CEO da American Airlines apresenta plano para reduzir a diferença de lucro de $3 bilhões.

CEO da American Airlines apresenta plano para reduzir a diferença de lucro de $3 bilhões.

by Patrícia Moreira
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O Desafio de Robert Isom

Contexto Atual da American Airlines

Robert Isom, CEO do American Airlines Group Inc., enfrenta um dilema significativo em sua posição. A companhia aérea opera aproximadamente 6.500 voos diários em 2025, o que representa um volume de atividades quase equivalente ao total da Alaska Airlines, o que a coloca como uma das líderes do setor. Apesar desse número expressivo, a diferença de lucro da American em relação a suas concorrentes tem crescido. A United Airlines, por exemplo, arrecadou cerca de US$ 3 bilhões a mais que a American no ano passado, enquanto a Delta Air Lines, líder de lucro nos Estados Unidos, obteve quase US$ 5 bilhões a mais.

As Aspirações da American

Em uma entrevista exclusiva ao CNBC no final do mês passado, Isom ressaltou que a American, junto a seus quase 140.000 funcionários, almeja ser "a melhor em tudo que fazemos". Ele afirmou que o "plano de longo prazo da companhia certamente está abrangendo a diferença de margem", mas não especificou um prazo para alcançar esse objetivo.

Nas reuniões que mantiveram na sede da empresa, executivos de alto escalão da American apresentaram novas iniciativas, incluindo lounges maiores e mais luxuosos, um novo pedido de aeronaves de fuselagem larga, e a renovação de interiores de sua frota de voos de longa distância, com o intuito de atrair consumidores dispostos a gastar mais.

Isom definiu a identidade da companhia como "uma linha aérea premium global com a maior presença na América do Norte".

Desafios para Aumentar a Receita

A American Airlines enfrenta uma série de decisões que precisam ser tomadas rapidamente para diminuir essa lacuna de lucro. Um dos maiores desafios é conseguir que os clientes estejam dispostos a pagar mais pelos voos, algo que a Delta e a United têm se concentrado há alguns anos.

Apesar de a American ser proficientemente eficiente, o CFO Devon May destacou que "o que vamos medir ao longo do tempo é: Estamos fechando essa lacuna de receita e a lacuna de receita por unidade?”.

Foco em Cabines, Aeronaves e Lounges

Expansão do Programa de Fidelidade

Os executivos da companhia reiteraram que o plano da American enfatiza o crescimento de seu programa de fidelidade, a melhoria da experiência do cliente, a expansão da rede e o incremento da receita de alto valor.

As projeções indicam que a companhia deverá registrar um lucro de 64 centavos por ação este ano em uma base ajustada, um aumento de quase 80% em relação ao ano anterior, segundo estimativas de analistas. Um prognóstico atualizado será divulgado na próxima quinta-feira, quando a companhia apresentar os resultados do segundo trimestre.

Desempenho do Setor

Neste mês, a United e a Delta relataram que as reservas continuam fortes. O aumento repentino nos preços dos combustíveis teve um impacto misto sobre o setor: a alta inesperada, decorrente da guerra no Irã, pegou as companhias aéreas de surpresa, embora elas estejam transferindo mais desses custos aos viajantes. Os executivos não esperam uma queda acentuada nas tarifas em um futuro próximo.

O mercado de ações permanece confiante de que a American continuará sua trajetória de melhora, prevendo um aumento de quatro vezes nos lucros ajustados até 2027, atingindo R$ 2,58 por ação.

Reformas de Cabines e Novos Planos

A American está atualmente remodelando cabines em toda a sua frota e recebendo novas aeronaves que incorporam amenidades atualizadas e mais assentos premium. Os executivos mencionaram que estão considerando, mas ainda não decidiram, a reintegração de telas individuais nos assentos da maior parte de sua frota de fuselagem estreita. Recentemente, a American também passou a oferecer Wi-Fi via satélite com a tecnologia Starlink da SpaceX.

Os clientes que estão dispostos a pagar mais por assentos premium ou outros benefícios, como o acesso aos lounges, representam um ponto positivo para a indústria. Companhias como a Delta e até a extinta Spirit Airlines têm tentado atrair esses viajantes, já que as linhas aéreas estão em busca de instalar novos assentos, que embora pequenos, são altamente lucrativos.

Isom informou ao CNBC que o trabalho para renovar as cabines também se expandirá aos Boeing 787-8 Dreamliners da American. As cabines reformadas de seus maiores aviões, os 777-300ER, podem ser lançadas nas próximas semanas, e cada assento-cama na classe executiva pode gerar quase US$ 10.000 em algumas rotas internacionais de longa distância, em comparação a valores inferiores a US$ 2.000 por assento na parte de trás da aeronave.

Desafio nos Níveis de Serviço

O sindicato de comissários de bordo expressou preocupações sobre a manutenção dos altos padrões de serviço, à medida que a classe executiva com 70 assentos será introduzida. A American tem eliminado aeronaves com classes separadas de primeira e executiva. Julie Hedrick, presidente da Associação de Comissários de Bordo Profissionais, afirmou que, ao introduzir as suítes de negócios e comercializar uma experiência internacional premium, a companhia está contando com um número reduzido de comissários de bordo para oferecer um serviço significativamente mais personalizado.

