Desempenho das Ações do Inter
A deterioração do clima no mercado impactou negativamente o desempenho das ações em geral, afetando de forma significativa os papéis do Inter (INTR;INBR32). No acumulado deste ano, a ação apresenta uma queda de 30%. Após a divulgação dos resultados, apenas três pregões foram suficientes para que o papel despencasse 23%.
Além disso, a instituição financeira digital enfrenta desafios internos. Houve uma piora na inadimplência e na qualidade do crédito, o que levanta questões sobre a saúde financeira do banco.
Revisão de Metas e Expectativas
O Inter reviseu suas metas e agora visa alcançar um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de até 30% até 2030. Anteriormente, a previsão era atingir esse mesmo patamar até 2027, uma meta que já havia gerado desconfiança entre investidores.
Entretanto, a equipe de gestão do banco adotou uma abordagem mais cautelosa e se prepara para inverter o cenário atual. Analistas do BTG, que se reuniram com executivos do Inter em sua sede em Belo Horizonte, relataram que a gestão está focada e confiante, sinalizando que o pior momento pode já ter sido superado.
“As reuniões presenciais são especialmente válidas quando uma ação enfrenta pressão. Nossa impressão foi de que a situação continua sob controle”, afirma o BTG.
Perspectivas de Lucro
De acordo com as análises realizadas, as ações do Inter estão sendo negociadas a cerca de 7,5 vezes o lucro por ação projetado para 2026. Os analistas destacam que esperam que os lucros continuem a crescer, acreditando que a margem de segurança melhorou significativamente. Isso os leva a ter uma visão mais otimista em relação às ações atualmente.
A recomendação de investimento é de compra, com um preço-alvo fixado em US$ 9,86, representando um potencial de valorização de 73,5% em comparação ao último fechamento.
Caiu Demais?
O BTG destaca que a reação do mercado foi desproporcional. Os analistas sustentam que o comportamento da ação tem sido mais semelhante ao de uma fintech de alta volatilidade, algo que, em sua visão, não é justificável. O Inter possui:
- Um balanço patrimonial robusto;
- Uma carteira de empréstimos altamente garantida;
- Uma sensibilidade mais neutra às taxas de juros se comparado ao passado.
O último item é especialmente relevante, uma vez que as expectativas indicam juros superiores ao que foi inicialmente previsto para 2026. Várias casas de análise preveem uma interrupção no ciclo de cortes em meio à pressão inflacionária, impulsionada pela guerra no Irã e pelos efeitos do El Niño. A expectativa é que a Selic (taxa básica de juros) atinja níveis acima de 14%, frente a uma previsão inicial de 12%.
“Isso deverá permitir que a empresa apresentem um desempenho razoáveis mesmo sob um cenário de taxas de juros elevadas por um período prolongado”, afirmam os analistas.
Gestão Confiante
Na análise do BTG, o tom geral da reunião foi construtivo, apesar de um ambiente macroeconômico desafiador. A principal preocupação do mercado ainda se concentra na lucratividade a curto prazo.
No entanto, a administração do Inter reitera que a expansão da margem financeira (NIM, na sigla em inglês) já está em progresso, e as receitas devem continuar a crescer em torno de 20% ao ano. Importante ressaltar que o ROE deve apresentar melhorias trimestre a trimestre, com expectativa de alcançar até 17% no quarto trimestre de 2026 e avançar para cerca de 20% nos anos subsequentes, embora a meta de longo prazo seja ainda mais ambiciosa.
Para alcançar esse patamar, o CEO do Inter acredita que a própria evolução dos resultados será suficiente, e os lucros também devem apresentar crescimento em 2027 em comparação com 2026.
Qualidade do Crédito
Um aspecto que merece atenção dos analistas é a qualidade do crédito, e a administração do banco mostrou-se confiante de que os riscos estão controlados. No segmento de cartões de crédito, houve uma deterioração ligeiramente maior do que a prevista inicialmente.
Ainda assim, a gestão do Inter aponta que já começou a observar melhorias nas tendências mais recentes, acreditando que a pressão advém mais de fatores macroeconômicos e sistêmicos do que de falhas na avaliação de crédito específica da instituição.
A carteira de empréstimos para pessoas físicas também apresentação um desempenho um pouco abaixo do esperado, em grande parte porque mudanças na vinculação de empregos criaram atritos operacionais. Contudo, o Inter ajustou seus modelos de análise de crédito, redirecionou a carteira para perfis de menor risco e aumentou a originação por meio do aplicativo, o que, segundo a gestão, deve contribuir para a melhora da qualidade das novas concessões.
Em relação ao programa do governo federal voltado à renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0 foi classificado como significativamente mais eficiente do que sua versão anterior, apresentando volumes maiores de regularização e uma experiência aprimorada para os clientes.
“Como consequência, é esperado um impacto positivo do retorno dos empréstimos ao regime de competência, assim como alguma recuperação nas provisões líquidas de descontos”, ressalta a administração.
O banco também sinaliza que aproximadamente dois terços de sua carteira de crédito é lastreada por garantias reais (colaterais), o que proporciona um carry positivo e torna o modelo de crescimento menos suscetível a variações no cenário macroeconômico.
Fonte: www.moneytimes.com.br