Desempenho Comercial dos EUA Aprecia em Meio a Tarifas
Redução do Déficit Comercial
O déficit comercial dos Estados Unidos, observado seis meses após a imposição das tarifas do então presidente Donald Trump, caiu para seu nível mais baixo desde meados de 2009, conforme relatou o Departamento de Comércio na última quinta-feira. No mês de outubro, o déficit comercial foi fixado em apenas US$ 29,4 bilhões, representando uma queda de 39% em relação ao mês anterior. Esse resultado reflete um aumento de 2,6% nas exportações e uma diminuição de 3,2% nas importações.
Contexto Histórico
Este total marca o menor déficit desde o segundo trimestre de 2009, período em que os Estados Unidos saíam da crise financeira e da Grande Recessão. Os dados revelam a atividade comercial desde que Trump impôs suas tarifas, conhecidas como "dia da libertação", em abril de 2025. Economistas e formuladores de políticas estavam preocupados que essas tarifas poderiam prejudicar os Estados Unidos, ao provocar retaliações e desacelerar o fluxo de bens e serviços pelo mundo. Entretanto, Trump recuou de várias das ameaças tarifárias mais severas que havia feito, e os dados indicam um mercado vigoroso para produtos norte-americanos.
Desempenho Acumulado e Implicações
Apesar da redução observada, o déficit acumulado no ano ainda apresentava um aumento de 7,7% em relação ao mesmo período de 2024. Apesar disso, a desaceleração do desequilíbrio “proporcionará um impulso tão necessário para o crescimento econômico do quarto trimestre, que foi severamente afetado pela paralisação do governo federal”, comentou Chris Rupkey, economista-chefe da Fwdbonds.
Rupkey também acrescentou: “Os EUA parecem estar vencendo a guerra comercial, com as tarifas restringindo as importações de bens estrangeiros, mas os parceiros comerciais da América não guardam rancor, pois continuam comprando mais produtos e serviços americanos.” Ele continuou afirmando que, até o momento, as previsões de uma recessão nos Estados Unidos têm se mostrado imprecisas, uma vez que a produtividade permanece sustentando o crescimento.
Crescimento da Produtividade
De fato, o crescimento da produtividade no terceiro trimestre subiu a uma taxa de 4,9%, de acordo com um relatório separado divulgado na quinta-feira pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho. O aumento na produtividade contribuiu para a redução dos custos trabalhistas unitários em 1,9% no período, superando as expectativas e indicando que o mercado de trabalho não está exercendo pressão ascendente sobre a inflação.
Matthew Martin, economista sênior da Oxford Economics, destacou: “Os números mais recentes sugerem que as empresas estão conseguindo realizar mais com menos mão de obra, dando mais credibilidade à ideia de uma expansão sem emprego”. Ele enfatizou que a produtividade será crucial para determinar o limite de velocidade da economia e a dinâmica inflacionária. Se o crescimento da produtividade continuar a acelerar devido a cortes de impostos, desregulamentação e avanços tecnológicos, incluindo inteligência artificial, o crescimento econômico pode se intensificar sem gerar inflação indesejada.
Situação do Mercado de Trabalho
Embora a contratação esteja fraca, o Departamento do Trabalho reportou na última quinta-feira que os desligamentos permanecem em níveis baixos. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego para a semana encerrada em 3 de janeiro totalizaram 208.000, aumentando assim a média móvel de quatro semanas para seu nível mais baixo desde 27 de abril de 2024.
Fonte: www.cnbc.com