Investimentos em Lounges

Como um atrativo adicional para os viajantes premium, Heather Garboden, Chief Customer Officer da companhia, informou que a American Airlines planeja construir o maior lounge Admirals Club em sua rede, que terá uma extensão de 3.400 metros quadrados, na sua base do Aeroporto Internacional de Dallas Fort Worth.

No terminal F, atualmente em construção nesse aeroporto, a companhia também planeja um lounge grab-and-go Provisions e uma área de check-in Flagship no terminal D. O aeroporto, o maior hub da American, está passando por uma reforma de R$ 12 bilhões, e a companhia recentemente revelou novos portões no terminal C, que será expandido.

Embora a United tenha cerca de uma década de vantagem no atendimento a passageiros de alto poder aquisitivo, e a Delta duas décadas, a American busca intensificar seus investimentos nesse segmento.

A Trajetória de Isom

Experiência e Ascensão

Robert Isom, um engenheiro mecânico de formação, começou sua carreira na aviação com um voo aos quatro anos de idade. Ascendeu nas fileiras da Northwest Airlines e da America West Airlines, que, através de fusões, se tornaram a atual Delta e American, respectivamente.

O setor aéreo é um dos mais isolados, em parte devido ao conhecimento técnico crítico necessário para operar milhares de aviões diariamente. Por isso, as companhias aéreas geralmente não contratam profissionais de outras indústrias, especialmente em cargos de alta gestão.

Desafios e Estratégia de Melhoria

Isom assumiu a liderança da American em março de 2022, após a companhia ter sido severamente impactada pela pandemia. “Nunca me deixei abalar, não importa os desafios que enfrentamos”, declarou.

Ele assumiu em um trimestre em que a American registrou uma perda de US$ 1,6 bilhão. Isom mencionou estar ciente dos desafios enfrentados pela indústria, que já passou por ataques terroristas, crises financeiras, falências, fusões, guerras e pandemias.

De acordo com dados da Cirium, a American ocupou a sexta posição entre 11 companhias aéreas dos Estados Unidos em pontualidade na primeira metade do ano, com uma taxa de 76,6%. Sob a liderança de Isom e do COO David Seymour, a companhia está trabalhando para melhorar essa taxa, dispersando seu cronograma, em vez de concentrar voos conectivos em seus principais hubs, além de usar inteligência artificial para prever problemas de manutenção.

Dívidas e Expectativas

Os lucros da companhia ainda são impactados por uma dívida de US$ 35 bilhões, embora a American tenha reduzido essa quantia desde um pico de cerca de R$ 54 bilhões após a pandemia, com a melhoria do balanço sendo uma prioridade. Dennis Tajer, porta-voz da Associação de Pilotos Aliados, observou que a empresa é "um gigante com uma limitação".

Mudança na Cultura de Serviço

A percepção da marca e a melhoria do serviço podem levar tempo, especialmente em um cenário onde os passageiros estão muitas vezes restritos devido ao domínio das grandes companhias aéreas nos principais aeroportos. A mudança da cultura de serviço, embora difícil, não é impossível, segundo Jay Barney, professor de gestão estratégica.

Aeronaves de Fuselagem Larga

Futuro da Frota

Enquanto a American busca se posicionar em um mercado premium, Isom declarou que os índices de satisfação dos clientes têm aumentado. O Chief Commercial Officer Pieper, veterano do setor, afirmou que a demanda é robusta em várias frentes.

O plano para aquisição de novas aeronaves de fuselagem larga é fundamental para a próxima fase da companhia, com um pedido em andamento para este ano, envolvendo tanto a Boeing quanto a Airbus.

A frota da American, que inclui mais de 1.000 aeronaves, é a mais jovem entre as três maiores companhias aéreas dos EUA, em parte devido a um pedido realizado há cerca de 15 anos por novas aeronaves de fuselagem estreita da Boeing e Airbus. Contudo, dezenas de seus modelos Boeing 777 de fuselagem larga têm mais de duas décadas.

Isom ressaltou que a atualização das aeronaves mais antigas, como os Boeing 777-200, é uma prioridade, e a companhia está em busca de novos modelos, considerando que a Airbus pode desempenhar um papel relevante nesse novo pedido.

Rumores de Fusões

Visão para o Futuro

Em contraposição a especulações sobre fusões, Isom indicou que uma fusão com a United não é uma opção viável no momento. O CEO da United, Scott Kirby, sugeriu uma fusão, proposta que a American prontamente negou. Isom esclareceu que, dadas as circunstâncias históricas e legais, a ideia não tem aceitação entre as partes interessadas.

Atualmente, a United se beneficia de uma parceria com a JetBlue, obtendo slots no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, e Isom destacou que a American está comprometida em se concentrar em suas oportunidades enquanto explora como servir melhor seus clientes.

Por enquanto, Isom permanece firme em sua determinação de direcionar a nova fase da American, sentindo-se atraído pelo setor pela oportunidade de fazer a diferença.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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