Como poderia ser uma intervenção dos EUA no Irã enquanto Trump avalia opções

Como poderia ser uma intervenção dos EUA no Irã enquanto Trump avalia opções

by Editoria Bolsa e Mercado
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Protestos e a Reação dos EUA

Londres, Inglaterra – Em 11 de janeiro de 2026, manifestantes participam de um protesto em solidariedade aos protestadores no Irã.

Intervenção Possível

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está se preparando para uma possível intervenção no Irã, diante da violenta repressão aos protestadores, com relatos de várias centenas de mortos e o corte de acesso à internet no país. Segundo o The Wall Street Journal, as próximas etapas podem incluir o fortalecimento de fontes de oposição ao governo, ataques cibernéticos a locais militares e civis iranianos, a imposição de sanções mais severas ao regime, além de possíveis ataques militares. Assessores de Trump devem informá-lo sobre a situação em uma reunião marcada para terça-feira.

As opções que estão sendo apresentadas a Trump vão desde ataques direcionados dentro do Irã até ofensivas cibernéticas, de acordo com a Politico, que cita um oficial não identificado familiarizado com o desenvolvimento da situação. Matt Gertken, estrategista-chefe de geopolítica da BCA Research, afirma que "se os EUA decidirem que precisam agir para proteger pessoal ou ativos, ou para garantir o fluxo de energia, possuem uma variedade de ferramentas, desde ações cibernéticas e sabotagens, até drones e ataques com mísseis a partir do ar e do mar."

Os Estados Unidos também podem atacar a infraestrutura nuclear ou militar, assim como instalações governamentais, a fim de reduzir as capacidades do regime e "dissuasar o governo de ações disruptivas".

Revolta Generalizada

Os protestos no Irã, que começaram no final de dezembro devido ao aumento dos preços e ao colapso da moeda local, intensificaram-se e se transformaram em manifestações de oposição ao governo, representando uma ameaça ao regime islâmico. Até o momento, o governo iraniano tem intensificado as ações contra os manifestantes, com mais de 500 mortos, conforme dados da Human Rights Activists News Agency, baseada nos Estados Unidos. O Irã também advertiu os EUA e Israel contra qualquer tipo de intervenção, com o presidente Masoud Pezeshkian acusando ambos de incitar a agitação.

Gertken destacou que "o Irã é muito mais capaz de retaliar contra os EUA, especialmente atacando a infraestrutura regional de energia". Ele acrescentou que a administração Trump "não está necessariamente ansiosa para destruir o regime", a menos que a situação se deteriore "a tal ponto que os EUA sintam que não podem deixar passar a oportunidade de intervir para forçar uma mudança de regime".

A Postura de Trump

A estratégia da administração Trump, segundo Dan Yergin, vice-presidente da S&P Global, frequentemente "muda dia a dia". No entanto, suas ameaças possuem um impacto significativo, uma vez que o Irã está nas prioridades de sua agenda. O atual descontentamento se manifesta como os "protestos mais profundos e amplos" em anos, que o regime não conseguiu controlar.

Trump demonstrou apoio explícito aos protestadores iranianos e tem manifestado seu desejo de intervir várias vezes em sua plataforma Truth Social, anunciando que os EUA estariam prontos para "ajudar" os iranianos caso as autoridades continuassem a reprimir os manifestantes. "O Irã está em busca de LIBERDADE, talvez como nunca antes. Os EUA estão prontos para ajudar!!!", escreveu Trump em um post nas redes sociais no último sábado.

Opções em Análise

Durante um retorno a Washington, em um voo no Air Force One, Trump comentou: "Estamos analisando isso com muita seriedade. O exército está considerando as questões, e estamos avaliando algumas opções muito fortes."

Ainda que Trump considere medidas não cinéticas, como operações cibernéticas e ações clandestinas, segundo a Politico, não é esperado que ele envie tropas americanas para o país. O movimento de ativos militares americanos também não tem sido significativo.

Os Estados Unidos estão mirando na restauração das comunicações na internet no Irã, dado que os líderes do país cortaram o acesso à internet e aos serviços de telefonia. "Podemos reestabelecer a internet, se for possível", comentou Trump aos repórteres. "Podemos falar com Elon Musk. Vou ligá-lo assim que terminar esta conversa." Durante os últimos protestos, o Irã supostamente interferiu no sinal do Starlink, serviço fornecido por Musk.

Consequências de um Ataque

Mesmo que a administração dos EUA considere um ataque "simbólico", isso poderá desencadear uma "escalada muito mais ampla", segundo Danny Citrinowicz, pesquisador sênior do Instituto de Estudos de Segurança Nacional. Ele ressaltou que "o dilema está em seu auge: um ataque forte poderia potencialmente minar os esforços de repressão do regime, mas, ao mesmo tempo, poderia levar a uma maior coesão dentro do regime e a uma escalada mais ampla".

Citrinowicz também alertou que "dada a ausência de liderança na oposição, tal ataque pode alcançar um sucesso operacional, mas não um sucesso estratégico".

Mohammad Baqer Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano, advertiu durante uma sessão transmitida ao vivo pela televisão estatal que Israel e "todas as bases e navios militares americanos na região serão nossos alvos legítimos" se os EUA atacarem o Irã. O líder supremo do Irã, Ayatollah Ali Khamenei, afirmou na última sexta-feira que o governo do Irã "não recuará" diante dos protestos.

Vulnerabilidade do Regime

A agitação ocorre em um contexto em que a república islâmica tem se mostrado cada vez mais vulnerável, com os líderes enfrentando crescentes pressões internas e domésticas, além de uma população cada vez mais indignada com uma crise econômica profunda. A moeda oficial do país, o rial, perdeu metade de seu valor no último ano, alcançando mínimas históricas de cerca de 1 milhão de riais por dólar americano, conforme dados da LSEG.

"Esses protestos, independentemente do resultado, danificarão ainda mais a legitimidade já fragmentada de um sistema estatal que está no fim de sua trajetória", afirmou Sanam Vakil, diretora do programa de Oriente Médio e Norte da África do Chatham House.

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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