Declarações sobre a Economia do Irã
Um ex-assessor do Banco Central do Irã contestou a afirmação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país está à beira de um colapso econômico. No entanto, ele alertou que a decisão dos Emirados Árabes Unidos de romper as relações comerciais pode aprofundar a contração da economia iraniana para cerca de 5% neste ano.
Visão do Ex-Assessor
“Devemos ser um pouco cautelosos em relação à ideia de que a economia iraniana está simplesmente à beira do colapso”, afirmou Mehrdad Sepahvand, ex-assessor econômico do Banco Central do Irã, em entrevista ao correspondente da CNBC, Dan Murphy, no programa “Access Middle East”, na quinta-feira.
Essas declarações foram feitas poucas horas depois que Trump prometeu “guerra econômica e isolamento em uma escala sem precedentes” contra o Irã, afirmando que o regime está “pendurado por um fio”, após o colapso das negociações de cessar-fogo.
Estrategia da Administração Trump
Esse anúncio faz parte de uma campanha de pressão que a administração Trump vem mantendo desde abril, sob a designação de Operação Fúria Econômica. O objetivo dessa ação é interromper o que a administração considera ser o financiamento global do terrorismo e as fontes de receita do regime iraniano.
Impacto na Economia do Irã
Segundo estimativas do Banco Mundial, o produto interno bruto do Irã viu uma contração de 2,7% no ano encerrado em março. Essa queda é atribuída a distúrbios econômicos causados pelos protestos generalizados do ano passado e pela intensificação das hostilidades na região.
A inflação disparou para 62,2% em fevereiro, enquanto a inflação dos preços dos alimentos atingiu um histórico de 99%. Um funcionário iraniano estimou que a guerra resultou na perda de cerca de um milhão de empregos, conforme reportado pelo New York Times.
Situação Atual da Economia
Apesar disso, Sepahvand, que atualmente é diretor do Daric Investment Group, afirmou que a economia do Irã realmente está se deteriorando sob o peso crescente das sanções, mas que está longe de um colapso completo. “As lojas ainda estão cheias de alimentos e bens básicos, e não há sinais de compra em pânico”, ressaltou.
Ele acrescentou: “Apesar das sérias desproporções no sistema bancário e até ataques cibernéticos severos, a confiança pública no sistema bancário não entrou em colapso, e não vimos uma correria significativa nas agências bancárias. Embora a esperança tenha claramente diminuído, ela não desapareceu completamente. Portanto, a situação não é tão ruim quanto imaginamos.”
Desafios dos Emirados Árabes Unidos
Um desafio mais significativo pode surgir a partir dos Emirados Árabes Unidos. O país, que era a maior fonte de importações do Irã antes da guerra, anunciou na quarta-feira a suspensão de todas as relações comerciais e financeiras com o Irã, após alegações de que dois mísseis balísticos iranianos foram disparados contra o estado do Golfo.
Sepahvand comentou: “Os Emirados são um dos principais portos financeiros do Irã.” A ruptura nas relações comerciais afetará a taxa de câmbio, aumentará os custos de comércio e alimentará a inflação nos próximos dois trimestres. “Nossa estimativa é de cerca de menos 5% por enquanto, e as sanções dos Emirados podem agravar a situação”, explicou.
Ameaças de Consequências Econômicas
Mais cedo na quinta-feira, Trump advertiu que qualquer país que oferecer uma “salvaguarda econômica” ao Irã enfrentará o que ele descreveu como consequências econômicas significativas.
Ele enumerou práticas como contrabando de petróleo, linhas de troca de moeda, transferências de dinheiro, casas de câmbio, registros de navios e empresas de fachada como canais que ele deseja fechar imediatamente, enfatizando que o Irã nunca deverá adquirir uma arma nuclear.
Efeitos na Política e na Sociedade
Entretanto, a pressão econômica e política está, paradoxalmente, fortalecendo o regime que Washington busca enfraquecer, reduzindo as perspectivas para um possível acordo. Sepahvand observou: “Os radicais dentro do governo estão, na verdade, aproveitando a situação, e isso torna mais difícil [alcançar] um acordo com os Estados Unidos.”
O fardo dessa situação recai, por sua vez, sobre os iranianos de baixa renda e os mais jovens, que enfrentam o aumento dos preços e a escassez de empregos.
— A reportagem contou com a contribuição de Emma Graham, da CNBC.
Fonte: www.cnbc.com
