Investimentos em Inteligência Artificial
Os países estão se esforçando para não ficarem para trás na área de inteligência artificial (IA). Nesse contexto, o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, estão liderando campanhas para atrair executivos de tecnologia.
A dupla tem intensificado esforços para conquistar líderes das principais empresas de tecnologia do mundo durante este ano, buscando garantir investimentos significativos e grandes projetos de infraestrutura voltados para a IA.
Macron e o SoftBank
Macron e Modi se destacam entre os líderes que buscam desenvolver data centers e ecossistemas necessários para potencializar a tecnologia, utilizando abordagens pessoais em suas estratégias.
O presidente francês recebeu executivos de IA durante a cúpula do G7 em junho e persuadiu o chefe do SoftBank, Masayoshi Son, a investir dezenas de bilhões de dólares em data centers de IA na França.
Mais especificamente, em maio, o SoftBank anunciou a intenção de construir 3,1 gigawatts (GW) em data centers de IA na França até 2031, como parte de um investimento total de 75 bilhões de euros para implantar 5 GW de capacidade em data centers de IA.
Macron se reuniu pessoalmente com Son dois meses antes do anúncio, buscando convencê-lo a se comprometer com o projeto. Durante esse processo, os dois trocaram mensagens para ajustar os detalhes, conforme relatado por Son em uma entrevista à CNBC.
Macron destacou a capacidade energética da França, que depende de fontes nucleares para grande parte de sua eletricidade, e garantiu que 3 GW estariam disponíveis para os projetos do SoftBank, em vez dos 2 GW inicialmente sugeridos pelo primeiro-ministro francês.
Son comentou sobre o suporte que recebeu do governo francês, afirmando que a equipe governamental colaborou efetivamente nas tratativas.
Enquanto isso, Macron também abordou líderes do setor tecnológico para um almoço de trabalho com figuras globais, como o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, na conferência do G7, realizada na França.
Entre os participantes do evento estavam CEOs como Sam Altman da OpenAI, Dario Amodei da Anthropic, e Demis Hassabis do Google DeepMind, além de executivos de outras empresas de tecnologia, incluindo Arthur Mensch da Mistral, Aidan Gomez da Cohere, Uljan Sharka da Domyn, Victor Riparbelli da Synthesia, e Robin Rombach da Black Forest Labs.
Iniciativas da Índia em IA
No início deste ano, Modi também recebeu líderes de tecnologia dos Estados Unidos na Cúpula Global de IA, que resultou em compromissos financeiros expressivos em favor dos esforços indianos em IA.
Modi declarou: “A Índia não vê medo na IA. A Índia vê fortuna na IA. A Índia vê o futuro na IA”, em suas observações de abertura na cúpula realizada em fevereiro, incentivando os líderes globais de tecnologia a “Projetar e Desenvolver na Índia” para atender à demanda mundial.
O primeiro-ministro indiano tem priorizado a atração de investimentos e parcerias que contribuam para o desenvolvimento de inteligência artificial no país. Atualmente, a Índia não produz chips de última geração localmente e não possui um modelo de IA que possa competir com os principais modelos dos Estados Unidos ou da China, o que a coloca em uma posição atrasada nesta corrida tecnológica.
Em seu esforço para modernizar a infraestrutura local, Modi tem incentivado empresas globais de tecnologia a investirem na construção de infraestrutura e desenvolvimento de chips de IA na Índia.
Meses antes da cúpula, a Índia conseguiu assegurar o maior investimento da Microsoft na Ásia, destinado a desenvolver as capacidades necessárias para um futuro voltado a IA no país. Simultaneamente, o Google anunciou um investimento de 15 bilhões de dólares para estabelecer o maior centro de IA fora dos Estados Unidos.
Para estimular provedores de computação em nuvem em grande escala a criar data centers de IA na Índia, o governo de Modi disponibilizou incentivos fiscais de longo prazo.
Além disso, o governo indiano está incentivando empresas locais a entrar no mercado de semicondutores. Durante uma visita a Holanda em maio, a empresa ASML informou que fornecerá ferramentas avançadas de litografia para uma fábrica de semicondutores de 300 mm que está sendo instalada pela Tata Electronics, uma empresa indiana. Lip-Bu Tan, da Intel, que se encontrou com Modi em dezembro passado, também se mostrou interessado na compra de chips fabricados pela Tata Electronics.
A Índia enfrenta uma dependência significativa de modelos de IA e hardware de computação estrangeiros, o que pode comprometer suas ambições no setor em virtude de diretrizes de controle de exportação de outros países.
A recente valorização global das ações relacionadas à IA não incluiu a Índia, evidenciando a falta de iniciativas de IA em larga escala no país. Essa situação acentua a urgência de Modi em atrair capital e tecnologia para alinhar a Índia às tendências mundiais.
Fonte: timesbrasil.com.br


