Desvendando o escândalo da Apex: O que pode impactar a política do Espírito Santo?

Desvendando o escândalo da Apex: O que pode impactar a política do Espírito Santo?

by Fernanda Lima
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Crise na Apex Partners

Afastamento de Executivos e Dívidas Altas

Em menos de 48 horas, a Apex Partners, uma das plataformas de investimento mais reconhecidas do Espírito Santo, afastou seu fundador e reconheceu uma dívida que se aproxima de R$ 1 bilhão. A decisão resultou em um pedido à Justiça para evitar uma corrida de credores e bloqueio de resgates em um fundo que envolve centenas de investidores. A situação da Apex Partners transbordou do âmbito financeiro para a política capixaba.

O desdobramento começou a ser notório na quinta-feira, 6 de agosto, quando a Apex anunciou que investigações conduzidas por membros de sua administração identificaram "inconsistências financeiras". Fernando Antonio Kulnig Cinelli foi afastado da presidência, e Eduardo Siqueira deixou a diretoria financeira. Marcelo Murad assumiu a liderança interinamente. A empresa também anunciou a contratação de uma auditoria externa e a intenção de processar Cinelli por suposta "gestão temerária e má-fé", além de buscar o bloqueio de seus bens. Cinelli declarou estar disposto a colaborar com as investigações, enquanto Siqueira ainda não fez comentários públicos sobre o caso.

Números Preocupantes

No dia seguinte ao afastamento, a nova administração da Apex apresentou à Justiça números muito superiores às estimativas que circulavam no mercado. O passivo bruto preliminar foi avaliado em R$ 985,6 milhões, em contraste com a dívida líquida, que saltou de R$ 413 milhões, em janeiro de 2025, para R$ 975 milhões em junho deste ano. Apenas no primeiro semestre de 2025, a Apex contraiu R$ 300 milhões em novas dívidas, sendo que 58% desse montante não foi convertido em novos ativos.

Entre os compromissos da empresa estão R$ 452,1 milhões relacionados a debêntures emitidas pela Rhino Securitizadora, R$ 309,8 milhões em obrigações associadas a mecanismos de cashback ligados a aproximadamente 1.600 clientes, R$ 201,7 milhões em dívidas bancárias garantidas e R$ 35,2 milhões em impostos correntes atrasados. As perdas integrais em 65 operações de mútuo foram estimadas em R$ 38,1 milhões. De um total de R$ 261,5 milhões apresentados como ativos realizáveis, a gestão interna projeta recuperar apenas R$ 190,1 milhões. Vale ressaltar que esses números ainda não foram validados por auditoria independente.

Liminar e as Consequências para os Investidores

A Apex obteve uma liminar que suspende execuções, penhoras, arrestos e bloqueios contra as empresas afetadas pela decisão inicial. Atualmente, a companhia não está formalmente em recuperação judicial, mas terá um prazo de até 30 dias para apresentar um pedido caso deseje obter proteção judicial. Importante notar que essa decisão não abrangerá o patrimônio das classes de fundos, as emissões de recebíveis com patrimônio separado, nem os ativos relacionados a incorporações imobiliárias.

Os efeitos sobre os investidores já são visíveis. O fundo BRM Carbyne Crédito Estruturado, que é administrado pelo BTG Pactual e gerido pela BRM Carbyne, suspendeu os resgates devido a uma "incompatibilidade" entre a liquidez da carteira e o volume de pedidos. Com patrimônio total de R$ 160,5 milhões e 909 cotistas, é importante destacar que isso não significa que o total de R$ 160,5 milhões tenha sido solicitado nem que todos os investidores tenham pedido seus recursos de volta.

A última carteira detalhada disponível na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) auxilia a entender o bloqueio atual. Em 30 de junho, o fundo apresentava R$ 148 milhões de patrimônio, mas apenas R$ 220,8 mil em liquidez imediata, com aproximadamente R$ 113,1 milhões classificados com prazo de liquidez superior a 360 dias. A concentração de 99,9% do patrimônio estava alocada em nove fundos da Contea Capital, uma companhia adquirida integralmente pela Apex. A maior posição, de R$ 104,1 milhões, estava investida em um único FIDC fechado, criado em março e que possui um horizonte de cinco anos.

Consequências para a CVC e Ligação Política

A crise na Apex também afetou a operadora de turismo CVC. Fundos e investidores associados à Apex obtiveram mais de 15% da companhia e passaram a integrar um acordo de acionistas junto à família Paulus. Fernando Cinelli havia sido recentemente eleito para o conselho da CVC, mas renunciou no mesmo dia em que foi destituído da Apex. A operadora declarou que sua única relação direta com a crise diz respeito a essa situação. Entretanto, permanece a dúvida sobre quanto dos R$ 309,8 milhões em obrigações de cashback está vinculado ao financiamento da compra de ações da CVC.

A dimensão política do caso se torna evidente quando se considera que Pedro Chieppe Ferraço, filho do governador e candidato à reeleição Ricardo Ferraço, ocupa o cargo de vice-presidente institucional e é acionista da Apex. Registros societários indicam que ele havia convertido R$ 500 mil em debêntures em ações da holding.

Victor Casagrande, filho do ex-governador e candidato ao Senado Renato Casagrande, também aparece como diretor institucional da Apex. Conhecido publicamente como socio-diretor da companhia, seu nome não consta como acionista direto em registros da holding.

Até o momento, não existem documentos públicos que impliquem Pedro ou Victor nas inconsistências financeiras, nem indicações de que Ricardo Ferraço ou Renato Casagrande tenham participado dos negócios investigados. Os afastamentos e as acusações anunciadas pela Apex se restringem a Cinelli e Siqueira.

Considerações Finais sobre a Crise

A Apex enfrenta uma crise financeira severa, com uma dívida alarmante, ativos de recuperação incerta e fundos sem liquidez, além de uma significativa ruptura em sua administração. Embora o impacto político da situação seja considerável, as respostas à origem das inconsistências financeiras, à destinação dos recursos captados e ao real prejuízo dos investidores ainda estão pendentes de esclarecimento. O futuro do caso, e sua possível ligação com a campanha eleitoral no Espírito Santo, dependerá das conclusões que emergirão das auditorias e investigações em andamento.

Atualização: Às 16h, a assessoria de Fernando Cinelli enviou uma nota afirmando que o empresário está comprometido em colaborar com a preservação da companhia, seus investidores e acionistas, buscando esclarecer todas as questões levantadas com absoluta transparência e integridade.

Fonte: veja.abril.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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