Mercado e Impactos da Guerra
Três meses após o início da guerra no Irã, os preços elevados do petróleo suscitam preocupações adicionais acerca da inflação, enquanto algumas moedas em queda representam um desafio para vários países asiáticos. O conflito, no entanto, resultou em benefícios para outros ativos, especialmente o petróleo, destacando a posição do dólar como um porto seguro.
Impacto mais amplo do petróleo
O aumento de aproximadamente 40% no preço do petróleo vai além do que se esperava, alterando a projeção para a inflação e as taxas de juros. No mercado físico, os preços do petróleo bruto se mantêm acima de US$ 100 por barril, e, em um determinado momento no início de abril, chegaram a quase o dobro dos valores anteriores ao conflito. Uma liberação recorde de 400 milhões de barris das reservas estratégicas das principais economias, combinada com a busca por fontes alternativas de abastecimento, ajudou a reduzir os efeitos da perda de oferta. Contudo, os desafios enfrentados pelo sistema energético global continuam a aumentar.
Frenesi da IA favorece ações
Até o momento, o mercado acionário global tem se comportado de forma resiliente, impulsionado principalmente por um otimismo renovado em relação à inteligência artificial e pelas esperanças em torno de possíveis acordos de paz que ofuscam os efeitos negativos da guerra. Os índices acionários dos Estados Unidos atingem níveis recordes, assim como o índice de referência do mercado acionário da Coreia do Sul. As ações na Europa, por sua vez, estão se aproximando de suas máximas históricas.
A empresa SK Hynix superou a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez, unindo-se a rivais como Samsung Electronics e Micron Technology em uma recuperação impulsionada pela inteligência artificial. No entanto, nem todos os setores estão se beneficiando dessa situação.
O índice de companhias aéreas do S&P 500 apresentou queda superior a 6% desde o início do conflito, impactado pela interrupção global dos voos. Outros índices, como o de empresas de luxo, também sentiram o impacto, com uma queda de 10%, refletindo os receios dos investidores de que a inflação possa afetar o consumo.
Dólar mantém sua coroa
O dólar se destacou como uma moeda forte, com os investidores buscando segurança em sua valorização. Desde o início da guerra, a moeda norte-americana valorizou-se em 1,5% em relação a outras principais divisas, superando o franco suíço e o iene japonês. O aumento nos rendimentos dos Treasuries também contribuiu para a atratividade do dólar, embora analistas apontem que a moeda pode enfrentar incertezas na política norte-americana e, possivelmente, se enfraquecer quando o conflito tiver fim.
Van Luu, chefe global de estratégia de soluções da Russell Investments, indicou que, apesar do cenário atual de neutralidade, há expectativas de um dólar mais fraco no médio prazo.
Moedas asiáticas sentem a dor
A Ásia, que historicamente consome cerca de 80% do petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz, agora enfrenta desafios significativos, pois o combustível disponível está custando mais do que antes, prejudicando o crescimento econômico. A rúpia indiana, a rúpia indonésia e o peso filipino enfrentam níveis recordes de desvalorização em relação ao dólar, levando alguns países a aumentar as taxas de juros ou utilizar suas reservas cambiais como forma de mitigação.
Recentemente, o Sri Lanka surpreendeu os mercados ao anunciar um aumento de 100 pontos-base nas taxas de juros. Na contramão, o iuan da China conseguiu manter sua estabilidade, beneficiado por reservas domésticas substanciais de energia.
Outro golpe na economia global
O encarecimento do petróleo continua a impactar a economia global, afetando especialmente os países que dependem da importação de energia. Na zona do euro, a atividade econômica sofreu uma das maiores retrações em mais de dois anos e meio, conforme indicado pelo índice composto de gerentes de compras da S&P. O impacto da guerra está acentuando as vulnerabilidades financeiras da Europa, como alertou o Banco Central Europeu em um relatório recente.
Além disso, as empresas britânicas relataram queda na atividade, acompanhada de um aumento significativo nos preços dos insumos devido aos custos mais altos de energia. Nos Estados Unidos, que se tornaram autossuficientes em petróleo e gás, e onde o investimento em inteligência artificial está crescendo, a economia não sofreu impactos tão severos. Entretanto, a interconexão dos mercados de petróleo resultou em um aumento no preço da gasolina nos Estados Unidos, que atingiu um patamar de US$ 4,56 por galão, o mais alto em quatro anos.
Títulos sofrem um baque
Os títulos públicos têm mostrado perdas recentes, com a alta nos preços do petróleo levando os investidores a reconsiderar os riscos de juros mais altos como resposta à inflação impulsionada pelos combustíveis. As expectativas de aumento nos gastos fiscais e militares também têm pressionado os vencimentos de títulos de maior prazo.
O Federal Reserve pode encerrar seu viés de flexibilização em um curto espaço de tempo, e os rendimentos dos Treasuries de 30 anos estão em seu nível mais alto desde 2007, superando 5%. Por sua parte, os rendimentos dos Bunds alemães atingiram o maior patamar em mais de 15 anos, à medida que os investidores precificam a perspectiva de pelo menos dois aumentos nas taxas de juros pelo BCE até o final do ano.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br