Christian Levin, CEO da Scania, demonstrou otimismo a respeito do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia em uma entrevista exclusiva ao CNN Money. O executivo ressaltou que a principal vantagem desse pacto será o aumento da competitividade para as empresas atuantes em ambos os mercados.
Levin expressou contentamento com o avanço nas negociações, afirmando: “Estou muito feliz que finalmente existe um acordo na mesa.” Contudo, ele lamentou que o Parlamento Europeu tenha transformado a questão em uma disputa judicial, o que pode atrasar a implementação do acordo. Mesmo assim, mantém a esperança de que, em alguns anos, será possível dizer que “valeu o esforço”.
Para a Scania, que possui forte presença tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, o executivo destacou os benefícios econômicos que o acordo pode proporcionar: “A principal vantagem desse acordo é que nos tornaremos mais flexíveis e mais competitivos, beneficiando as economias, tanto na Europa quanto no Brasil.” Segundo Levin, um aumento na competitividade se traduz em maior fabricação, mais investimentos e mais empregos, beneficiando todos os países envolvidos.
Redução de Tarifas e Impacto no Custo Total de Propriedade
Quando questionado sobre como a redução de tarifas sobre baterias e semicondutores afetará o custo total de propriedade (TCO) de veículos elétricos produzidos no Brasil, Levin respondeu de forma clara: “Nada que reduz o custo dos produtos em um contexto competitivo levará automaticamente à redução de custos para os usuários.” Ele explicou que os clientes eventualmente pagarão menos, o que tornará os produtos mais competitivos.
O executivo mencionou que, para alguns setores, o acordo prevê um período de até 20 anos para a eliminação total das tarifas. No que diz respeito a novas tecnologias, como baterias e componentes elétricos, esse prazo seria de aproximadamente sete anos. “Isso tornará o Brasil mais competitivo em relação à Europa. Não há dúvida sobre isso”, afirmou Levin.
Competitividade em Relação à China
Em relação à competição com a China, Levin reconheceu o desafio imposto pelo país asiático, que se apresenta como “hipercompetitivo em muitas áreas”. Ele explicou que a competitividade não depende apenas de tarifas, mas é influenciada por uma gama de fatores: “Trata-se de pesquisa, do modo como alocamos os recursos do país. É sobre engenharia, habilidades, atração de investimentos e sobre o ecossistema em geral”.
O CEO da Scania ainda ressaltou que a empresa mantém uma presença na China para aprender diretamente com o mercado local e participar de programas de pesquisa e desenvolvimento. “A China encontrou um modelo que devemos reconhecer, pois está criando empresas muito competitivas”, concluiu, enfatizando a importância de estar presente em mercados estratégicos, da mesma forma que a Scania já realiza no Brasil há 70 anos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

