Pressão do Pentágono sobre a Anthropic
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, estabeleceu um prazo até sexta-feira, dia 27, para que o CEO da Anthropic, Dario Amodei, atenda às exigências relacionadas à flexibilização das medidas de segurança no modelo de inteligência artificial da empresa. Caso contrário, a Anthropic poderá perder um contrato com o Pentágono, que está avaliado em 200 milhões de dólares.
Restrições em Debate
As restrições que se encontram em questão dizem respeito ao modelo de IA conhecido como Claude. O Pentágono solicita que a Anthropic remova essas limitações, permitindo que as Forças Armadas utilizem a tecnologia para "todas as aplicações legais", conforme informações de uma fonte familiarizada com o assunto.
No entanto, a Anthropic expressa preocupações em relação a dois aspectos cruciais, que não está disposta a abandonar: a utilização de armas controladas por inteligência artificial e a vigilância em massa de cidadãos americanos. Segundo essa fonte, a empresa considera que a IA não é suficientemente confiável para operar armas e ressalta a ausência de legislações ou regulamentações que delimitem o uso da IA na vigilância em grande escala.
Consequências Potenciais
Conforme relatado por uma fonte próxima às discussões, o Pentágono sinalizou que rescindiria o contrato com a Anthropic se a empresa não aceitasse os termos exigidos até a data limite estipulada. Autoridades do Pentágono também indicaram que poderiam aplicar a Lei de Produção de Defesa (DPA) contra a Anthropic ou classificá-la como um risco à cadeia de suprimentos, caso a empresa não satisfizesse as demandas estabelecidas.
A DPA é uma legislação que confere ao governo a capacidade de influenciar empresas com foco na defesa nacional. Essa legislação foi recentemente invocada pelo governo de Donald Trump durante a pandemia de COVID-19. A classificação como um risco à cadeia de suprimentos é, geralmente, reservada a empresas que são vistas como extensões de adversários estrangeiros, como a Rússia ou a China. Tal designação teria implicações severas para a Anthropic, pois clientes corporativos com contratos governamentais precisarão assegurar que seus projetos não utilizem as tecnologias da empresa.
Dinâmica da Reunião
Durante a reunião entre Hegseth e Amodei, o ambiente foi descrito como cordial e respeitoso, sem intercâmbios acalorados, segundo uma fonte envolvida. O secretário elogiou os produtos da Anthropic e manifestou o desejo dos Estados Unidos de colaborar com a empresa.
Não obstante, Amodei reiterou as reservas da Anthropic em relação ao uso de armas autônomas e à vigilância em massa. De acordo com informações de uma fonte próxima ao assunto, a Anthropic não planeja ceder às exigências do Pentágono.
Comentários da Anthropic
Um porta-voz da Anthropic se referiu à reunião como uma conversa de "boa-fé" sobre o uso da tecnologia da empresa. O comunicado enviado à CNN destacava que Dario Amodei expressou gratidão pelo trabalho do Departamento e pelos serviços prestados.
“Continuamos as conversas de boa-fé sobre nossa política de uso, visando garantir que a Anthropic continue apoiando a missão de segurança nacional do governo, conforme aquilo que nossos modelos podem realizar de maneira confiável e responsável”, informou o porta-voz.
Desenvolvimento das Negociações
As negociações entre as partes estão em andamento há vários meses, com relatos recentes emergindo a respeito das tensões crescentes. Na semana anterior, o site Axios trouxe à tona a informação de que Hegseth estava próximo de rescindir o contrato com a Anthropic e classificá-la como um "risco à cadeia de suprimentos".
“A Anthropic está comprometida em utilizar inteligência artificial de ponta em apoio à segurança nacional dos EUA”, declarou o porta-voz da empresa. “É por isso que fomos a primeira companhia de IA de ponta a implementar nossos modelos em redes classificadas e a primeira a oferecer modelos personalizados para clientes do setor de segurança nacional.”
Confirmação do Pentágono
Um oficial do Pentágono confirmou à CNN a realização da reunião com a Anthropic, mas não forneceu comentários adicionais que pudessem enriquecer o contexto da discussão.
Posição da Anthropic
A Anthropic se posiciona há muito tempo como uma empresa de inteligência artificial que prioriza a segurança. Os fundadores da empresa são ex-funcionários da OpenAI que deixaram a organização devido a divergências sobre a direção, abordagem de segurança e ritmo de desenvolvimento da tecnologia de IA. Recentemente, a Anthropic anunciou um investimento de 20 milhões de dólares em um grupo político que atua em prol de uma maior regulamentação na área de inteligência artificial.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


