CFO revela tudo sobre dividendos, ROE acima de 20% e perspectivas para os setores de saúde e bancário.

CFO revela tudo sobre dividendos, ROE acima de 20% e perspectivas para os setores de saúde e bancário.

by Ricardo Almeida
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Transformação Estratégica da Porto

Em entrevista ao Money Times, o CFO da Porto, Celso Damadi, explicou a recente transformação na estratégia da empresa, que passou de uma seguradora com enfoque principal em automóveis para um ecossistema diversificado.

Estrutura Organizacional

A estrutura atual da Porto é segmentada em quatro verticais principais: seguros, saúde, banking e serviços. Conforme observado por Damadi, embora a divisão voltada para automóveis continue sendo beneficiada pela melhoria da frota nacional, são as verticais de saúde e banking que estão impulsionando o crescimento da companhia, com taxas anuais superiores a 20%.

Objetivo da Diversificação

Esta diversificação foi adotada com o intuito de assegurar a perenidade dos resultados e um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) robusto, o que permite à Porto manter a sua rentabilidade mesmo diante de um contexto de queda nas taxas de juros.

Dados Financeiros da Porto

Raio-X da Porto
Valor de mercadoR$ 31,2 bilhões
Valorização em 5 anos170,57%
Valorização em 20260,77%
P/L médio em 5 anos9,57
ROE médio em 5 anos17,29%
Dividend yield média em 5 anos5,35%

Fonte: TradeMap e B3, até 27/03/2026

Desempenho do ROE e Ações

A Porto tem se destacado recentemente por seu ROE elevado, que superou 20% nos meses recentes. Na média entre 2021 e 2025, o ROE foi de 17,29%.

Conforme Anahy Rios, analista do Santander, “o ROE deve se manter em torno de 20%, embora esteja atualmente em um nível máximo. Nos próximos anos, deve convergir para outros patamares, mas sem cair abaixo de 20%”.

Ao contrário de concorrentes na B3, como BB Seguridade (BBSE3) e Caixa Seguridade (CXSE3), a Porto oferece um pacote diferenciado ao investidor, que combina um ROE resistente à redução das taxas de juros, um significativo potencial de crescimento da operação e das ações, além de dividendos moderados e uma estratégia ativa de recompra de ações.

Esse modelo tem mostrado resultados positivos. Um relatório do TradeMap revela que, nos últimos cinco anos, as ações PSSA3 apresentaram valorização de 170,29%, superando o Ibovespa, que subiu 55,38% no mesmo período. O desempenho das ações da Porto também superou as valorização da CXSE3 (+162,88%) e BBSE3 (+120,74%).

Dinâmica Financeira com as Taxas de Juros

Tradicionalmente, as seguradoras têm uma relação benéfica com as taxas de juros. Os lucros tendem a ser impactados pela receita operacional em cenários com juros baixos, enquanto uma Selic elevada pode gerar maior receita financeira. A redução na taxa básica de juros geralmente leva à diminuição das receitas financeiras.

Na BB Seguridade, uma queda de 1 ponto percentual na Selic resultaria na perda de R$ 100 milhões em lucros. No entanto, segundo Damadi, na Porto a dinâmica é diferente.

“Se não adotassemos medidas para proteger nossa receita financeira, meu lucro diminuiria R$ 80 milhões caso os juros caíssem. Mas a Porto já se preparou para essa nova realidade de Selic em 2026, o que significa que não enfrentaremos uma redução de lucros, mas sim um aumento na receita financeira nominal”, explica o executivo.

Segundo ele, isso se deve ao fato de que a receita financeira da Porto está mais ligada à inflação (IPCA) do que à Selic. Além disso, a companhia utiliza uma forma de precificação para atenuar os efeitos da queda nas taxas de juros.

“Em 2025, rolagem de dívidas de cerca de R$ 2 bilhões foi efetuada para garantir juros mais baixos em 2026 e 2027, minimizando impactos negativos aos nossos negócios”, observou Damadi.

Conforme o CFO, a seguradora planeja suas operações com base em um horizonte de 12 a 18 meses, mantendo prêmios retidos para criar um equilíbrio financeiro. Quando a receita financeira diminui, a Porto busca reduzir a sinistralidade (uso dos planos) para compensar essa redução, e o inverso também é válido.

Projeções para 2026

Por isso, Damadi projeta para 2026 uma receita financeira superior à de 2025, mesmo com a expectativa de uma Selic mais baixa. Para 2027, espera-se que esse ganho diminua no aspecto nominal, a menos que seja compensado. “Durante o governo Dilma, com os juros a 2%, a Porto apresentou um ganho financeiro de 8%”, lembra o executivo.

Esses fatores respaldam a estimativa (guidance) da seguradora de alcançar uma receita financeira entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,8 bilhão em 2026. O intervalo, conforme Damadi, dependerá da velocidade com que o Banco Central realizará os cortes de juros e da taxa de sinistralidade.

Rentabilidade Ideal

Embora um ROE elevado seja desejável, Damadi admite que preferiria não manter um índice de 23% nos próximos anos, pois isso implica um custo de capital elevado, na faixa de 16% a 17%.

