Revisão da Expectativa de Crescimento da Construção Civil Brasileira
A construção civil brasileira revisou sua projeção de crescimento para 2026, diminuindo a expectativa de expansão em meio ao aumento dos custos de produção, à manutenção das taxas de juros em níveis elevados e à intensificação da incerteza no cenário internacional. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) ajustou a sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor, reduzindo de 2% para 1,2%. Essa mudança reflete um ambiente mais desafiador para empresas, investidores e incorporadoras no país.
Aumento dos Custos de Produção
Conforme indicado pela CBIC, o aumento nos preços dos insumos ganhou força no primeiro trimestre deste ano. O índice de preço médio dos materiais de construção alcançou 68,4 pontos, o maior nível desde o segundo trimestre de 2022. Segundo a análise da entidade, a escalada nos custos foi impulsionada, especialmente, pelo reajuste nos preços de combustíveis e derivados de petróleo, cuja elevação está atrelada a desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio.
Impacto das Taxas de Juros e Expectativas Inflacionárias
Além do aumento nos custos, a desaceleração no ritmo de cortes da taxa básica de juros também afetou a perspectiva do setor. A deterioração das expectativas inflacionárias intensifica a cautela entre os agentes do mercado. O setor da construção civil já apresentava um desempenho abaixo das expectativas anteriores. Em 2025, a expansão do PIB da construção foi de apenas 0,5%, resultado que ficou aquém da projeção inicial de 1,3% divulgada anteriormente pela CBIC.
Condições Financeiras da Indústria
No final de abril, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) destacou que as condições financeiras da construção civil deterioraram-se no primeiro trimestre de 2026. Esse cenário é um reflexo direto da obtenção de crédito caro e do aumento nos preços dos materiais de construção.
Novas Preocupações: Jornada de Trabalho
Além das questões macroeconômicas, o debate em torno de possíveis mudanças na jornada de trabalho surge como uma nova preocupação para o setor. O presidente da CBIC, Renato Correia, destacou os potenciais impactos da proposta de alteração da escala de trabalho 6×1.
Implicações para o Setor
“Nosso setor emprega mais de 3 milhões de pessoas. Se existe um segmento que será afetado dependendo do que for decidido, é o nosso”, afirmou ele ao ser questionado sobre as consequências da aprovação do fim da escala 6×1.
Correia enfatizou que não se trata apenas de uma questão de custo. Ele mencionou que “se houver uma redução de 44 para 40 horas de trabalho, sem diminuição do salário, haverá um impacto direto nos custos para todos. Isso não se limita apenas à mão de obra no canteiro de obras, mas também afetará os materiais que exigem mão de obra. Portanto, será um impacto significativo”, afirmou.
Considerações sobre Melhorias nas Condições de Trabalho
O presidente da CBIC ressaltou que, embora as melhorias nas condições de trabalho sejam legítimas, qualquer mudança deve considerar o atual contexto econômico do setor. “Estamos diante de uma guerra, com um aumento acentuado nos custos dos materiais, e uma reforma tributária que começa no ano que vem, trazendo efeitos para os materiais de construção. Além disso, a taxa de juros permanece elevada. Somado à questão do 6×1, isso gera uma preocupação imensa”, concluiu.
Fonte: br.-.com


