.
“O grande desafio é conseguir produzir em escala industrial. Hoje, o SAF custa entre duas a quatro vezes mais do que o querosene de aviação convencional. Enquanto a produção se mantiver em níveis baixos, será complicado aumentar sua utilização”, explicou.
Desafios Logísticos
Segundo Brasileiro, a viabilidade econômica do combustível sustentável está atrelada a melhorias estruturais no país. A logística aparece como um dos principais obstáculos que precisam ser superados para o desenvolvimento da cadeia produtiva.
“O maior gargalo se encontra no transporte desses insumos até as refinarias e, em seguida, aos aeroportos. O Brasil ainda não possui uma infraestrutura ferroviária adequada que possa suportar essa operação em larga escala”, alertou.
Eficiência Operacional do SAF
O especialista também abordou questionamentos sobre a eficácia operacional do SAF. Ele afirmou que experiências realizadas em outros países já demonstraram a segurança e a viabilidade do combustível.
“Em 2021, a United Airlines levou a cabo um voo experimental utilizando 100% de combustível sustentável em um dos motores da aeronave. A operação foi realizada de forma segura e sem intercorrências”, afirmou.
Benefícios Econômicos e Sustentabilidade
Além da significativa redução das emissões de carbono, Brasileiro crê que a expansão da produção de SAF pode trazer benefícios econômicos se traduzindo, futuramente, em ganhos para as companhias aéreas e seus passageiros.
“Estudos apontam que poderia haver uma economia de cerca de 1,5% por quilômetro voado. Imagine o reflexo disso para as empresas aéreas e, consequentemente, para os preços das passagens”, enfatizou.
Integração ao Setor Aéreo
Segundo Brasileiro, a produção local de SAF também poderia contribuir para a redução da exposição do setor aéreo às oscilações geopolíticas que impactam o mercado petrolífero.
“Atualmente, conflitos internacionais estão pressionando constantemente os preços do petróleo e do querosene de aviação. Se conseguirmos produzir combustível localmente em grande escala, teremos menos dependência dessas instabilidades, o que proporcionaria maior competitividade para as companhias aéreas brasileiras”, disse.
Perspectivas Finais
Apesar do otimismo em relação ao futuro do SAF no Brasil, Brasileiro pondera que a consolidação deste mercado depende de decisões políticas e de investimentos, tanto públicos quanto privados.
“Tudo ainda está muito na esfera teórica. É fundamental que os tomadores de decisão reconheçam o potencial desta indústria e os benefícios que ela pode oferecer a toda a economia. Outros países, mesmo com menos recursos naturais do que o Brasil, já estão investindo pesadamente nesta área”, concluiu.
Fonte: timesbrasil.com.br


