China: A Principal Vencedora das Tarifas Impostas pelos EUA

China: A Principal Vencedora das Tarifas Impostas pelos EUA

by Fernanda Lima
0 comentários

Decisão da Suprema Corte dos EUA e suas Implicações

A recente decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que anulou as tarifas globais implementadas pelo presidente Donald Trump gerou incertezas para muitos dos principais parceiros comerciais do país, além de beneficiar seu maior concorrente econômico, a China.

Contexto da Decisão

Este revés à agenda comercial do presidente americano ocorre a poucos dias de sua importante reunião com o líder chinês Xi Jinping, marcada para uma cúpula de três dias em Pequim. Durante esse encontro, assuntos prioritários serão discutidos, incluindo comércio, tecnologia e a questão de Taiwan.

As tarifas, que têm sido uma ferramenta central nas negociações econômicas de Trump com outras nações, foram contestadas. No dia 27, os juízes da Suprema Corte determinaram que o presidente havia superado sua autoridade ao utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor tarifas a quase todos os seus parceiros comerciais, incluindo a China.

Após o resultado do julgamento, Trump reagiu rapidamente, tentando reimplementar tarifas globais de 15% por meio de outra legislação comercial, que são provisórias e precisam da aprovação do Congresso após 150 dias.

Repercussões na China

Com o mundo observando ansiosamente as possíveis consequências das novas tarifas, a China se destacou como um dos principais beneficiários das reduções. A decisão da Suprema Corte retirou um dos principais instrumentos de influência dos Estados Unidos sobre Pequim.

Hu Xijin, comentarista nacionalista e ex-editor-chefe do Global Times, expressou que o atual cenário, já delicado entre os Estados Unidos e a China, favorece a posição dos chineses, que agora mantêm vantagens estratégicas.

Além disso, a mais recente reviravolta no cenário comercial também parece reforçar a decisão da China de retaliar as tarifas impostas pelos EUA com medidas semelhantes, lhe concedendo um maior poder de negociação para a cúpula com Trump.

A Vantagem da China

Desde o início da guerra comercial promovida por Trump em 2018, a China implementou estratégias para mitigar o impacto das tarifas. O país diversificou suas fontes de produtos essenciais, como milho e soja, e passou a impor suas próprias tarifas sobre as importações dos Estados Unidos.

Um indicativo do crescente poder da China sobre a economia global é o superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão obtido no ano passado, o que indica uma mudança nas cadeias de exportação do país.

Enquanto nações como Japão e Coreia do Sul se esforçavam para negociar acordos comerciais com os Estados Unidos em troca de tarifas mais baixas, a potência exportadora que a China se tornou permitiu que mantivesse sua posição, apesar das tensões comerciais.

Entre as várias táticas comerciais, Pequim destacou-se ao restringir as exportações de minerais raros e ímãs, pressionando Washington a ceder em suas negociações. A China detém uma posição dominante no processamento global de terras raras, materiais fundamentais para produtos variando de eletrônicos a armamentos avançados, como os caças F-35.

Na última segunda-feira, o governo chinês anunciou que está realizando um estudo detalhado sobre a decisão da Suprema Corte e acompanhando de perto qualquer nova ação que Trump possa implementar em relação às tarifas, sempre com a proteção de seus interesses nacionais em mente.

Reação do Governo Chinês

O Ministério do Comércio da China afirmou que "os fatos têm demonstrado repetidamente que a cooperação traz benefícios tanto para a China quanto para os EUA, enquanto o conflito gera prejuízos para ambos". A declaração foi feita em um comunicado oficial.

O encontro de Trump com Xi, programado para o dia 31 de março, será a primeira visita de um presidente dos EUA a Pequim desde 2017. Esse evento tem o potencial de influenciar as relações entre os dois países durante o restante do mandato de Trump. Atualmente, o equilíbrio de poder, que Pequim se referiu como "intimidação unilateral", parece indicar uma mudança significativa em favor da China.

Impacto das Novas Tarifas

As novas tarifas foram vistas como uma redução do ônus econômico para a maioria dos países asiáticos, mas de acordo com Julian Evans-Pritchard, chefe de economia da China na Capital Economics, "o maior beneficiado é a China". Ele observou que, mesmo que o país ainda enfrente tarifas mais altas do que outros da região, essa discrepância diminuiu.

Em um relatório divulgado recentemente, economistas do Morgan Stanley projetaram que as tarifas médias ponderadas sobre produtos chineses cairão de 32% para 24%.

O governo Trump poderá considerar outras maneiras de impor tarifas à China, como invocar novos trechos da legislação comercial fundamentadas em práticas comerciais desleais ou preocupações com segurança nacional. No entanto, a decisão da Suprema Corte indica que as tarifas americanas sobre a Ásia "provavelmente atingiram o pico", segundo as análises de especialistas.

Esses acontecimentos, especialmente com a proximidade da visita de Trump à China, reforçam a ideia de que a trégua comercial entre os dois países continua a ser uma questão delicada.

Enquanto a cautela é a abordagem adotada pelas autoridades em Pequim, analistas e acadêmicos estão considerando essa decisão como um golpe significante para Trump, que poderá enfrentar novas demandas das empresas em busca de reembolso das tarifas pagas no último ano.

Cui Fan, um especialista em comércio ouvido em uma discussão na mídia estatal CCTV, mencionou que a China está disposta a considerar mudanças em suas políticas comerciais se os EUA decidirem cancelar tarifas. No entanto, ele também ressaltou que medidas de resposta podem ser adotadas caso Washington implemente novas tarifas utilizando outras regulamentações.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy