Conflito Público entre Lululemon e Chip Wilson: Reunião Anual à Vista

Lululemon Se Pronuncia sobre Conflito com Fundador

A empresa de vestuário atlético, com sede em Vancouver, está tornando público seu embate com o fundador ativista Chip Wilson. Na última segunda-feira, a Lululemon comunicou em uma carta aos acionistas que Wilson possui "perspectivas desatualizadas" e "conflitos de interesse preocupantes" que podem prejudicar seu plano de recuperação, conforme documentos analisados pela CNBC.

Resposta ao Conflito

Esta carta representa a primeira resposta pública significativa da Lululemon a Wilson desde que sua luta por controle começou a intensificar-se no final do ano passado. Resulta também de negociações de acordo que fracassaram na semana anterior. No comunicado, a empresa detalha por que sua estratégia, sua nova CEO Heidi O’Neill e os indicados ao conselho são a melhor opção para os acionistas, instando-os a votar a seu favor e definindo 25 de junho como a data de sua esperada reunião anual.

A comunicação afirma: "Wilson, que deixou de servir no Conselho há mais de dez anos por razões bem documentadas, tem atacado a empresa e o Conselho há muitos anos, prejudicando a marca e os acionistas. Agora, ele apresentou três nomes opostos na tentativa de recuperar uma influência maior sobre a empresa que almeja desde que saiu."

Qualificações e Críticas a Wilson

O conselho da Lululemon acredita firmemente que substituir qualquer um dos diretores da companhia pelos menos qualificados indicados por Wilson seria endossar suas perspectivas equivocadas, privando a empresa de habilidades e expertise críticas, além de colocar em risco o progresso em um momento crucial para seus negócios e sua organização.

Chip Wilson não retornou imediatamente a uma solicitação de comentário.

Desafios Enfrentados pela Lululemon

Nos últimos dois anos, os negócios da Lululemon enfrentaram pressão, especialmente na América, seu maior mercado, devido ao impacto das tarifas, um consumidor norte-americano instável e uma variedade de produtos que não têm atraído os compradores como antes. A empresa também enfrenta uma competição acirrada no setor de vestuário atlético, com novos concorrentes como Vuori e Alo Yoga, à medida que o mercado global de athleisure começa a esfriar.

Durante o relatório dos ganhos fiscais do quarto trimestre em março, a Lululemon divulgou uma previsão fiscal fraca para 2026 e alertou que tarifas mais altas e sua batalha proxy com Wilson afetariam o desempenho financeiro. Até o fechamento de sexta-feira, as ações caíram quase 43% neste ano.

Histórico de Chip Wilson

Chip Wilson fundou a Lululemon em 1998 e deixou o cargo de CEO em 2005, permanecendo como presidente até 2013, quando saiu após atribuir um recall de suas calças pretas à insatisfação dos clientes. Ele comentou à Bloomberg na época: "Alguns corpos femininos não se adequam às calças." Ele explicou que o problema está na fricção nas coxas e na pressão exercida ao longo do tempo.

Desde então, Wilson tem sido um crítico frequente da marca, intensificando suas críticas no final do ano passado, à medida que os desafios da Lululemon aumentavam. Sua principal queixa se refere ao conselho da empresa, que ele culpa pela sua decisão de deixar a presidência em 2013. Atualmente, ele faz lobby tanto junto à empresa quanto aos acionistas para apoiar sua lista de indicados.

A Defesa da Lululemon

Em resposta, a Lululemon defendeu que sua atual liderança é a razão pela qual a marca se tornou um varejista de 11 bilhões de dólares e argumentou que Wilson tem alianças com concorrentes diretos, como Alo Yoga e Vuori, empresas para as quais ele admitiu prestar consultoria, de acordo com os registros de segurança.

Na reunião anual da Lululemon no próximo mês, os acionistas terão a oportunidade de votar em duas listas de diretores para eleição, sendo que ambos os lados acreditam que esses nomes podem contribuir para a recuperação da empresa. Os acionistas poderão escolher entre os indicados da Lululemon, que incluem Chip Bergh, ex-CEO da Levi Strauss, Esi Eggleston Bracey, ex-diretora de crescimento e marketing da Unilever, e Teri List, ex-diretora financeira da Gap. Por outro lado, também poderão optar pelos candidatos indicados por Wilson, que são Laura Gentile, ex-diretora de marketing da ESPN, Eric Hirshberg, ex-CEO da Activision, e Marc Maurer, ex-co-CEO da On.

Wilson tem argumentado que a queda do varejista é resultado de "depriorização da excelência criativa em prol da eficiência." Ele defendeu que a solução passa por ter "líderes criativos mais experientes" no conselho.

Tentativas de Acordo e Conflitos

Na semana passada, a Lululemon fez uma tentativa final de resolver a disputa com Wilson e alcançar um acordo. A empresa ofereceu indicar dois dos nomes de Wilson após a reunião anual, em comparação a uma oferta anterior de um, além de concordar em nomear um terceiro diretor que não fosse da lista dele, mas sujeito à sua aprovação. A empresa também propôs criar um conselho consultivo de produtos de marca que incluiria o terceiro indicado de Wilson.

Em resposta, Wilson aumentou suas exigências, solicitando o direito de substituir diretores caso seus candidatos deixassem o conselho, além de um reembolso total de suas despesas de campanha pela empresa, entre outros pedidos. A Lululemon rejeitou essa proposta e as negociações acabaram fracassando.

Atualmente, a Lululemon argumenta em sua carta que seus indicados são "muito superiores" aos de Wilson, alertando que a eleição de qualquer um dos candidatos sugeridos pelo fundador "resultaria em uma degradação significativa da experiência e da expertise do seu Conselho, incluindo a perda de experiência em governança corporativa e financeira essencial para uma empresa de capital aberto."

Críticas aos Candidatos de Wilson

A empresa criticou Gentile, Hirshberg e Maurer por não possuírem experiência em conselhos de empresas públicas e por terem pouco ou nenhum contato com o setor de vestuário e varejo.

A Lululemon destacou que Maurer, que saiu como co-CEO da On há cerca de um ano, ainda detém uma participação pessoal na empresa, avaliada em dezenas de milhões de dólares, que representa uma parte considerável de seu patrimônio líquido.

A companhia também se defendeu em relação a sua nova CEO, que deve assumir em setembro, após quase 30 anos na Nike. Quando a Lululemon anunciou O’Neill como sua escolha para o cargo, as ações foram vendidas em resposta às preocupações de que ela poderia ser parte dos problemas que a Nike enfrenta atualmente. Também surgiram preocupações sobre o fato de que ela não começará imediatamente, adiando ainda mais a recuperação da Lululemon, especialmente em um momento em que a empresa enfrenta prazos longos para o lançamento de produtos.

Considerações Finais de Wilson

Em uma carta aos acionistas datada de 29 de abril, Wilson escreveu que "uma veterana de quase 30 anos da Nike não é o símbolo de liderança transformadora e criativa que pode instilar a confiança dos acionistas neste mundo atual," questionando se ela possui as habilidades de produto ou o histórico de criação de valor necessários para revitalizar a Lululemon.

Em resposta, a empresa afirmou em sua carta aos acionistas que O’Neill é "a executiva ideal para liderar" a empresa, trazendo um "equilíbrio único de criatividade e disciplina operacional" em um momento crucial. A Lululemon ressaltou que durante o processo de seleção de CEO, foram estabelecidos critérios que abarcavam tanto experiência em recuperação quanto em crescimento.

A empresa reconheceu que existem partes do negócio da Lululemon que precisam ser redefinidas, mas que isso não deveria ser o objetivo final. Ressaltou que a marca Lululemon permanece fundamentalmente forte e que existe um potencial significativo para inovar e evoluir produtos, além de engajar comunidades para expandir ainda mais os negócios, tanto em atividades quanto internacionalmente.

A Lululemon destacou a trajetória de O’Neill em liderar o setor de vestuário da Nike durante um período de rápido crescimento, bem como seu trabalho na redução dos prazos de lançamento de produtos e na redefinição da marca antes de sua saída. Ela foi responsável por estabelecer e expandir o negócio de Mulheres da Nike, transformando-o em uma franquia multibilionária e liderou transformações digitais importantes, sendo uma precursora e inovadora em um período de crescimento nas vendas digitais de mais de 65%.

Fonte: www.cnbc.com

Related posts

Waymo e Uber encerram projeto de táxi robô em Phoenix

Nossa avaliação, meta de preço e perspectivas para a nova Honeywell Aerospace.

Citi Wealth alerta investidores a reduzirem excesso de dinheiro devido à inflação alta.

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais