Suspeitas de Transferências de Fundos de Previdência
As transferências de R$ 3 bilhões do Rioprevidência para fundos de investimento relacionados ao Banco Master estão sob investigação da Polícia Federal (PF). Segundo os investigadores, essas operações dependiam da influência política do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do PL.
Mandado de Busca e Apreensão
Na manhã desta terça-feira, 26 de setembro, Cláudio Castro foi alvo de um mandado de busca e apreensão, parte da oitava fase da Operação Compliance Zero. Ele é suspeito de ter mantido um "vínculo próximo" e um “alinhamento político” com o banqueiro Daniel Vorcaro, conforme destaca a PF em seu pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A defesa de Castro não se manifestou publicamente sobre as ações da PF até a publicação deste artigo.
Papel Político de Cláudio Castro
O ministro do STF, André Mendonça, autorizou as diligências, ressaltando que Cláudio Castro desempenhou um papel relevante na facilitação dos investimentos do Rioprevidência no Banco Master. A PF ressalta que o "sincronismo" entre encontros entre Castro e Vorcaro coincidiu com os aportes financeiros do Regime Próprio de Previdência Social. Conversas no celular de Vorcaro indicariam que a liberação de certos investimentos estava atrelada a esse alinhamento político.
Investimentos do Rioprevidência
O Rioprevidência, que é o fundo de previdência dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro, destinou R$ 970 milhões em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Esta instituição foi liquidada pelo Banco Central e é suspeita de operar com créditos considerados de alto risco. Os títulos em questão são papéis de dívida que não possuem a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e servem como empréstimos de investidores ao banco.
A PF está investigando ainda aplicações de R$ 2,01 bilhões em fundos de investimento associados ao Banco Master, a partir de julho de 2024. Esses fundos são geridos por empresas que aplicam os recursos em uma diversidade de ativos financeiros, incluindo papéis emitidos pelo próprio banco. Quando somadas, as operações sob investigação totalizam cerca de R$ 3 bilhões transferidos pelo Rioprevidência.
Alinhamento Político e Vínculos Pessoais
De acordo com a PF, a atuação de Cláudio Castro não se limitou a contatos institucionais; teve também um vínculo pessoal estreito com o controlador do Banco Master. Este relacionamento seria caracterizado por encontros frequentes, inclusive em ambientes privados e fora do país, financiados pelo banqueiro, com uma elevada coincidência temporal em relação aos bilhões de reais investidos pelo Rioprevidência.
Esse relacionamento pessoal, segundo os investigadores, teria possibilitado o alinhamento político necessário para a liberação dos investimentos, bem como a nomeação estratégica de diretores do Rioprevidência para cargos-chave. Essas nomeações garantiriam que as decisões sobre o credenciamento e a aplicação de recursos previdenciários estivessem em conformidade com a política de investimentos e com as normas regulatórias, mas favorecendo os interesses do Banco Master.
Modificações na Diretoria do Rioprevidência
A Polícia Federal observou que houve mudanças na composição da diretoria do Rioprevidência pouco antes do início das movimentações de investimento no Banco Master. Além de Cláudio Castro, outras figuras foram alvos das diligências nesta terça-feira, como o lobista Ricardo Siqueira Rodrigues, o ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, e outros antigos diretores e gerentes vinculados ao fundo.
No total, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão, tanto no Rio de Janeiro quanto no Distrito Federal. A reportagem tentou contato com as defesas, que têm espaço para se manifestar sobre o caso.
Conclusões das Investigações da Polícia Federal
Para a PF, o "sincronismo" entre as reuniões e os investimentos, além da mudança de gestores dentro da diretoria do fundo, bem como a eliminação de etapas técnicas no processo decisório e a falta de justificativas formais para as operações, reforça a suspeita de que houve interferência política de Cláudio Castro nas aplicações do Rioprevidência.
É importante mencionar que esta é a segunda ocasião em um intervalo de 11 dias em que o ex-governador do Rio é alvo de busca e apreensão. No dia 15 de setembro, na Operação Sem Refino, que investiga as supostas ligações da gestão de Castro com o Grupo Refit, apontado pela Receita Federal como o maior sonegador de impostos do Brasil, a Polícia Federal apreendeu o celular e o tablet do ex-governador.
Fonte: www.moneytimes.com.br


