Inadimplência no agronegócio deve agravar-se, prevê BTG; CEO do BB indica mudança de tendência à vista.

Inadimplência no agronegócio deve agravar-se, prevê BTG; CEO do BB indica mudança de tendência à vista.

by Ricardo Almeida
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Análise de Inadimplência no Agronegócio do Banco do Brasil

O BTG Pactual considera que a inadimplência no setor do agronegócio, relacionado ao Banco do Brasil (BBAS3), pode apresentar um aumento no curto prazo. Isso ocorre mesmo em meio à perspectiva mais otimista da CEO Tarciana Medeiros, que enxerga um ponto de inflexão para o segundo semestre de 2026.

Situação Atual da Carteira

De acordo com a avaliação do banco, a maior parte da carteira relacionada ao agronegócio, cerca de 94% a 95%, continua adimplente. Isso resulta em uma taxa de inadimplência que varia entre 5% e 6%. Embora esse patamar esteja elevado em comparação aos níveis observados nos anos anteriores, ele ainda é inferior ao registrado por instituições concorrentes, como a Caixa Econômica Federal, que reportou uma taxa de 14,1% no quarto trimestre de 2025.

Desafios Para o Setor

Apesar da taxa atual de inadimplência, a equipe do BTG Pactual sugere que a deterioração da qualidade do crédito ainda não atingiu seu ápice. A instituição aponta diversos fatores que podem contribuir para essa preocupação:

  • Aumento nos Custos: A elevação dos preços do diesel e fertilizantes, especialmente diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
  • Desvalorização do Real: Essa situação tende a pressionar as margens de lucro dos produtores, principalmente durante a próxima safra.

Visão da CEO do Banco do Brasil

Em uma entrevista concedida ao programa Roda Viva em fevereiro, a CEO Tarciana Medeiros enfatizou que os problemas enfrentados pelo setor agro são cíclicos e não estruturais. Ela refutou a ideia de uma crise generalizada e argumentou que os estresses recentes resultam de uma combinação de fatores específicos, que incluem:

  • Maior Alavancagem: O aumento da alavancagem financeira, que ocorreu durante o ciclo de juros baixos.
  • Aumento nos Insumos: A elevação nos preços de insumos após a Guerra entre Rússia e Ucrânia.
  • Safras Fracas: O desempenho insatisfatório das safras em determinadas regiões.
  • Queda nos Preços das Commodities: A diminuição nos preços das commodities agrícolas, que afeta a renda dos produtores.

Expectativas Futuras

Medeiros também indicou que o ano de 2025 deverá ter sido o período mais crítico em termos de pressão sobre o setor, prevendo uma melhoria gradual ao longo de 2026, com uma mudança de cenário mais visível a partir do segundo semestre.

Medidas de Apoio ao Setor

Ademais, a implementação de medidas que promovem a reestruturação das dívidas, como a Medida Provisória 1314, já possibilitou a reorganização de aproximadamente R$ 5 bilhões em créditos. Essa ação é crucial, pois permite que os produtores recuperem sua capacidade de pagamento e tenham acesso a novas linhas de crédito do Plano Safra.

Conclusão Sobre o Cenário Atual

O atual cenário mistura ainda uma pressão significativa no curto prazo com uma perspectiva de normalização à frente. Essa dinâmica faz do agronegócio uma variável central na trajetória de resultados do Banco do Brasil nos próximos trimestres.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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