Segundo o CFO, com a redução nas taxas de juros, o custo do capital da Porto também se tornaria mais acessível. “Um ROE de 21%, associado a custos de capital entre 12% e 13%, é mais atraente do que um ROE de 23% com custos de 17%”, defende ele.

Essa abordagem se justifica pela expectativa de que um custo de capital mais baixo fomente o crescimento econômico, facilitando aquisições por parte dos consumidores, como a compra de veículos e a contratação de novos seguros. Damadi aponta que o ROE historicamente tem sido de 140% a 150% do custo de capital. “Um ROE de 15% seria interessante para os acionistas, enquanto um de 21% seria extremamente atrativo”, pondera.

Regis Chinchila, responsável pela pesquisa na Terra Investimentos, acredita que mesmo com a normalização da Selic, a Porto poderá manter um ROE em torno de 20% no longo prazo, impulsionado pela expansão do setor de saúde e pelo cross-sell (venda de produtos complementares) dentro do ecossistema da companhia.

A digitalização e a eficiência do Porto Bank, juntamente com uma melhor gestão de risco, também contribuem para o ROE. “A expectativa é de que o ROE estrutural fique entre 19% e 22% nos próximos cinco anos, o que é elevado para o setor”, conclui o analista.

Menos Enfoque em Automóveis, Mais em Saúde e Banking

Damadi observa que a redução nas taxas de juros vai beneficiar a vertical de automóveis da Porto, promovendo uma melhoria na frota de veículos nacional e aumentando o tíquete médio da seguradora. Embora a divisão de automóveis continue a representar parte significativa da receita da Porto, as verticais de saúde, bancos e serviços estão ganhando destaque.

“Em 2025, houve um acréscimo de 250 mil clientes na carteira de automóveis, mas as verticais de banking e saúde apresentam crescimento acima de 20% por ano”, afirma ele. O Porto Saúde atingiu 831 mil vidas seguradas até dezembro de 2025, e o objetivo é ultrapassar 1 milhão até 2027.

Apesar de sua participação de mercado ser menor em comparação a outras empresas, analistas reconhecem que a Porto Saúde se consolidou como a principal vertical de crescimento da seguradora. “Trata-se de um modelo fechado que não visa a liderança de mercado, mas o crescimento permanece robusto”, destaca Anahy Rios, do Santander.

Referente ao Porto Bank, o CFO ressalta seu potencial de crescimento, especialmente alicerçado no conhecimento dos fluxos de pagamento e no poder de crédito da base de fornecedores da empresa.

“Estamos perto de 1 milhão de contas abertas, avaliando crédito de pessoas jurídicas entre fornecedores, e impulsionando financiamentos para compras de veículos com garantia. O potencial de crescimento nesta área é muito mais atraente nos próximos anos em comparação a Porto Saúde e Porto Serviços”, afirma Damadi.

Possibilidade de Abertura de Capital das Verticais

O CFO acrescenta que tanto na Porto Saúde quanto na Porto Serviços, a seguradora sempre se mostrou aberta a parcerias que possam gerar capital para fortalecer o crescimento, além de potenciais fusões e aquisições. A abertura de capital (IPO) de tais verticais também não está fora de cogitação.

Até agora, a Porto fez o registro do IPO dessas verticais na CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o que a preparou para aproveitar boas oportunidades futuras. No entanto, Damadi esclarece que isso não é uma prioridade para 2026.

“Nosso capital atual nos permite crescer, e não há pressa em realizar esse movimento sem refletir a fundo. Isso pode ocorrer no próximo ano ou até em 2028”, destaca ele. Paralelamente, Rios, do Santander, acredita que um IPO de uma vertical não deverá acontecer até este ano.

Dividendos

Ao contrário da Caixa Seguridade e da BB Seguridade, que tradicionalmente distribuem entre 80% e 90% de seus lucros aos acionistas sob a forma de dividendos, a Porto planeja manter um payout (porcentagem do lucro destinada a proventos) mais moderado, que será combinado com uma estratégia de recompra de ações e a manutenção de uma reserva de caixa para investimentos e crescimento.

“Nossa meta é estabilizar um payout em 55%, mas isso depende do nosso apetite por compras, crescimento, fusões e aquisições”, explica Damadi. Para ele, o cenário ideal seria manter esse índice combinado com recompra de ações, aumentando a atratividade do lucro por ação.

Damadi descarta a possibilidade de dividendos extraordinários para 2026 e menciona que a companhia está planejando distribuir dividendos duas vezes ao ano, nos meses de abril e novembro, após perceber uma demanda dos acionistas por maior previsibilidade. “Aqueles que optam pela Porto sabem que se trata de uma empresa cujo foco é a perenidade e solvência, mas que também distribui dividendos satisfatórios”, ressalta.

Conforme os analistas consultados, os dividendos ainda se mostram modestos e não têm grande destaque no mercado, projetados entre 5,50% e 7% para 2026. A maioria sugere observar as ações como uma estratégia de crescimento em vez de uma fonte principal de renda passiva.

Dividend yield projetado para 2026Preço-teto de compraPreço-alvoRecomendaçãoQuem recomenda
5,90%R$ 55NeutroSantander
5,50%R$ 53,50R$ 63CompraVG Research
6% a 7%R$ 52R$ 60CompraTerra Investimentos

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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